Wagner (PT) X professores

Procurei me esquivar o máximo que pude sobre esta pendenga desigual que se estabeleceu entre os professores da rede estadual e o governador Wagner com prejuízos irreparáveis para os alunos pobres do estado da Bahia, isso porque todos os jornais, rádios, redes de televisão estão mostrando esse fato de uma forma muito frequente, entretanto, nos últimos dias o governo pululou todos os canais de comunicação com atitudes coercitivas para com os professores e com propagandas enganosas, aliás, prática de todos os governos, e outrora uma prática condenada pelo partido que ora está no poder, no sentido de jogar a população contra esta classe espezinhada pelos governos.

Além dos professores do Estado, os da rede federal também já estão em greve, a maioria das Universidades Federais, como também os Institutos Federais não estão oferecendo aulas para os alunos e o motivo é o mesmo dos colegas da rede estadual, busca por melhores condições de trabalho e brigar contra um achatamento de salários.

O que há de comum nestes movimentos?

Tanto o Sr. Wagner como a presidente se mostram arrogantes, intransigentes e vendendo dados enganosos para a população, tanto um como outro descumpriram acordos frutos de negociação. Um outro elemento em comum é o silêncio dos dois senadores da base do governo, dos deputados federais e dos deputados estaduais, um silêncio sepulcral, aliás, quando um deles abre a boca é para condenar os professores, chamando-os de intransigentes e outros adjetivos nos desqualificando. Na década de oitenta, eu era ativo nas greves de professores da rede particular – SINPRO – e na rede federal, filiado ao SINASEFE, e estes senhores a quem me referi (senadores e deputados) estavam todos nas nossas assembleias, todos empunhando nossas bandeiras de luta, faziam discursos fervorosos a favor de nós professores tanto na Assembleia Legislativa como também na Câmara Federal. Uma outra coincidência era a posição das centrais sindicais, CUT, CGT, e as demais, nas assembleias nossas, nas nossas caminhadas estavam lá seus respectivos presidentes dando-nos apoio moral e até financeiro e surpreendentemente sumiram das manifestações dos trabalhadores, as centrais sindicais, hoje, brigam entre si para saber qual a mais serviçal aos governos federal e ao governo da Bahia. Todos os defensores dos trabalhadores de outrora, hoje são nossos algozes.

Nesses quase sessenta dias de greve o governador tem se preocupado mais com a arena da Fonte Nova se vangloriando porque a Seleção Brasileira fará um jogo aqui no próximo ano, na Copa das Confederações, esta notícia o deixou extasiado bem como a todos os seus asseclas, enquanto isso, os alunos de filhos do povo pobre da Bahia estão fadados a permanecerem na seleção dos piores alunos do país e do mundo.

O governador tomou uma atitude inacreditável para quem veio das bases sindicais, cortar os salários dos professores do Estado, seja dos grevistas como também dos demais, isso não se faz, governador, aliás nesta greve a truculência tem sido sua marca e de seus aliados. Quantas famílias de professores estão em dificuldades devido a isso?

Nesta última semana, o governador veio com todas as suas energias para acabar com a greve e oferece promoção aos professores, promoção essa que atinge a poucos profissionais, como se isso fosse aumento salarial. Essa proposta é um desrespeito à inteligência dos professores. Mas o governo está ocupando todos os espaços da imprensa, seja com a presença do governador e de seus secretários como também através de propagandas tentando jogar a população contra os professores.

E como os professores estão sem apoio dos partidos políticos, desamparados pelas centrais sindicais, há sinais novos e positivos neste movimento, uma vez que os pais estão apoiando a greve bem como os alunos e também a sociedade está simpática ao movimento. Talvez seja o surgimento de uma nova organização da sociedade para se contrapor a nove anos de letargia do povo em relação aos seus direitos.

Enquanto isso, governador, senadores, deputados, secretários, quantos alunos pobres estão prejudicados? No entanto, para vocês, o importante agora é a arena da Fonte Nova e somente isso, o resto é resto, ou seja, o que importa agora é organizar o circo.

 

* Moacir Saraiva é Prof. do Ifba/Valença, membro da AVELA e da UBE

saraiva40@hotmail.com

 

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