Tempo passado, tempo presente

kaluSe você deixou passar em brancas nuvens todo o ano de 2013 sem ler um mísero livro sequer, não se desespere. Haverá sempre a oportunidade em recomeçar ou até mesmo recuperar o tempo perdido. Esqueça de fazer comparações com quem se vangloriou em ter lido vários livros no ano. Parabenize-o e o incentive para que continue neste mundo maravilhoso que é o mundo da leitura. Quem pretende escrever bem tem que aprender a ler mais e mais e sempre. Com as facilidades que nos proporciona a Internet, todo ano surgem listas e mais listas dos dez melhores livros para serem lidos, cada um com sua escolha pessoal. Nem sempre é preciso seguir tal caminho. Um livro pode ser interessante para um e não ser para outro. Depende do ponto de vista de cada um. Há quem prefere os romances, as biografias, os contos, os poemas, os livros de suspense ou até mesmo os de auto-ajuda e por aí vai. Escolha aquele que lhe der mais prazer e satisfação. Pode ser até mesmo um livro infantil, indicado especialmente para um tipo de público. Aprenda dividir seu tempo com algo que lhe faça feliz e que lhe proporcione algum prazer. Todos nós temos nossas ocupações e afazeres como forma de sobrevivência, mas não devemos fazer disso nossa meta prioritária, esquecendo de lembrar que a vida apesar de curta, é tão rara. Como diz o menestrel Elomar Figueira na canção “O violeiro”: – Qui a vida nessa terra é u’a passage/ E cada um leva um fardo pesado”. Aprenda fazer com que esse fardo seja mais leve e confortável de carregar. Há quem costuma fazer planos todos os anos, cheios de promessas que quase nunca serão cumpridas. Não prometa algo que não possa cumprir. Faça tudo dentro das suas limitações e posses. Se tiver de se espelhar em alguém, se espelhe em quem faz o bem e é bem visto aos olhos da comunidade. Jamais se espelhe em alguém apenas pelos bens que tem. Diz o velho ditado: – Faça o bem, sem olhar a quem.” Façamos do nosso tempo, um tempo de bondade. As pessoas são lembradas pelo bem que fizeram aos seus semelhantes e nunca pelos bens que amealharam durante toda vida. Quem você se lembra em nossa cidade por ter feito o bem ao seu semelhante? O Abrigo Laura de Carvalho leva o nome de quem fez o bem ao próximo. Dr. Isaac Quadros será sempre lembrado não só pela profissão médica, mas sobretudo pelo coração generoso que foi. Dr. Aguinaldo Aguiar foi outro abnegado da saúde, ao construir o Hospital Cristo Redentor em prol da comunidade menos favorecida e merece ser sempre lembrado. Infelizmente as pessoas detentoras de bens materiais são mais numerosas do que aquelas que aprenderam a cultivar e semear o bem, mas nem por isso serão sempre lembradas. A professora e maestrina Leniza Souza Santos, do Movimento de Corais Canto das Artes, pensa no bem e fez sempre o bem. Da mesma forma a Drª Nazilde Oliveira Martins, da Pastoral da Criança. São mulheres maravilhosas que pensam no bem comum e se preocupam em compartilhar o bem, semeando sobretudo amor e alegria. Pensem nisso.

Se seu guarda-roupas está amontoado de roupas que você nem de longe imagina usar, porque não compartilhar com quem precisa? Mas saiba que não é apenas descartando tralhas velhas que vai fazer de você um benfeitor. Mas já é um bom começo.

Nos dias atuais ninguém comenta mais sobre amenidades. Estão todos embriagados pela violência. Há um desejo de vingança e revanchismo jamais visto em outras épocas. A onda de assaltos e crimes espalhados por todo o país tem levado as pessoas a só falarem e pensarem em matar, como se fosse a única solução palpável. O país acabará se transformando numa imensa penitenciária federal. Os números são assustadores. O país carece sim, de ideias, de cabeças pensantes, com soluções menos sanguinolentas.

Abrindo aqui um parêntese, na última edição do Jornal Dimensão o pedagogo Antonio Maciel comentou sobre o show de Milton Nascimento no “Natal da Cidade”, em Vitória da Conquista, chamando a atenção para o entusiasmo, o gosto musical e a aceitação pelo público. Se atentarmos para o que é apresentado na mídia e em especial na chamada Globo platinada, veremos que tem havido espaço para divulgação do que há de pior na música brasileira, se é que podemos chamar aquilo de música. E vejam que nas rádios não são diferentes. A gravadora Som Livre, por exemplo, já premiou o público com muita coisa boa, só que há muitos anos, na era de ouro da música popular e em alguns bons temas de novelas. Hoje em dia, nada ou quase nada se aproveita. Ainda bem que na TV existe o controle remoto que nos permite reduzir ao máximo o volume ou dar uma longa pausa, quando coisas dessa natureza ali são apresentadas. É um recurso que uso com frequência. Isto quando não decido desligar a TV por completo. Chega de “pira, piradinha” e duplas insossas que rebolam mais do que cantam e quando cantam. Aí, meu amigo! Controle remoto nelas. Se for na internet? Delete. Um outro comentário foi de Gilson de Jesus, sobre o blog do Kalú. Certamente que a amizade falou mais alto, mas Gilson tem sensibilidade e bom gosto musical, com uma trajetória invejável. Em ambos os casos houve uma enorme preocupação e até mesmo um chamamento, para que façamos algo que mude este caminho torto que vem trilhando nosso universo musical, não somente no que diz respeito ao público, mas boa parcela de alguns músicos. O público certamente merece algo melhor. A qualidade musical depende também de quem a apresenta. Basta saber selecionar o repertório e ter bom gosto. E se você acredita que gosto não se discute, o problema é todo seu.

 

Carlos Amorim Dutra

e-mail: carloskdutra@gmail.com

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