Secretário de Esportes explica polêmica.

O resultado de empate  da partida do domingo passado no Estádio Primaverão entre Grêmio e Vasco gerou bastante polêmica durante a semana. É que o gol de empate foi marcado quase que totalmente às escuras, uma vez que  os refletores do estádio estavam proibidos de serem acesos. Citado por alguns desportistas como culpado pelo fato, o secretário Charles Fabian aceitou o convite para ser entrevistado e fala do problema e ainda revela que agora estará treinando a seleção Sub-23. A matéria é de Eliene Portella.

 

Jornal Dimensão – Passado o Intermunicipal, como está a situação da Secretaria de Esportes que desta vez se envolveu juntamente com a Liga na busca da formação de um bom time e de resultados positivos? Que avaliação ainda pode ser feita?

Charles Fabian Figueiredo Santos – Quando assumimos a Secretaria, tentamos buscar uma parceria que pudesse ajudar e contribuir com o sucesso de nosso futebol apoiando a LADI. Infelizmente não deu muito certo na época do presidente Alberto, mas é bom se esclarecer que não tínhamos a intenção de monopolizar como ele deve ter imaginado. Mas é bom dizer que mesmo não havendo consenso, jamais deixei de ajudar ou de colocar a Secretaria à disposição da Liga. Da mesma forma quando Deba se elegeu presidente, fomos buscar a parceria e desta forma mais forte, pois ele aceitou o apoio para presidente da instituição. Resolvemos batalhar juntos em prol do Intermunicipal e todos sabem que no que diz respeito a esporte, o futebol é a menina dos olhos dos itapetinguenses, a gente nota isto quando comparamos o público que vai ao estádio durante o Campeonato Municipal.

Na realidade fizemos um alto investimento visando o Intermunicipal passado, montamos uma estrutura de alojamento no estádio que poucos times do interior já tiveram. Beliches, colchões, ar condicionado em todos os quartos, enfim, fizemos um refeitório e oferecemos alimentação de primeira. Medicamento, material esportivo igual ao que o Santos usa em suas competições era o mesmo que oferecemos aos atletas da seleção de Itapetinga. Acreditando que daria certo, fizemos um projeto ousado, mas futebol é também uma caixa de surpresa e não tivemos o êxito esperado. Também lamento que tenhamos juntado – não por nossa opção é claro – muitos atletas de personalidade duvidosa. Alguns no final do campeonato chegaram a levar material da seleção junto com seus pertences, de chuteira a DVD, colchões, enfim, vários atletas furtaram a LADI. Isto poucas pessoas sabiam e eu estou dizendo aqui agora, até porque já cansamos dos comentários de que a Liga estaria com um débito no comércio, mas também gerados por conta de prejuízos que sofremos. Acredito que até o final do ano essas pendências sejam sanadas. Vamos novamente investir na formação de um bom time e quem sabe até com as próprias rendas que obtivermos, pagar as dívidas. Ainda não foram sanadas, como seria de nossa vontade, minha e de Dêba principalmente, por conta de também as rendas do Municipal serem bastante irrisórias, não dando sequer às vezes para pagar as despesas com os jogos dos domingos. E olhe que os clubes até acham absurdo quando se propõe destinar 10 ou 20% da renda para a Ladi pagar quadro móvel e outras despesas. É preciso que os clubes atentem também para a necessidade de se fazer parcerias. Hoje a prefeitura paga arbitragem do juvenil e amador, que deve gerar em torno de R$ 15 mil; também foram ofertados aos clubes material esportivo, premiação em troféus e há ainda uma verba de R$ 10 mil para premiar os campeões. Então a avaliação que fazemos é que foi cansativa esta jornada até agora, mas proveitosa também como experiência.

 

J.D. – Recentemente tivemos acesso a fotos do interior do estádio dando conta de que ele estaria necessitando de reforma urgente no lado da arquibancada B, uma vez que os banheiros estavam sujos, o mato alto e parte do muro que isola a lavanderia do Primavera do estádio, ainda estava caído. Como está a situação agora?

C.F.F.S. – Aquele lado do estádio, da arquibancada B, praticamente não é utilizado no primeiro semestre do ano. Creio que durante esses três anos que estamos à frente da pasta, só foi aberto durante o Intermunicipal. Mas quando está próximo do campeonato é feita uma vistoria completa para se observar as necessidades. Quanto ao questionamento do muro caído, devo dizer que as mais prejudicadas nesse caso são as lavadeiras que ficam expostas e já tivemos até alguns problemas lá. Mas esta semana estive com o secretário de Infraestrutura que me prometeu que até o final dessa semana estaria colocando pedreiro lá para dar conta de levantar o muro. Mas quero também esclarecer que passados dois dias depois do acidente, tomei a providência de solicitar todo o material para arrumar o muro tanto do estádio quando da lavanderia, mas infelizmente foi-se protelando, vendo outras prioridades e acabou caindo no desgaste natural que sempre notamos em ano de eleição municipal, com as pessoas se apegando a minuciosidades, como o mato alto por exemplo.

 

J.D. – E a polêmica em torno dos refletores que acabaram não sendo ligados do final do jogo da semana passada, qual foi mesmo o problema que gerou tanto desconforto entre os desportistas?

C.F.F.S. – Na realidade eu fiz um documento solicitando à LADI e que também fosse comunicado aos clubes, Da necessidade de se antecipar o início das partidas para que terminasse em horário que não fosse necessário a utilização dos refletores, pois os eletricistas da prefeitura me alertaram que seria melhor mantê-los desligados até que fosse feito um reparo completo na instalação elétrica do estádio. Hoje nós temos 80 refletores e desses, 40 não estão funcionando. Também encaminhei solicitação de lâmpadas e reatores para este reparo junto ao setor de compras da prefeitura e a previsão é de que até maio já teremos uma resolução definitiva para esse problema. Essa é a nossa previsão, pois isto ainda depende de licitação e de toda uma outra burocracia.

Também quero esclarecer aos dirigentes de clubes que já que no domingo passado houve o problema de no final da partida ter necessitado de iluminação para terminar com tranqüilidade os jogos, vamos então desconsiderar o documento, voltar atrás e autorizar que se liguem os refletores, contanto que os próprios dirigentes de clubes assinem um documento se responsabilizando também. Mesmo assim vou novamente pedir a compreensão de todos para que se comecem as partidas mais cedo e caso seja necessário, os refletores sejam ligados apenas por um tempo menor a fim de evitar riscos com curtos ou apagões.

 

J.D – Deixando essas polêmicas de lado e começando outras, ficamos sabendo que foi formada uma Seleção Sub-23 e que uma comissão abnegada estava à frente. Depois, chegou a informação de que o trabalho já estaria quase sendo desfeito porque os que estavam comandando o time queriam ser remunerados. Sem condições, a LADI teria recorrido a você para conseguir apoio. De que forma a Secretaria está contribuindo com a Sub-23?

C.F.F.S. – Uma coisa que nos deixa triste aqui em Itapetinga é notar que parece que as pessoas às vezes torcem contra projetos que deveriam dar certo, como é o caso da Sub-23. Ano passado mesmo, na época do Intermunicipal, formamos uma comissão de pessoas de bem e influentes na comunidade, para buscar apoio do comércio para o Intermunicipal. No entanto, foram raras as que se dispuseram a ajudar e olhe que a intenção não era fazer algo bonito para a Secretaria ou a LADI não, mas pelo futebol, pelo sucesso da seleção no Intermunicipal. Poderia ser melhor a colaboração e talvez também este ar de desconfiança que notamos seja porque o futebol da cidade passou por um período grande de ostracismo e criou um descrédito nas pessoas.

Agora quando vimos a luta de Deba para montar a Sub-23, notamos a mesma dificuldade. Ele fez o convite a mais ou menos seis pessoas para ajudá-lo, pessoas que tÊm conhecimento de futebol e praticamente todos se recusaram, alegando que só poderia ser com remuneração. E depois o presidente da Liga é que leva a fama de mau dirigente ou coisa parecida, mas na verdade falta é colaboração. Deba é um cara honesto, batalhador, que sacrifica o próprio fim de semana com a família para tentar lutar pelo futebol e acaba sendo incompreendido por administrar problemas dos outros. Como eu senti que ele estava em dificuldade, me dispus a ajudá-lo passando a treinar a equipe Sub-23. Acho que posso passar um pouco de conhecimento para essa garotada. Sei que vão surgir muitos comentários dando conta de que com esta atitude, eu estaria querendo tomar conta de tudo. Por isto até sugeri a ele que fizesse o convite à imprensa para ir ao estádio no dia em que eu assumisse os trabalhos com a garotada. Ajudar, esta é minha intenção. E quando se iniciar a preparação para o Intermunicipal, vou solicitar a ele que arrume novo treinador e eu estarei então fora do processo, passando a apoiar através da Secretaria.

 

J.D – Como você avalia os atletas da cidade? Alguns torcedores mais fanáticos por futebol cobram de Itapetinga um time mais forte, profissional. Qual sua opinião a esse respeito e o que nos falta pra isto?

C.F.F.S. – Eu acho que Itapetinga precisa realmente ter uma base melhor de jogadores, temos bons valores, estamos sempre vendo saindo bons atletas daqui para clubes profissionais e por isso acho que esse trabalho que vou iniciar não deve parar por aqui, mesmo que eu não fique na secretaria no ano que vem ou que Deba também não continue à frente da Liga, o trabalho precisa ser tocado, porque é importante. Mas para se trabalhar com um time profissional, é preciso muito mais empenho. Eu tive duas propostas de trazer dois times profissionais para cá, Cruzeiro de Cruz das Almas e mais um outro. Mas para se investir em um time profissional, é preciso ter muita coragem. Me recordo que a equipe de dr. Bento tinha, o Itapetinga, gerou dívidas que ele passou quase 5 anos pagando. Quando a gente conversa com ele dá pra notar que ficou um trauma muito grande e que ele se safou das dívidas por ser um cara muito correto. É necessário que empresas de renome estejam dispostas a apoiar o projeto de um time profissional porque não se dá conta com a prefeitura sozinha. O custo hoje de um time mediano profissional é de 80 a 100 mil por mês, é um assunto que ainda precisa ser bastante pensado e repensado.

 

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