Primeiros passos

modelo 1Após um período predominantemente morno, começa a ganhar temperatura e assumir contornos o quadro sucessório da Bahia, mesmo sem a oficialização pelos Partidos, o que só ocorrerá com as respectivas convenções, lá para o meio do ano, mas com indicação dos nomes de maior densidade dentro de cada facção politica. Nas últimas semanas a imprensa tem municiado o público com informações bem sintomáticas a respeito, marcando os passos dos prováveis candidatos e, assim, ensaiando os primeiros passos do bailado eleitoral no mês de outubro em direção ao Palácio de Ondina.

Como, entre nós, já se firmou o princípio de que as coisas são acontecem após o carnaval, é compreensível a prudência de alguns prováveis candidatos em se resguardarem em assumir publicamente a postulação ao cargo de Governador do Estado, deixando para depois dos festejos momescos o lançamento de suas candidaturas,tempo utilizado para costurar as alianças partidárias e fortalecimentodas chapas majoritárias, envolvendo nomes de reconhecido prestígio junto ao eleitorado.

Pelo andar da carruagem, o bloco situacionista, sob o rígido comando do Governador Jacques Wagner, definiu-se pela candidatura de Rui Costa,seu Chefe da Casa Civil, homem de gabinete, sem maiores trâmites no cipoal da política baiana, mas da mais estrita confiança do seu comandante e fiel seguidor das diretrizes petistas de governar. A sua unção de candidato oficial não se fez sem que antes fossem quebradas muitas arestas dentro do PT e partidos aliados, desprezados outros nomes de muito maior peso na militância politica que gravita em torno do calor do poder estadual. Mas, e sobretudo no meio político, manda quem pode e quem tem juízo obedece, e deixa seus resmungos para as quatro paredes do seu quarto de dormir, a atual rede de partidos governistas vai para outubro tecendo as maiores loas ao candidato, mesmo sendo ele, como hoje é, um ilustre desconhecido. Engraçado é que, até para esse detalhe, os bajuladores de plantão já encontraram uma saída, dizendo que, ser desconhecido, como Rui Costa, é uma vantagem porque o seu índice de rejeição é mínimo. Tudo bem, e que assim entendam os puxa sacos oficiais ao darem curso a uma tão simplória justificativa, mas, ao menos, respeitem a nossa inteligência,

Não tanto pelo longo tempo de mando, conquistado pelo veredicto das urnas, mas, notadamente pelo cansaço imposto à nossa paciência pelo Partido dos Trabalhadores com a sua forma de governar beneficiando, às escâncaras, os “companheiros” em detrimento dos méritos de quem não professa a sua fé política, a isto somado a escolha de um ilustre desconhecido como seu candidato oficial, parece-me que são grandes as possibilidades de a oposição eleger o próximo Governador da Bahia, proporcionando o curso de um dos mais salutares princípios do regime democrático que é alternância no exercício do Poder.

Considerando o quadro sucintamente descrito acima e se não houver uma profunda mudança nos rumos da política nos próximos meses, assumo a ousadia de dizer que a oposição só não ganhará as eleições majoritárias de outubro para Governo do Estado da Bahia por absoluta incompetência e demasiada vaidade dos seus líderes. E para que não se repitam os erros do passado, a primeira decisão a ser tomada é apresentar-se representada por um só candidato e trabalhar por sua eleição. A candidatura da Senadora Lídice da Mata já se constitui num racha do lado situacionista, porquanto o seu PSB sempre funcionou como irmão gêmeo do PT e, agora, descobriu que nunca passou de simples linha auxiliar, um mero degrau. Embora a candidata diga que não se considera oposição ao Governador Jaques Wagner o dinamismo da campanha vai lhe mostrar que, em política, não há lugar para o meio termo. O DEM, o PMDB o PSDB têm que ter juízo e visão política para entender que juntos têm a possibilidade da vitória e que, separados, têm a certeza da derrota. Se o candidato será Paulo Souto, experiente e testado noutros tempos, ou o combativo GedDel Vieira Lima, melhor tribuno da Bahia, pouco importa, porque um ou outro podem incrementar com novas cores a vida democrática da Bahia.

Tomara que esta unidade, tentada e almejada a nível estadual, lance reflexos positivos sobre a atuação da oposição de Itapetinga, que vive a amarga experiência de um autêntico governo petista, revestido de todos os vícios, e que se arrasta pelo seu sexto ano de paralisia administrativa, alimentado pela apatia e pela desorganização.

 

* Laécio Sobrinho é advogado

lalsoadv@hotmail.com

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