Um 2014 de esperança!

padrão destaqueEscrevo esta página dois ainda sob as boas vibrações das quais me enchi na virada do ano. Ainda me vejo envolvida pelas cores dos fogos de artifício e pelo tilintar das taças de champanhe. Não me livrei dos bons desejos e das maiores esperanças que a mudança de ano sempre me proporciona. Como disse Drummond, “quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”.

Por isso, permito manter renovada a minha esperança e neste primeiro texto do ano, nada de más notícias, nem previsões pessimistas. Nada de falar sobre os maus presságios como a perna quebrada de Anderson Silva ou o grave acidente de Michael Schumacher nos últimos dias do ano que já se foi. Também não quero aquelas perspectivas nada felizes dos economistas.

Li, há pouco, que este será um ano verde e amarelo. “Nos estádios, nas ruas, nas urnas e nas artes”. Ano de Copa do Mundo no país do futebol. Logo, logo, as cidades sedes estarão lotadas de visitantes animados, de torcedores esperançosos reunidos por uma paixão. A música gravada por Gaby Amarantos e Monobloco para animar a nossa Copa ilustra o sentimento que nos moverá no meio do ano: “vamos espalhar felicidade, é a Copa de todo mundo. Vamos juntar o mundo todo pra batucar”. E que o batuque do Olodum dê ritmo à festa no final.

Antes que os mal-humorados de plantão falem sobre nossos problemas estruturais e do dinheiro que deveria ser investido em saúde e educação, dou outro motivo para que nos animemos com a proximidade do evento: em ano de Copa do Mundo, oportunidade de emprego é o que não falta. O ano mal começou e já tem gente com emprego novo. O ano de 2014 promete ser bom para quem gosta de trabalhar, principalmente, com turismo. A oferta de emprego deve superar a média em todas as cidades que vão sediar os jogos. A prefeitura de São Paulo estima que entre 40 mil e 50 mil vagas devam ser abertas por causa do evento. Segundo o especialista Renato Grinberg, “a experiência mostra que outros países que tiveram Copa mantiveram o crescimento de trabalho e de taxas de desemprego baixas, porque se gera mais turismo depois da Copa”.

Terminada a Copa do Mundo, logo se iniciará a campanha eleitoral. Chegará, mais uma vez, a hora de decidir o futuro do país, o caminho que seguiremos nos próprios quatro anos. Dois candidatos se anteciparam e já se encontram em campanha: Aécio Neves e Eduardo Campos. Sobre eles recairá ao que tudo indica, o ônus de demonstrar que o PT e aliados não são imbatíveis. Espera-se que a onda de protestos que tomou conta do país em junho possa trazer um reflexo positivo para as eleições deste ano e que os eleitores – aqueles que foram às ruas demonstrar sua insatisfação – levem às urnas sua indignação, desta vez mais politizados, mais conscientes. A nação anseia pela restauração da moralidade, abatida em sucessivos escândalos. As manifestações de rua são o termômetro da revolta popular. Reivindicam o respeito à ética e o combate à corrupção. Quem tiver ouvidos para o clamor do povo, e ganhar a confiança das pessoas de bem, será o próximo presidente.

A cultura também promete bons avanços. Pelo que andei lendo, “em 2013, foram lançados 115 longas-metragens nacionais e o faturamento superou os R$ 240 milhões, mais do que o dobro do ano anterior. 2014 deve seguir o mesmo ritmo. Cerca de 10 histórias brasileiras devem ocupar as telonas a cada mês”. No final de dezembro, o Brasil entrou para o pequeno e histórico grupo de cerca de cem países que produzem filmes em stop-motion, com os filmes Minhocas e Uma História de Amor e Fúria, este último que assisti e recomendo sem erros, pela beleza em contar a história do Brasil desde a sua descoberta até o fim da ditadura militar.

Por estes e tantos outros motivos, começo 2014 cheia de esperança de um ano melhor e cada vez mais “verde e amarelo”.

 

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