Uma pausa musical para Jorginho

Sem título-1Nos últimos anos, o homem lá de cima tem chamado figuras importantes de nosso campo artístico. Desta vez, Jorginho Ribeiro, um dos melhores guitarristas desta terrinha.
Quem nos últimos anos o via pelo centro da cidade, muitas vezes entregando um papel qualquer dizendo que era para show – o que fez muitas vezes nos anos 70 e 80 – não sabia de quem se tratava.
Foi uma honra para o grupo de teatro LUA, tê-lo como músico, em boa parte da década de 1980.
Mesmo quando já não desfrutava da plena lucidez, lembrava da arte, sussurrava músicas que por muitas vezes tocou e encantou. Ele teve uma trajetória de dedicação ao estudo da melhor musica universal, como bem disse seu amigo e parceiro, Tato Lemos.
Foi virtuoso, transitando pelos variados ritmos brasileiros. Tinha uma técnica e agilidade como poucos, consumidas pelo tempo. Certa vez, pediu para tocar em um show com uma banda de Itabuna na Praça Dairy Valley, foi uma loucura! O público delirou. Os componentes da banda ficaram boquiabertos com o talento demonstrado.
Jorginho teve uma carreira marcante. Com Tato, formou a Banda Malte, por aqui, ainda na adolescência, e tinha uma proposta Rock. Depois seguiram para Vitória da Conquista, o que o aproximou da música regional e fez aprofundar no estudo da musicalidade mineira. Lo Borges era um artista sempre lembrado por ele.
Logo que terminou a banda, passou a tocar com muitos grupos de bailes. Depois foi para Salvador e teve as portas abertas. Trabalhou um bom tempo como arranjador nos estúdios da WR, e a tocar com músicos de Jazz como o lendário Luciano Souza, integrante do “Som Nosso de Cada Dia”.
Informou-nos Tato, que Jorginho cresceu muito musicalmente, e quando já estava em São Paulo participou como convidado especial em shows de Rita Lee. Como um ser iluminado fazia a guitarra decifrar a grandeza da sua alma, concluiu.
Foi professor de Bossa Nova, e vencedor de grandes festivais do seu tempo. Mas acometido de problemas de saúde, deixou o palco.
Concluirei esse texto com as palavras do seu parceiro de caminhada musical, Tato Lemos:
“Em depressão, aquele jovem e talentoso músico foi mentalizando toda energia criativa até o seu último suspiro, e deixando as notas da saudade.
Assim foi a vida musical desse anjo do bem.
Um irmão,um grande mestre, uma eterna lembrança”.

* Antonio Maciel é pedagogo
anttoniomaciel@yahoo.com.br

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