Sobre os black blocs

modelo 1Venho através deste, manifestar minha opinião sobre a matéria da “página 2” da edição do dia 15 de fevereiro deste jornal. Minha verdadeira intenção é contribuir com a veracidade do conteúdo da reportagem e esclarecer alguns fatos que foram passados de forma incoerente para o público.

O black bloc é uma tática usada em protestos, com cunho anticapitalista e anti-globalização em que os manifestantes adeptos (geralmente os anarquistas) utilizam de trajes pretos (roupa preta, máscara preta, capacetes e etc.). Esse tipo de vestimenta tem como objetivo tanto proteger a integridade física, quanto a identidade, assim, tendo em vista o anonimato.

No ano passado, houve uns poucos e ingênuos pedidos liberais para que os anarquistas tirassem as suas máscaras. Aliás, existem muitos anarquistas do Black Bloc que nem sequer usam máscaras durante os bloqueios e ações. Esses são, por assim dizer, os camaradas “aparecidos”. Black blocs usam máscaras por muitas razões. A principal é o reconhecimento feito posteriormente pela polícia (que filma os ativistas e cria uma ficha para cada um deles). A polícia faz isso mesmo quando existem leis proibindo. Máscaras promovem anonimato e identidade comum. E também protege aqueles que querem se engendrar em atos ilegais e escapar, para depois lutar em outros dias.

Existem vários motivos para justificar porque alguns anarquistas formam um Black Bloc nos protestos. Essas razões incluem:

Solidariedade – um número massivo de anarquistas providenciam cobertura contra a repressão policial e demonstram os princípios da solidariedade da classe trabalhadora;

Visibilidade – o Black Bloc se assemelha a parada gay;

Ideias – um forma de apresentar o ponto de vista anarquista ao protesto;

Ajuda mútua e livre associação – mostra o exemplo de como grupos de afinidade podem formar um grupo maior e articular os objetivos em comum;

Autonomia – um método para impulsionar o movimento além do mero reformismo e dos apelos ao Estado para remediar a injustiça.

O black bloc também faz ações solidárias: em 12 de outubro do ano passado (dia das crianças), os manifestantes foram às ruas para entregar brinquedos a crianças carentes; também em outubro do ano passado, manifestantes entraram no Instituto Royal (empresa de cosméticos) e retiraram animais que estavam sendo maltratados pela empresa. A tática não é formada por “jovens inconsequentes” como mostra a mídia televisiva, há pessoas lutando pelos seus ideais.

O black bloc também não tem nenhuma associação com o PCC, como foi dito na publicação.

“Não somos violentos, jamais atacamos pessoas (…) Não é violência destruir os símbolos do capitalismo selvagem (ou destruir a propriedade privada), da exploração, da globalização”. Esses símbolos seriam lojas, caixas automáticos, carros de luxo. Os blocs nunca andam armados. Objetos simples, muitas vezes encontrados pelo caminho (pedras, extintores de incêndio, placas de trânsito, vergalhões de aço encontrados em canteiros de obras), são transformados em armas improvisadas (está aí um indício que os black blocs não são financiados). O importante, para o sucesso da tática, é ser imprevisível, incontrolável e visível apenas no breve momento da ação, graças à inconfundível máscara e às roupas pretas. Está aí um indício que os black blocs não são financiados.

Caso você tenha visto os vídeos onde aparecem a atuação da tática, provavelmente percebeu que os alvos de depredações são agências bancárias ou outros símbolos capitalistas (Mc Donald’s, Burguer King, Carrefour), ou carros de polícia e outros símbolos de opressão. Também se percebe facilmente que quando alguns manifestantes sem noção tentam depredar pequenos comércios, os manifestantes da tática entram na frente e pedem pra parar, assim, garantindo que o pequeno comerciante não tenha sua loja depredada.

Ao contrário do vandalismo em sua definição – “Ato de destruição gratuita e injustificável de bens privados ou públicos” – de gratuita e injustificável a destruição não tem nada. Ao menos não pra eles que estão na tática.

“Ouvi falar que essa tática tinha relações com partidos políticos, como PSOL e até com o PT, é verdade?”

Não, não é verdade. A tática em si é de caráter anarquista, isto é, anti-Estado, e logo, anti-partido.

“Mas você tem certeza que não tem ninguém ali que é envolvido com partido?”

Das pessoas que usam da tática nas manifestações, não dá pra saber nada. Até o Lula pode colocar uma máscara, roupa preta e tacar umas pedras no Santander, não existe um controle.

Como foi dito, não é um grupo, não tem organização, entra ali no meio quem quiser, logo, não dá pra julgar ninguém ali pela ação de alguém que estava lá no meio e tem intenções partidárias.

A mídia apenas se aproveitou de fatos “banais” e impertinentes e que podem confundir a cabeça do cidadão mal informado. Não há assassinos no black bloc. Pode haver pessoas infiltradas, que manipulam a informação, mas na essência, a tática visa o bem da população.

O anarquismo, ao contrário de como muitos pensam, é um sistema de organização social que prevê a liberdade de todos, sem a exploração de ninguém sobre ninguém. O anarquismo anda lado a lado com a ordem, mas de forma diferente, o anarquista costuma fazer o que é certo não por medo da coerção, do cassetete da policia, mas porque os princípios dizem o que é certo. O anarquista de raiz age por consciência, age pelo bem de todos, pelo fim da repressão do sistema, pelo fim da exploração do pobre pelo rico, pela igualdade de todos, pela liberdade e pelo amor livre entre os cidadãos.

Sintetizando: O black bloc não é financiado por nenhum partido ou empresa, muito pelo contrário, os manifestantes que fazem suas próprias “armas”, se a tática estivesse mesmo sendo financiada, será que suas armas seriam as mesmas? Ninguém precisa ser pago para lutar pelos seus direitos e seus ideais, pelo que acha justo.

Um black bloc de verdade não sai por aí vazando informações, principalmente informações falsas e que vão contra os princípios da tática. Anarquismo não é sinônimo de desordem. Proudhon, filosofo pai do anarquismo explica.

Com esses esclarecimentos já fica mais fácil de entender o quão ridículas estão sendo as declarações da mídia atualmente.

 

Grato,

 

M. da Silva,

cidadão itapetinguense

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