Quem são de verdade os black blocs?

padrão destaqueMorreu, na última segunda-feira, dia 10, o cinegrafista Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão artesanal de grande potência durante manifestação contra as tarifas de transporte público no Rio. Desde então, os noticiários não pararam de trazer “novidades” sobre o caso. Da identificação de Fábio Raposo até a prisão do jovem Caio Silva de Souza, sucedeu-se uma série de especulações a respeito da morte do cinegrafista e da violência infiltrada nas manifestações.

O que mais me chamou a atenção nesse emaranhado de análises, opiniões e palpites, foi a declaração do acusado de disparar o rojão sobre a possibilidade de haver aliciadores no meio dos manifestantes. Segundo Caio Souza, alguns integrantes dos protestos são remunerados por pessoas ligadas a partidos políticos para promover depredações e enfrentar a polícia durante os movimentos. Segundo ele, esses aliciadores fornecem material explosivo e incendiário, transporte e proteção aos ativistas mais violentos. A Polícia Civil do Rio de Janeiro já investiga essa possibilidade desde que a violência tomou conta de boa parte dos atos na capital do estado.

Deve-se mesmo identificar o mecanismo que sustenta e financia ações terroristas e ataques de mascarados em manifestações. O advogado de Caio, Jonas Thadeu, disse em entrevista que esteve com quatro jovens que vivem amontoados num cômodo, recebendo dinheiro para alimentação e passagens de aliciadores, num total de cento e cinqüenta reais por pessoa. Esses grupos agem como células e não se sabe ainda quem esta por trás da fonte de financiamento. Segundo o advogado, o certo é que jovens com baixa instrução e de famílias pobres vão perder suas liberdades enquanto os maiores culpados, os aliciadores, vão continuar livres. Agora que já identificou o responsável por soltar o rojão que vitimou o cinegrafista, chegou a hora de ir mais além e descobrir quem são os responsáveis por fomentar toda essa violência.

O movimento que começou forte em junho do ano passado, perdeu completamente o rumo e foi reduzido a um embate entre policiais e militantes com o roteiro previsível, muito quebra-quebra e rojões por todos os lados. No início, eu aplaudi e me entusiasmei emergência das multidões livres das amarras de partidos, entidades e organizações da mais variada espécie. Agora, no entanto, já se tornou essencial identificar as forças que podem estar instrumentalizando, sabe-se lá com que objetivos, uma juventude ansiosa por contestação, mas ainda sem formação política. Os Black Blocs, por exemplo, foi o primeiro grupo a ser identificado no meio da multidão e, embora ainda não se saiba ao certo o que eles pretendem, já ficou claro que a sua tática é nefasta, autodestrutiva e desagregadora – diria criminosa, até – e por isso deve ser combatida.

li, há pouco que “a bandidagem que se esconde sob a camuflagem de “manifestante” faz parte de um surto terrorista não muito diferente dos fascistas e nazistas que saíram às ruas em Roma e Berlim para impor o regime da violência”.

E, assim como acontece sempre que há vítimas de violência extrema, espera-se que a morte de Santiago não seja em vão e que, através da investigação séria, a sociedade obtenha respostas e soluções para esse tipo de movimento covarde que se esconde atrás de protestos legítimos.

A primeira providência a ser tomada é em relação à narrativa dos fatos e à investigação dos movimentos. Até hoje, meses e meses depois de seu surgimento na cena política, não se sabe direito quem são de verdade os black blocs e outros grupos que, como os primeiros, podem ser abrigados sob a denominação de encapuzados ou mascarados. Em São Paulo, nas manifestações de junho e julho de 2013, alguns indivíduos se vangloriavam, à boca pequena, de sua ligação com o PCC. E isso deve ser investigado e reprimido com veemência.

É preciso dar uma resposta política, e para tanto é indispensável conhecer o mais detalhadamente possível as ideias, a ideologia, a filiação de cada grupo e de suas lideranças, ou figuras mais proeminentes, e a rede de ligações que lhes permitiu a infiltração em tantos atos.

Os jornalistas e as empresas também têm de fazer parte do concerto político necessário para se enfrentar uma situação com a gravidade da crise atual. Agora as manifestações não representam mais a consolidação da democracia e a contenção delas deve fazer parte da defesa da democracia.

 

Isabella Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

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