SOS Matinha

Pelas bandas de cá não se fala em outra coisa. Nas redes sociais, nada foi mais compartilhado pelos itapetinguenses do que o convite SOS Matinha. No youtube, o vídeo caseiro feito por uma conterrânea indignada ganhou cerca de 1500 acessos em apenas dois dias. Blogs de outras cidades como o Pimenta na Muqueca e o Bahia Notícias, do conceituado jornalista Samuel Celestino, também deram espaço à preocupante situação do nosso parque zoobotânico. Nada mobilizou mais a nossa cidade esta semana do que as denúncias sobre maus tratos aos animais e descaso com a preservação do Parque da Matinha.

Tudo começou quando os blogs G1 Cidade e o Sudoeste Hoje denunciaram a situação de abandono do Parque, administrado pela Prefeitura de Itapetinga. Três fotos chocaram a população: a primeira mostrava macacos presos em uma jaula apertada e com pouca ventilação. A segunda tinha uma irara com a pata bem machucada. E a terceira e mais impressionante mostrava urubus bicando as feridas de duas antas que deveriam estar protegidas. Muito lixo espalhado também estava entre as denúncias.

Inaugurado em 12 de dezembro de 1983, o Parque Zoobotânico da Matinha tornou-se um importante patrimônio ambiental e uma excelente sugestão de passeio. Construído em uma área de aproximadamente 24 hectares, o parque abriga cerca de 150 animais em cativeiro e uma área de 10 hectares de Mata Atlântica com uma biodiversidade de mais de 5000 espécies. Entre 2005 e 2007, 44 novos animais nasceram na Matinha, muitos deles foram devolvidos à natureza, dando, assim, sua contribuição para a preservação de diversas espécies.

Agora, a Matinha ficará fechada por quase um ano para reformas que não seriam necessárias se houvessem feito manutenção básica durante os últimos quatro anos.

Em entrevista, o Secretário do Meio Ambiente deu explicações vazias sobre a situação dos animais, afirmou que o parque estava bem cuidado – apesar das fotos dizerem o contrário – e responsabilizou a imprensa e a oposição por fazerem intrigas para denegrir a gestão pública.

Acredito que política partidária ou a função da imprensa é uma discussão secundária quando nos vemos na iminência de perdemos um importante – mesmo que pequeno – pedacinho de Mata Atlântica. É preciso agora discutir a questão ambiental em sentido amplo. A construção da barragem do Rio Catolé já foi aprovada sem que a população pensasse e discutisse suas conseqüências futuras. O tempo que iremos ficar sem acesso ao nosso parque zoobotânico deve servir para que possamos analisar de maneira bem criteriosa como nosso recursos naturais vêm sendo tratados.

A preservação do meio ambiente e da natureza, que atualmente está cada vez mais rara por conta do crescimento desordenado das cidades, é uma das responsabilidades de quem for escolhido nas urnas para representar os moradores do município. A questão ambiental deve ser uma preocupação da prefeitura porque envolve não só as gerações presentes, que vivem hoje nas cidades, mas as gerações futuras. Então, é preciso preservar a água, os recursos hídricos e as florestas. A própria cidade tem que se desenvolver de maneira ordenada, tudo isso para que se garanta uma qualidade de vida sadia para as presentes e para as futuras gerações.

O prefeito deve ter o cuidado de não apenas criar parques ou determinar áreas de preservação na zona rural. Esse trabalho começa ainda dentro da cidade, com a coleta e o tratamento de esgoto, com um programa de destino adequado ao lixo produzido, além da própria arborização urbana.

Com uma administração municipal que se preocupa em preservar a natureza, toda a população sai ganhando. Cuidar do meio ambiente já não é mais uma questão de grupos isolados e radicais. Cuidar do meio ambiente é uma necessidade de vida de toda a sociedade. O prefeito, como qualquer agente público, tem que ser aquele que conclama a própria população a preservar o meio ambiente, aquele que toma a frente e dá diretrizes de como se deve preservar. O que acompanhamos na Matinha, com certeza não é um bom exemplo.

A defesa do planeta começa no quintal da nossa casa, na escola que estudamos, na comunidade. As catástrofes que têm acontecido no campo e na cidade nos mostram que a luta pela melhoria da qualidade de vida e a defesa do meio ambiente caminham juntas, lado a lado. Uma não pode existir sem a outra. Infelizmente, uma boa parte dos governos e das empresas ainda vê a questão do meio ambiente de forma separada, como uma pasta isolada. Estudar e cuidar da nossa Matinha são preocupações não só com um parque zoobotânico, mas com a sobrevivência da mata, de espécies e, indiretamente, de uma sociedade, porque não dá pra cuidar de gente, sem cuidar do meio ambiente!

Isabela Scaldaferri

belscaldaferrri@hotmail.com

 

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