Verdades nunca devem parar de ser ditas

Nesta quinta-feira, chegou à redação de nosso jornal, um documento impresso em três páginas, assinado pelos candidatos petistas, José Carlos Moura, candidato a prefeito, e Alécio Chaves, candidato a vice da mesma chapa. Queriam rebater, em nosso jornal, a matéria que divulgou o descaso da administração através de seu plano de governo copiado e vergonhoso. Tentavam justificar, em palavras bonitas, que tudo não passou, mais uma vez, de intriga da oposição. O erro, segundo o texto, foi um simples equívoco que a oposição utilizou de maneira “criminosa” e “irresponsável”.

Quem já, por ventura, folheou esta edição, percebeu que a resposta não foi publicada e, antes que alguns blogs ou programas de rádio insinuem dependência e subserviência deste jornal a algum partido, explicaremos os motivos que nos levaram à recusa da publicação da matéria. Em primeiro lugar, matéria informativa e verídica, com provas que a embasem, como a que fizemos, não cabe direito de resposta. A matéria publicada no Jornal Dimensão, intitulada “Plano de governo de candidato à reeleição mostra descaso por Itapetinga” não configura fato inverídico, tampouco injúria, difamação ou calúnia, por isso, não cabe o recurso legal de direito de resposta. Nosso texto foi escrito baseado no plano de governo publicado no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral e foi todo ilustrado – e por que não, referendado? – com trechos copiados desse arquivo, sem nenhuma alteração. Nosso compromisso de sermos voz e ouvidos da nossa comunidade não estaria sendo cumprido se nos mantivéssemos omissos frente a um erro tão grosseiro e absurdo – sinal real de descaso – como o cometido pelo PT em nossa cidade.

Além disso, o texto enviado à nossa redação como resposta, possui outros equívocos em seu corpo. Diz ali que, o fato não passou de um simples equívoco comum da natureza humana. No entanto, quando se trata de administração pública, exige-se mais cuidado, atenção e responsabilidade daqueles que se propõem a representar o povo. Erros desta grandeza não podem nem devem ser aceitados.

Diz ainda o texto assinado pelos candidatos que este governo, “em menos de quatro anos fez muito mais do que seus antecessores em vários mandatos”. Alguns dados parecem não bater nessa história. Itapetinga completará 60 anos de emancipação neste já quase completo 2012 e muita coisa foi feita. Muitos foram os bons governantes que lideraram este jovem município e o alavancaram. Tentei lembrar, sem maior critério, utilizando-me apenas da minha às vezes traiçoeira memória, das obras que vi sendo desenvolvidas e encontrei números bem superiores aos da gestão atual. Se relembrarmos só as obras de Michel Hagge, prefeito sucedido por José Carlos Moura, a lista de feitos ultrapassa a da atual gestão. Vejamos os básicos: Na saúde foram construídos 5 novos PSFs (no Américo Nogueira, na Ecosane, no Primavera, na Vila Rosa e na Vila Isabel). Foi inaugurado, ainda, o CEO (Centro Especializado em Odontologia). Para a educação, foram construídos 11 prédios escolares. Michel Hagge ainda inclui no seu currículo a construção de mais de 300 casas populares, essas sim, doadas pelo município, diferente do que acontece com o Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal. O MACI – Museu de Artes e Ciências de Itapetinga – teve suas 600 peças catalogadas e restauradas na gestão anterior, cabendo ao atual governo apenas a sua exposição local onde já se encontravam. Tudo isso sem falar nos quase 10 programas da assistência social, no saneamento de quase toda a cidade, no programa de revitalização do Rio Catolé, na pavimentação de mais de 300.000m, na construção do Parque Poliesportivo da Lagoa… É completamente natural a comparação de uma gestão com a outra, a exaltação desta ou daquela obra, tida como mais ou menos importante para os munícipes. No entanto, tentar distorcer dados ou alterar a nossa história não é ação responsável.

O texto que deveria ser defesa da candidatura petista conclui ainda, dizendo: “parafraseando Adlai Stevenson, diríamos: “Se nossos adversários pararem de dizer mentiras ao nosso respeito, nós paramos de dizer verdades a respeito deles”. Acredito, porém, que as verdades nunca devem parar de ser ditas. A omissão não deve ser aceita. E o Jornal Dimensão assim se impõe. Na era da internet, os jornais impressos só tornam-se úteis se têm por missão compreender e explicar os fatos, mais do que relatar o que já vimos nos sites, nas rádios e nos telejornais ao longo da programação. Ele deve ajudar a pensar, processar, e, quem sabe, buscar alternativas. Buscamos, em nosso árduo ofício diário, nos estabelecer como uma ágora do debate local. Não nos calamos, muito menos nos amedrontamos, frente a este ou aquele partido ou governo. Aplaudimos o que julgamos certo e criticamos o que julgamos errado seguindo sempre os ditames da nossa consciência. E assim continuará sendo porque só assim valerá a pena nos manter.

Isabela Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

 

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