Um novo escândalo político Um novo escândalo político

Li em recente publicação que a presidente Dilma Rousseff pretende baixar decreto, tornando inidôneos para ocuparem cargos de confiança, no governo federal, os políticos que se encontrarem inelegíveis por força da Lei Complementar 135, mais conhecida como Lei da Ficha Limpa.

Se, realmente, for verdade o que diz a publicação, que os anjos digam amém às intenções da presidente. Já que os políticos, notoriamente corruptos, não se corrigem e, ainda assim, continuam sendo reeleitos pelo povo, que, então, eles sejam retirados da vida pública por lei e por decreto.

E que esse propalado instrumento legal contenha dispositivo que obrigue o imediato afastamento do servidor público, nomeado para os cargos de confiança, assim que pese sobre ele sérios indícios de irregularidades, até que os fatos sejam devidamente esclarecidos. É inaceitável que um ministro ou um secretário de estado continue no cargo enquanto recai sobre ele acusações que desabonam seriamente a sua conduta ética.

Este mês, a mídia nacional traz a notícia de mais um escândalo político passado nos subterrâneos de Brasília que, se vir totalmente à luz e for confirmado, deverá abalar os alicerces da República. O triste episódio envolve um dos principais ministros do governo da presidente Dilma e, o mais grave, um ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país.

Tudo começou quando trechos dos depoimentos prestados à Polícia Federal em Brasília e ao Ministério Público Federal, há mais de um ano, pela advogada Christiane Araújo de Oliveira chegou à imprensa escrita. Nesses depoimentos, a advogada revelou que, por cerca de três anos, esteve infiltrada no Governo Federal em Brasília, trabalhando a serviço de uma máfia que desviou mais de um bilhão de reais dos cofres públicos.

Em ricos detalhes, Christiane falou de seu estreito relacionamento com o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ainda, na época do governo de Lula, e com o ministro do STF, Dias Toffoli, quando este ocupava o cargo de advogado-geral da União.

Revelou que com a ajuda de Gilberto Carvalho conseguiu indicar para procurador do Distrito Federal um dos integrantes da máfia para a qual trabalhava e que, ao hoje ministro Toffoli, entre outras coisas, entregou cópias de gravações de áudio, feitas pelos comparsas da máfia, que incriminavam alguns opositores do Governo Federal.

A advogada Christiane deixa claro que, além de outros meios, usou também de seus encantos pessoais, já que é uma bela mulher, para alcançar os favores dos poderosos da República.

Por enquanto, as reações oficiais para as revelações comprometedoras da advogada ainda são tímidas. No Congresso Nacional, a oposição anunciou um pedido de convocação para que o ministro Gilberto Carvalho se explique aos parlamentares. No Governo Federal, o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso pediu à Policia Federal e ao Ministério Público cópias das gravações com os depoimentos da advogada Christiane.

Mas, segundo informações da mídia, até agora, chegou ao ministro da Justiça apenas um vídeo, enviado pelo Ministério Público, contendo o depoimento de Christiane em que ela declara que, de fato, trabalhava para um grupo de mafiosos de Brasília e que fala às claras de suas relações com o ministro Gilberto Carvalho e com o ministro Toffoli.

Ao ser questionado pela imprensa, o Ministério da Justiça expediu nota afirmando que aguarda informações da Polícia Federal sobre o caso e que, após as investigações, se for confirmada a existência de algum ilícito, deverão ser abertos os procedimentos cabíveis.

Mas, poucos acreditam no total desdobramento das investigações que envolvem a advogada Christiane e os poderosos da República. Creem, ainda menos, na divulgação oficial do conteúdo dessas investigações que, certamente, só virão a público se, por outros meios, a imprensa tiver acesso a elas.

Dificilmente, também, o STF e Conselho Nacional de Justiça abrirão algum procedimento para apurar o envolvimento do ministro Toffoli no caso. O Governo Federal já tem escândalos demais, e o mais provável é que este como tantos outros, seja empurrado para debaixo do tapete e, assim, tudo volte a terminar em pizza.

 

* Djalma Figueiredo é advogado

djalmalf@hotmail.com

 

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