Ricardo Souto: ‘‘Dr. Paulo Fernandes traiu o meu grupo político’’

Ele foi prefeito de Itarantim, tentou a reeleição e não obteve êxito por estar em situação eleitoral irregular (inelegível). Ainda com grande força política no vizinho município, Ricardo Souto está sendo cotado nesse ano de eleições municipais para ser um dos braços fortes dos partidos de oposição ao atual governo de Gideão Mattos. Esta semana no entanto, ficou bastante chateado com o deslanchar das negociações que vinha tentando ter com o pré-candidato Paulo Fernandes (PSB), com quem tinha um acordo para apontar o candidato a vice na chapa dele. Na noite de ontem, na redação do Dimensão, Ricardo Souto falou de sua grande decepção com o pré-candidato e de suas outras decisões políticas. Reportagem de Eliene Portella.

 

Ele foi prefeito de Itarantim, tentou a reeleição e não obteve êxito por estar em situação eleitoral irregular (inelegível). Ainda com grande força política no vizinho município, Ricardo Souto está sendo cotado nesse ano de eleições municipais para ser um dos braços fortes dos partidos de oposição ao atual governo de Gideão Mattos. Esta semana no entanto, ficou bastante chateado com o deslanchar das negociações que vinha tentando ter com o pré-candidato Paulo Fernandes (PSB), com quem tinha um acordo para apontar o candidato a vice na chapa dele. Na noite de ontem, na redação de Dimensão, Ricardo Souto falou de sua grande decepção com o pré-candidato e de suas outras decisões políticas. Reportagem de Eliene Portella.

Jornal Dimensão – O que houve entre Ricardo Souto (PHS) e Paulo Fernandes (PSB), para que o acordo que existia entre os dois ter sido rompido?

Ricardo Souto – Eu estive com Paulo Fernandes em minha casa no sábado passado, 19, depois de já termos realizado uma outra série de reuniões visando chegar a um nome comum para ocupar o cargo de vice na chapa encabeçada por ele. Eu apresentei uma opção de 5 nomes e no final afunilamos com apenas dois, o de minha irmã Andréa e o do peemedebista Antonio Roberto. No entanto, depois de outras reuniões para chegarmos a um denominador, no momento final dr. Paulo esteve em minha casa para dizer que não aceitava a indicação do nome de Antonio Roberto. Perguntei a ele então se cabia ainda a mim a opção da indicação e ele acabou por me revelar que já tinha fechado com o candidato do PT, Kléber. Eu fiquei deveras espantado com a revelação dele, inclusive porque lá em minha casa mesmo, onde tivemos essa conversa, também eu tinha articulado uma reunião entre ele e o pré-candidato do PT e o próprio Paulo Fernandes afirmou a Kléber que não poderia fechar com ele porque já tinha se apalavrado comigo. Ele alegou que o grupo não tinha aceitado a minha indicação, chegou a insinuar que como eu tinha negócios, poderia, se eleito, me ajudar. Eu fui enfático ao dizer a ele que não se tratava de dinheiro, mas de decepção com o descumprimento de um acordo que ele tinha comigo. O fiz ver ainda que se agora me tratava assim, quando precisa de mim, faltando com a palavra, imagine se ele ganhar as eleições, o que poderá fazer comigo.

J.D. – Esta situação causa o rompimento de seu grupo definitivamente com o pré-candidato Paulo Fernandes?

R.S. – Na minha opinião quem toma uma decisão deliberada dessa, em um contexto desse, partiu completamente para um confronto e para mim da forma mais burra possível, pois envolveu outras pessoas que não precisariam ser envolvidas, me acuaram e me deixaram profundamente magoado. Afirmei a dr. Paulo que não vou ficar de traidor dos meus amigos. Imagine como eu ficaria frente a minha irmã Andréa e meu amigo Antonio Roberto, que foram rejeitados pelo grupo dele, seria decepcionante eu fechar porque posso ser beneficiado financeiramente e abandonar o meu grupo. Não escondo que chorei de raiva com a situação, apesar de termos mantido uma conversa muito educada.A gente sabe que na regra básica da política não existe papel, é só palavra. Se eu estou mexendo com uma pessoa que não tem palavra, que me faz ficar acuado em uma situação dessa, que clima eu tenho de confiar nesse cidadão? Eu tenho um grupo político que precisa ter representatividade, eu não quero cargo para mim, mas para meu grupo. Tenho cerca de 20 anos na política e preciso ter a confiança de que meu grupo não vai ser apunhalado pelas costas, como eu fui agora.

J.D. – Que estratégia vai tomar junto com seus liderados, para participar da campanha em Itarantim?

R.S – Depois do último encontro que tive com dr. Paulo Fernandes, fui também visitado pelo suplente de vereador do lado de dr. Paulo e o vereador Hilton Fernandes, meu aliado. Desabafei com eles o assunto e depois tomei a iniciativa de não viajar naquele dia para tentar recuperar as forças emocionais e só depois fui para Ilhéus para tentar sair da pressão em que estava me sentindo. Logo em seguida busquei montar a estratégia de rearticular o grupo, ouvir a todos e juntos tomarmos uma decisão. Esse encontro vai se dar nesse sábado, 26, no final da tarde.

J.D. – É verdade que o sr. estaria também sendo assediado pelo pré-candidato Paulo Construção, que é por sinal apoiado pelo seu maior rival nas políticas de Itarantim, que é o atual prefeito Gideão Mattos?

R.S.- Enquanto dr. Paulo Fernandes me abandonou, desprezou e me traiu, o outro candidato Paulo Construção já vem me procurando desde o primeiro momento, oferecendo espaço no grupo, me colocando também na condição de indicar o vice da chapa dele, mas eu recuava, mostrando a ele que não se tratava de escolher entre ele e o outro pré-candidato, pois o que pesava para que eu não ficasse com ele era o fato de estar sendo apoiado por Gideão, que representava toda a minha luta, da minha antítese àquele candidato. Só que depois de tudo isto que mudou não sei mais nada, preciso parar para aguardar o grupo e ver que posição a gente vai tomar. O que estou tentando fazer é política. Política é grupo, é união. Eu vou tentar preservar o máximo possível o grupo, sei que é praticamente impossível que todos tenham a mesma opinião, unanimidade é muito complicado, o que vou tentar é buscar unir o grupo para ter um consenso e caminhar em uma direção.No dia em que fui procurado pelo pré-candidato Paulo Construção em minha fazenda e ele lá chegou em companhia de outras pessoas, deixei bem claro que não se tratava de escolher entre ele, Paulo Construção, e o advogado Paulo Fernandes. E ainda o aconselhei a pensar e enxergar a política atual com os olhos do futuro, pois não sabemos como será o futuro da política em Itarantim, até porque Gideão é prefeito mas está saindo do mandato, já reelegeu, tem 70 anos de idade, então o futuro nos espera e nos aguarda e quem sabe até poderíamos estar discutindo juntos, de uma forma pacífica, o que pode acontecer. Conheci Paulo Construção professor do ensino fundamental e acompanhei toda a trajetória dele até hoje e nada tenho que o desabone.

J. D. – O senhor já administrou Itarantim. Em uma rápida pincelada, como analisaria as condições do município hoje?

R.S – Eu não posso dizer que o município está bem. Eu posso dizer que gostaria de ver o dinheiro público dos recursos municipais sendo aplicados em obras no município. O que vemos lá são algumas poucas obras com recursos estaduais ou federais. É quadra e colégio com dinheiro do governo do Estado, casas populares com dinheiro federal, calçamento de ruas com dinheiro de emenda de deputado que é também federal, enfim, eu não estou vendo os recursos públicos traduzidos em obras e melhorias para a comunidade. Isso foi o que sempre me levou desde o primeiro momento lá atrás, a ser oposição ao prefeito Gideão Mattos. Mas eu espero que qualquer dos dois candidatos que estão na rua pedindo votos, venham a público dizer o que pretendem fazer pela comunidade. Que eles possam se manifestar e dizer o que pretendem, pois o meu desejo e se eu tiver condições de discursar na campanha, é falar para a comunidade o que eu acho que ela quer ouvir sobre a cidade onde vive. É necessário saber o que a comunidade necessita, o que ela quer de melhor. Me recordo que quando fui prefeito e lutei pela construção da Rodoviária e do Mercado, o fiz exatamente porque já tinha saído para ver os anseios da comunidade. Para governar é preciso ouvir o povo, espero que seja isso que os candidatos que aí estão na disputa tenham em mente e mostrem enquanto candidatos aquilo o que eles podem ser quando prefeitos, pois até agora só se pede o voto, faz grupos, trai grupo, corre para lá e para cá em busca de adesões, mas é preciso focar a vontade da população.

J.D. – Para finalizar, que impressão o senhor fica tendo de dr. Paulo Fernandes depois de toda esta celeuma que resultou no afastamento de vocês dois?

R.S. – O ditado que escutei desde criança de minha família, de meu pai, é que que boi se pega pela venta é pela venta e homem pela palavra. Acho que palavra é obrigação. Se o cidadão não tem palavra, fica difícil fazer um julgamento dele. Estou extremamente magoado com esta situação, costumo lidar com pessoas que tem palavra. Estamos em um momento de quebra de paradigmas. Fico imaginando que querem me empurrar para ficar aliado de Paulo Construção ou me tirar da política. Quero ouvir o meu grupo pois só assim terei noção de qual é o sentimento dele, mas quero que todos conheçam essa história que estou vivendo, pensei até em ir aos meios de comunicação da cidade para contar os fatos, até porque não quero depois que as pessoas fiquem me julgado sem conhecerem os argumentos. Não tenho confiança mais naquele que tinha feito um compromisso comigo e acabou rompendo a palavra.

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