Xô carnaval!

Decidi manter meu ritmo normal neste carnaval sem alterar uma linha sequer. Ausente das atividades laborais por cinco dias, dediquei o tempo ao descanso e boa leitura. Não dei muita atenção às notícias na TV e muito menos à internet, ciente de que seria total perda de tempo. Me lembrei do amigo e colega Dr. Antonio Souza, que partiu há pouco tempo, que curtia assistir na TV o desfile das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro. Pra mim é igual à Fórmula Um, onde não vejo a menor graça ficar curtindo aqueles carros rodando o tempo todo, coisa que o sobrinho Fabio Santana (Fabinho) e o mano Salvador apreciam pra valer e até se amarram. O que seria do azul se todos só gostassem do marrom. Mas o bom neste período é que a cidade fica vazia e os ponteiros dos relógios parecem fazer o percurso inverso. Reina um sossego com a ausência dos barulhentos carros de som que circulam pela cidade com propagandas chatas, corriqueiras e de mau gosto. Lojas fechadas e a ausência do burburinho na alameda e nas praças dão uma sensação de paz e tranquilidade. Dá até saudade dos velhos tempos.

Não nego que já curti um bom carnaval por aqui e até na capital, há alguns anos. Mas, a violência, o exibicionismo, a baixa qualidade musical, o consumo excessivo de drogas tem feito um mal enorme a uma festa que pretendia ser de descontração e alegria. Bem atual a Marcha da Quarta-feira de Cinzas, composição de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra: “Acabou o nosso carnaval…”

Aqueles que meteram os pés pelas mãos neste carnaval vão ter que se virar para por as contas em dia, já que não há mais tempo de chorar o leite derramado. Como se diz por aí: A Inês já é morta. Juros de cheque especial nas alturas, cartões de créditos estourados, inadimplência em alta, tudo isto vai tirar o sono de muita gente. Cada um vai saber, mesmo que tardiamente, onde o sapato vai apertar e talvez passe a aprender que só se deve colocar o chapéu onde a mão alcança. Infeliz de quem tiver que cair nas mãos de agiotas, como na canção do mestre Elomar Figueira: “Só eu caindo nas mãos do véi Braulino, mesmo a 10%.” É como cavar a própria sepultura.

O tempo das marchinhas de carnaval ficou só na lembrança: “Êi, você aí! Me dá um dinheiro aí, Me dá um dinheiro aí.” Agora é hora de todo mundo voltar à terra e retomar o batente. Esta semana reiniciaremos a programação da Caravana Cultural, que será apresentada no salão da FACI, segundo informação do nosso atuante mestre de cerimônias, Agnelo Nunes. Preciso também retomar meus estudos da língua inglesa, pois apesar da minha paixão pelo idioma francês, ainda não consegui agendar um horário que me permita abraçar esta ideia. O Quarteto Mais ficou de recesso depois da participação no Show Caros Amigos em dezembro e é preciso retomar os ensaios com uma proposta inovadora que nos permita delimitar um divisor de águas em nosso meio artístico cultural, fugindo um pouco da mesmice. Texto pós carnaval é assim mesmo. Sempre curto.

 

* Carlos Amorim Dutra (Kalú) é médico cardiologista, médico do trabalho e músico

e-mail:carloskdutra@gmail.com

 

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