Uma pavana pra você

Você é a luz que ilumina a minha existência.

É bem verdade que outras luzes também o fazem, mas não com a sua intensidade, pois se umas são mais e outras menos vibrantes, você tem a luminescência necessária e suficiente, aquela dita essencial.

Não sei se você já viu, da terra ou do mar, um imponente farol alumiando a escuridão, guiando desde as grandes embarcações, aos menores barcos pesqueiros, senão você me veria solitário num pequeno bote, sem salva-vidas sequer, guiado por você, tal qual um lumeeiro, lá no mais alto do firmamento, e sem medo do mar eterno.

Eu tenho, em mim, uma vontade imensa de, um dia, tornar-me um caudaloso rio de sangue venoso (ou venenoso?) para, silente e preciso, como um vendaval ousado e sábio, inundar um recanto deste seu inviolável e hostil coração.
Como eu a tenho amado, mulher! Mas amado com tamanha força, que eu nem mesmo sei de onde vem ou como a tenho conseguido. E quanto mais careço deste implorado amor e me encareço de um seu olhar apenas, você faz de conta que nem me vê.
Bastar-me-ia um seu sorriso, um único apenas, para consolar a minha tristeza, aliviar o meu cansaço e renovar as minhas forças.

* Sebastião Cardoso (Tiãozito) é escritor
Brumado, Ba., sem data

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