Professor Ramos, Tenente Ramos ou o menino de Cafundó?

Nascido a 09 de maio de 1941, no Arraial de Cafundó, Município de Itapitanga, Comarca de Ilhéus, Estado da Bahia, filho de Simpliciano Ilário da Silva e Ana Ramos da Silva, Zeca como fora desde criança apelidada, iniciou sua vida escolar naquele Distrito com a jovem educara Dejanira Santos Lima. Saliente-se que naquela época os alunos desprovidos de recursos financeiros teriam que se contentar apenas com a conclusão do Curso Primário, vez que, aquele que almejasse fazer o Curso Ginasial teria que se deslocar para em Itapitanga ou Coarací fixar residência porque em Cafundó o sistema de transporte era precário, só se contava com o carro do leite, cujos proprietários eram os fazendeiros José Pereira Rico e o Sr. Tota.

No entanto, movido pela situação financeira, o menino Zeca, um dos menos afortunados daquele lugar, fora obrigado a conciliar a vida escolar com o trabalho, ora vendendo cuscuz e outras guloseimas feitas artesanalmente pela sua adorada genitora que tinha uma humilde pensão no distrito de Cafundó, conhecida como a Pensão de Dona Filinha. O menino de Cafundó, para ajudar no orçamento familiar, também experimentou a profissão de caixeiro trabalhando em várias casas comerciais, inclusive com o Sr. Deusdeth Alves Oliveira que foi comerciante naquela região e de lá se mudou para Itororó onde foi um notável político. Mas os anos se passaram e a vida foi aos poucos se tornando mais difícil, obrigando os seus pais a transferirem residência para o vizinho distrito de Pouso Alegre, agora município de Almadina. Ali, Zeca, o esforçado garoto de Cafundó, passou a beber da doce fonte do saber ministrada pela sua segunda professora Dona Alice, de saudosa memória. Nos períodos de férias ou de folgas, Zeca ocupava seu tempo prestando serviços rurícolas na pequena propriedade rural do seu pai, conhecida como Fazenda Toscana.

Aos 17 anos, lá pelos idos ano 50, o garoto de Cafundó em busca de oportunidades de emprego, decidiu morar com sua irmã Valdelice na cidade de Ilhéus, onde estudou na Escola Municipal do Malhado, tendo como professora a competente Bernardir Pena. Conciliando o curso escolar e o aprendizado de Bombeiro Hidráulico (encanador), posteriormente, concluiu o Curso Primário no Colégio General Osório. Submeteu-se ao exame de Admissão e foi aprovado pelo Centro Educacional de Ilhéus com a magérrima média 5,1. Em 1960, iniciou a 5ª Série Ginasial e talvez por ironia ou capricho do destino abriram-se as inscrições para o Concurso de Soldado da Políicia Militar e Zeca de Cafundó resolve se submeter as duras provas e enfrentando uma estúpida concorrência consegue se classificar numa lista de 72 aprovados, entre 400 concorrentes, como primeiro colocado, levando às lagrimas de felicidade a sua honrada família. Habilitado para ocupar um cargo no Estado, no dia l7 de fevereiro daquele ano, o menino de Cafundó é nomeado Funcionário Público Estadual na condição de Recruta da Polícia Militar, na Sede do 2º Batalhão, na Cidade Nova, e, posteriormente, na Vila Militar do Itaípe. Concluído o penoso período de recruta, em l961, submeteu-se as provas do Curso de Cabos das Armas em Salvador, sendo aprovado em quarto lugar. Terminado o período do curso, após oito meses de duração, alcançou o terceiro lugar, deixando a Vila Militar do Bonfim para o estágio na Companhia de Representação e Segurança no Quartel dos Aflitos na Cidade Alta.

Em l962, abriram-se as inscrições para o Curso de Formação de Sargentos das Armas, tendo o esperto garoto de Cafundó obtido entre muitos concorrentes o segundo lugar. Após 10 meses de Curso de excelentes, mas duríssimas atividades preparatórias para o exercício da profissão, garbosamente, foi alcançado o tão sonhado primeiro lugar, tendo sido considerado um aluno padrão, premiado com um exemplar da seara de Jorge Amado – “Os Velhos Marinheiros”. – Findo o estágio na própria Escola de Formação, Zeca, o garoto de Cafundó, permaneceu na Vila Militar do Bonfim. Mas em agosto de l963, por indicação do saudoso Sargento José Rocha, então Delegado de Polícia de Itororó, ao Deputado Eujácio Simões Viana, o jovem Zeca de Cafundó, agora Terceiro Sargento Ramos, da Polícia Militar, foi nomeado Subdelegado de Polícia do Distrito de Rio do Meio, Município de Itororó, tendo como Prefeito o saudoso Henrique Brito Filho. No exercício da função de Subdelegado de Polícia de Rio do Meio, teve a oportunidade por apresentação do saudoso amigo, o então Vereador João Cassiano de Oliveira, de conhecer a recém-formada Professora Estadual Ionê Soares dos Santos, filha da fazendeira Idália Soares dos Santos, viúva do Senhor João Benedito. E em l967, no dia 28 de janeiro, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Itabuna, sob as bênçãos de Deus, e na presença de grande número de pessoas das sociedades itabunense e itororoense, contrariam matrimônio os jovens recém-formados Sargento Ramos e a Professora Ionê que passaria, a partir dali, a assinar Ionê Santos da Silva, sendo que no dia 21 de janeiro de l969, nasceu o seu primeiro filho, George, e, coincidentemente, no dia 22 de janeiro de l978, nasceu o seu segundo filho Sílvio Roberto, o Nino. Depois de ter constituído uma maravilhosa família, o agora membro da PM da Bahia, José Ramos da Silva tomou a acertada decisão de voltar aos estudos, e, na gestão do então Diretor do Centro Educacional de Itororó, o saudoso Professor Josealde Ladeia, concluiu o Ginásio e o Curso Técnico em Contabilidade.

É de bom alvitre salientar que, durante a permanência do Menino de Cafundó nas fileiras da Polícia Militar, até a sua transferência para a Reserva Remunerada, portanto 26 anos, na condição de Suboficial, exerceu as funções de Subdelegado de Polícia de Rio do Meio, por duas vezes; Subdelegado de Policia de São José do Colônia também por 2 vezes; Delegado de Polícia de Firmino Alves duas vezes; Delegado de Polícia das cidades de Santa Cruz da Vitória e Ibicaraí, acumulando nestas comunidades também as funções de educador, quer como professor, quer como Vice-diretor. Deixando em l983, as funções de Delegado de Polícia de Ibicaraí para se dedicar, na cidade de Itapetinga, especificamente, às funções policiais militares, durante 3 anos, na condição de Secretário da Companhia.

No dia 26 de abril de 1986, de cabeça erguida e o coração compungido, com elevada consciência do dever cumprido, naquela manhã saudosamente contrastante de uma simbiose de alegria e saudade, despediu-se do Corpo da Tropa, ao qual serviu com muita dignidade, durante 26 anos ininterruptos, enaltecendo a sua briosa Corporação que, apesar do necessário rigor disciplinar, nunca foi punido nem pelo aspecto militar administrativo, nem pelo aspecto jurídico/social. Já desvinculado do quadro ativo da Polícia Militar, o garoto Zeca de Cafundó, ou Tenente Ramos, assumiu as funções de Chefe da Terceira Região de Trânsito de Itororó, cuja jurisdição abrangia as cidades de Itororó – sede – Firmino Alves, Itaju do Colônia, Ibicui e Iguaí.

No exercício dessa função ficou cerca de doze anos, época em que, também exerceu as funções de Vice-Diretor e Professor do Centro Educacional de Itororó, cuja competente Diretora era a Professora Alba Cordélia. Tendo sido transferido posteriormente, na mesma condição para o Colégio Francisco Antonio de Brito.

teNo ano de 1999, por perseguição política do então prefeito Marco Antonio Lacerda Brito, foi demitido sem causa justa da função que, com muita competência e responsabilidade soubera desempenhar em todo o período laborado. Cessadas as atividades normais em Itororó, o Menino de Cafundó, agora professor Ramos, passou à condição de Vice-Diretor do Centro Educacional Monteiro Lobato em Firmino Alves, na gestão do então prefeito Vailson Cunha, acumulando também matérias relacionadas ao 2º Grau.

Em 1975, Zeca, o Menino de Cafundó, teve a encimada honra de ingressar na Loja Maçônica Força e União de Itororó, onde algum tempo depois se tornou no seu Venerável para o biênio l989/l99l, em substituição ao Bacharel José Vitalino Neto, e tendo por sucessor o Irmão Mário de Oliveira Santos. Na área social, por várias vezes fez parte do Conselho Deliberativo e Fiscal. Em agosto de 1998, na gestão do então Prefeito Edineu Oliveira dos Santos, o professor José Ramos assumiu as funções de Secretário Municipal de Educação, em substituição ao Bel. Antônio José Rodrigues Campos, tendo sido, também, no passado, membro dos Escoteiros, no Grupo Duque de Caxias de Itororó, quando chefiado pelo dinâmico bancário José Pinto Leal.

É de bom alvitre salientar que, dentre as sociedades em que passara o menino Zeca de Cafundó, quer como policial, educador, chefe de família ou como cidadão comum, a sua vida se fez pautada pelos meandros do Lema do Escotismo que enfatiza “Sempre Alerta”, ou ainda o adágio “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Mas para seu biógrafo, a conduta de Zeca, aquele menino de família humilde que nasceu e cresceu no distrito de Cafundó, município de Itapitanga – Bahia, que ao longo desses anos em que divide o mesmo teto com sua prendada esposa, a professora Ionê, soubera erigir das suas próprias experiências as melhores acessibilidades para construir com galhardia as sendas que levam a uma vida que se pode afirmar, com a mais absoluta certeza, está folheada com o brilho do mais precioso metal para deixar de legado a seus filhos, netos e bisnetos…

 

 

* Miro Marques é historiador, escritor e radialista

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