Uma imprensa politizada

padrão destaqueJá começou mais uma corrida eleitoral. Colocam-se à escolha dos eleitores candidatos ao Legislativo e Executivo nacional. Rostos e números – conhecidos ou nem tanto – aparecem por todos os cantos do país. Logo acompanharemos o horário eleitoral com todos os seus discursos e promessas pouco criativos ou confiáveis. Pelo que andei conversando aqui e ali, o que consigo perceber é que em meio aos cartazes, comitês e jingles que tomam a nossa cidade, está um grupo de eleitores perdidos em meio ao tiroteio da crise e do descrédito da política.

Já passamos por uma série de eleições presidenciais livres desde a redemocratização na década de 1980. Hoje temos mais de 30 partidos políticos, algumas ideologias e projetos diferentes de nação, mas as deficiências dessa nossa jovem democracia permanecem. E uma delas é a despolitização do povo.

Há mais de vinte anos temos voto livre, direto e secreto, mas até hoje uma parcela da população não reconhece a importância desta conquista e se mantém acomodada e despolitizada. Segundo o Aurélio, politizar é inculcar a certas classes sociais ou a pessoas dessas classes a consciência dos deveres e direitos políticos dos cidadãos que as compõem. E isto não parece ser prioridade da classe política brasileira. O maior foco dos políticos brasileiros não é convencer o eleitor e sim atraí-lo, por isso enchem as cidades de carros de sons e os jingles chicletes. E o sistema proporcional, que elege deputados e vereadores, é outro entrave na nossa democracia, pois valoriza os votos para o partido e cria os “puxadores de votos” – como ocorreu com Tiririca, que ajudou o PR a eleger quatro deputados na última eleição. Além disso, contamos com uma certa conivência da imprensa que, em muitas vezes, não aprofunda o debate sobre as decisões políticas e nem suscita perguntas mais elaboradas para questões cruciais.

A política nacional torna-se importante quando se percebe que os assuntos nacionais afetam as pessoas e as regiões envolvidas. E foi acreditando que política é tudo aquilo que envolve os interesses de uma comunidade, enquanto nação, o Jornal Dimensão resolveu, durante esses dois meses que antecedem as eleições deste ano, ter um papel mais ativo nesse processo. Não, nós não iremos defender nenhuma plataforma de campanha, nem expor nossas opiniões sobre este ou aquele candidato. Muita gente ainda entende que imprensa politizada seja a que apóia um partido político. Grande engano! A imprensa politizada é aquela que reconhece que política vai além da questão partidária. A imprensa precisa estar politizada para poder registrar os anseios da sociedade, questionar a favor das aspirações da população e de abrir espaços para as idéias que vierem dela. E é isso que tentaremos fazer.

Convidamos membros da nossa sociedade para discutir alguns dos temas que consideramos relevantes para o futuro do nosso país. Assim, não deixarão de ser debatidos assuntos como saúde, educação, cultura, segurança pública e meio ambiente. Nesta edição, convidamos Adriano Alcântara, presidente do Sindicato Rural de Itapetinga e nosso colaborador, para discutirmos a questão da agricultura nacional. Apesar do desenvolvimento da indústria no Brasil, ainda somos um país agroexportador e é esse o setor que mais alavanca a nossa economia. Se falarmos em economia local, então, é impossível não reconhecer a importância do agronegócio para a nossa formação e desenvolvimento. Por isso consideramos importante discutir suas políticas públicas, seus avanços e perspectivas.

O nosso principal objetivo é levar aos nossos leitores informações importantes sobre temas que realmente farão diferença em nosso país. Assim, acreditamos que os eleitores poderão reconhecer as necessidades do Brasil, formar suas próprias opiniões a cerca de cada assunto e escolher o candidato que, em seu programa de governo – sim, é importante também conhecer o programa de governo de cada candidato – busque suprir as principais necessidades do nosso país. O que a gente procura discutir é o futuro do Brasil e não eleições. A voz que a gente quer representar aqui é a da população que é diretamente afetada com as políticas públicas. Nós acreditamos que imprensa politizada é aquela afinada com a voz da sociedade, com a voz das ruas e não a orquestrada nos palanques. Queremos fazer do Dimensão neste período eleitoral o nosso púlpito e assim, vamos tentando dar a nossa parcela de contribuição para a construção de uma democracia cada vez mais forte, consciente e politizada.

 

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