Sobre a importância do voto…

voto

Encerrou-se a campanha do primeiro turno. Nada mais de propagandas eleitorais, nem comícios, nem carros de som, nem nada. Os candidatos já fizeram o seu trabalho. Chegou a nossa hora de atuar. A mais relevante atitude durante todos esses três meses será tomada nas urnas, amanhã. Se todos nós tivéssemos a consciência da real importância que tem esses minutinhos em frente à urna eletrônica, certamente iríamos, aos poucos, consertando esse nosso desmantelado país. Eu sei que a política está ficando cada dia mais suja. Sua podridão vem afastando homens e mulheres de bem, causando náuseas aos mais honestos, incomodando os corretos. Mas é preciso continuar. Vivemos em uma democracia representativa e precisamos escolher de forma consciente e coerente os nossos representantes. Você pensa que são todos ruins? Escolhe o “menos pior”. Na eleição

que vem talvez apareça um outro melhor que esse, até que consigamos eleger um realmente bom. Exija, fiscalize, reclame… mas não se acomode. Chegou a hora em que somos convocados para transformar de verdade o nosso país e a gente não pode fugir desse desafio.

Esta semana vi um post de um amigo que me deixou verdadeiramente triste, envergonhada, chateada. Apoiado por mais uma série de outros desgostosos com a política, ele colocou no seu perfil que venderia seu voto por cem reais, já que não tinha ninguém bom o suficiente para votar. Achei tão absurdo que parei por um tempo para pensar sobre a situação do eleitor brasileiro e percebi que nós estamos a cada dia nos conformando mais com a corrupção, aceitando a roubalheira e, o que é pior, cedendo à desonestidade. Nós estamos nos tornando tão corruptos quanto aqueles que est

ão no poder. A única diferença é que daqui, longe do Congresso, não temos tantas oportunidades quanto aqueles que fazem as milionárias transações que estampam as capas de jornais todos os dias. Qual a diferença entre quem vende e quem compra o voto? Meu sempre lembrado pai dizia, repetidamente, que não há homens mais ou menos honesto. E é nisso que acredito. Sua pequena corrupção lhe iguala aos grandes corruptos do país. O problema é que, enquanto você recebe cem reais por um voto, eles lhe tiram milhões todos os dias por causa desse mesmo voto. Há uma velha máxima que diz que quem vende o voto vale muito menos do que cobrou. Já passou da hora da gente se valorizar e reconhecer que o voto não tem preço.

Eu tinha feito, ao longo dessa semana, uma pesquisa sobre a postura de Levy Fidelix, candidato do PRTB, mas o citado post do meu amigo me tirou o foco e precisei desse espaço para fazer deste texto para deixar registrada a minha indignação. Feito o desabafo, vamos – agora de forma resumida, por conta do espaço – ao candidato mais caricatural dessa eleição.

Até pouco tem

po, Levy Fideliz era, para mim, apenas isso: uma caricatura. Um baixinho bigodudo, de voz estranha que insistia na promessa do aerotrem. Era o candidato que, de acordo com um teste na internet, tinha as propostas mais distantes do que eu desejo para meu país. Até aí tudo bem. Juntava-se à sua insignificância eleitoral o inexpressivo Eymael – o democrata cristão, o Pastor Everaldo com todo seu fundamentalismo e o Eduardo Jorge, que não disse muito a que veio. Levy Fidelix era a piada pronta. Mas a piada perde a graça quando é ofensiva e o candidato não poderia ser mais infeliz do que quando respondeu às questões sobre a união de casais do mesmo sexo no último debate organizado pela Rede Record.

Em

suas falas, Fidelix falou da necessidade de “enfrentar” a minoria, questionou que “dois iguais não se reproduzem” e propagou a diminuição do tamanho da população com o “estímulo” da homossexualidade.

Para quem ainda acha que essas afirmações são inofensivas, Jean Wyllys afirma que foi ameaçado de morte por alguém que escreveu um texto ofensivo baseado no discurso de Fidelix. O deputado escreveu em seu blog: “A história tem exemplos práticos que mostram as consequências dessa prédica. Adolf Hitler também achava que os judeus eram uma minoria nojenta que devia ser “combatida” e isso custou uma guerra mundial e mais de seis milhões de mortos — tanto judeus quanto homossexuais, ciganos, comunistas, deficientes e outros grupos que o nazismo escolheu como inimigos públicos do povo alemão. Não aprendemos nada? A naturalização do discurso de ódio e da incitação à violência contra a população LGBT é assustadora. E ainda tem gente que acha que tudo isso é liberdade de expressão ou opinião”.

Levy não representa ninguém, o que é claro na sua incapacidade de conseguir qualquer votação expressiva após dez eleições a cargos como prefeito, governador e presidente. Ele é uma prova clara de que nem todos os candidatos são iguais, alguns inclusive são muito ruins e eles precisam ser exterminados do nosso cenário eleitoral. A postura de Levy no debate desta segunda mostra a necessidade de reduzir o número desses micropartidos que pouco ou ninguém representam. Mostra ainda a necessidade de se votar consciente na busca do melhor – ou menos pior, que seja – para o nosso país.

 

Isabela Scaldaferri
belscaldaferri@hotmail.com

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