Vandinho foi mais um profissional do futebol da Bahia

modelo 1Natural da cidade de Tobias Barreto-Sergipe, Estérgenes de Souza Almeida (Vandinho), nasceu a 22 de agosto de 1948 e ainda criança de apenas 5 anos de idade seus pais resolveram morar em Itororó-Bahia onde havia adquirido propriedades rurais na região de São José do Colônia. Vandinho iniciou seus estudos com as professoras: Carmelita, Aurora Valadares, Zibia e por último professor Oscar Brasil. Seu pai queria vê-lo doutor em medicina, por isso, logo transferiu seus estudos para o Colégio da Divina Providência de Itabuna. Terminado o Primeiro Grau em Itabuna, Vandinho foi levado para Salvador onde se matriculou no Colégio Nossa Senhora da Vitória – Irmãos Maritas – e ali fez o Segundo Grau, o Científico e pré-vestibular. E para fazer a vontade do seu pai prestou exame vestibular para o Curso de Medicina, embora aquilo não parecesse ser a sua praia, por isso não foi feliz. Resolve fazer outro vestibular, mas desta vez para Economia pela Faculdade de Ciência Econômicas da Bahia, sendo aprovado estudou e concluiu o Curso, mas não quis exercer a profissão. No período de estudante, na capital do Estado, Vandinho jogou no Galícia do técnico Ismael Martins e depois pelo Vitória da Bahia do presidente Pirinho. Foi convidado para jogar no Flamengo do Rio, no Santos da Vila Belmiro e por último no Humaitá de Vitória da Conquista onde já jogava seu colega de Itororó, o goleiro Mão de Onça, mas não quis contrariar o seu velho pai que um dia lhe falou sério: “se você continuar jogando bola eu vou lhe tirar de Salvador e levar para a fazenda para carregar sacos de cacau nas costas como se fosse um trabalhador qualquer”. Vandinho, diante desta proposta, dispensou as gordas oportunidades e esqueceu de vez sua carreira no futebol profissional.

Seu pai, que na verdade era seu avô Nicéas Góis, não satisfeito com a projeção de vida que o filho levava na capital, pois gostaria de vê-lo preparado para o mundo dos profissionais liberais e este dava mais atenção ao futebol do que à profissão, o convenceu a voltar a morar em Itabuna e lhe incentivou a fazer o Curso de Direito na FESPI – Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna, UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz de agora e ali Vandinho terminou a sua segunda faculdade, conforme a vontade do seu genitor. Formado também em Direito, Vandinho nunca quis exercer profissão nenhuma, estudou e se formou por duas vezes apenas para agradar seu velho pai. Os diplomas conseguidos lhe serviriam apenas para sua inclusão no meio dos letrados, porém, sua praia era outra totalmente diferente, porque na vida nada lhe faltava, seu pai lhe dava de tudo.

Vislumbrando a vida nababesca de um galã sonhador, Vandinho resolveu voltar a Itororó para curtir a boêmia, o afago das gatinhas, o assédio dos fãs e as farras semanais. As fazendas do velho pai estavam ali a produzir cacau e o leite para fazer o chocolate, o gado gordo para fazer o churrasco, que mais lhe poderia faltar? Um futebolzinho com os amigos estava a sua disposição nos clubes esportivos de Itororó como: Associação Atlética 22 de Agosto, Grêmio Esportivo Social e Cultural de Itororó e no Botafogo, time que revelou Jorge Campos para o futebol brasileiro!

Todavia, quem conheceu Vandinho jogando bola afirma que foi um talento desperdiçado. Ele foi um craque que jogava o futebol técnico, vistoso, teria sido uma estrela do futebol brasileiro se tivesse a oportunidade de continuar jogando bola.

Seu ídolo no futebol foi sempre Zico o “Galinho de Quintino”, por isso, sempre quis imitá-lo fazendo jogadas bem parecidas com as que o atleta rubronegro fazia e até sua camisa era a de número 10, batia bem com as duas pernas e encantava a torcida com seu jeito de atacar.

Entretanto, em 12 de junho de 1996, o atleta boêmio se rendeu ao amor, deixou falar mais alto a voz do coração, sendo levado ao altar para dizer “sim” à professora universitária Ilka Dória que após ouvir sua alta voz confirmando aquele “compromisso”, o fez mudar de comportamento para incorporar, a partir dali, um exemplar pai de família. O casal vive feliz e tem três filhos: Antonio Cláudio, Marcelo Alexandre e Ana Paula. Os dois mais novos já lhes deram três netos: Beatriz, Bernardo e Isadora que fazem mais alegre e harmonioso o convívio dos vovôs corujas.

Hoje aos 64 anos, aposentado, Vandinho vendeu as propriedades rurais que eram três para viver de rendas e poupanças na bela cidade princesa do sertão baiano, a progressista Feira de Santana a 100 km de Salvador.

Vandinho foi mais um profissional do futebol baiano revelado nas escolinhas de bases, nas quadras esportivas e nos campos de futebol de Itororó…

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

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