Politicagem ao vivo

padrão destaque“Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”, já disse Octávio Mangabeira, governador do estado entre 1947 e 1951. Hoje, mais de 60 anos depois, podemos sem medo de errar, pensar num absurdo e afirmar que em Itapetinga tem precedente. E as notícias municipais que se espalharam nas duas últimas semanas fizeram duvidar até os mais crentes dos cidadãos.
Todo mundo já está cansado de ouvir sobre a inércia da atual gestão da nossa cidade. Também já acompanhamos as absurdas denúncias de corrupção que não deram em nada. Já reclamamos da sujeira da cidade, dos altos índices de desemprego – que não param de crescer, da lastimável situação da saúde pública da infraestrutura e da educação. Já nem falamos mais sobre o descaso com a Matinha, do Rio Catolé e de tudo que está relacionado ao meio ambiente. No entanto, o que acompanhamos agora é uma história confusa e bizarra de luta pelo poder e de total desrespeito, se não pelas leis, mas pela moral.
Tudo começou quando o prefeito precisou se ausentar para cuidar da saúde. Em sucessão natural, o vice assume o cargo com todos os seus encargos. Até aí tudo bem. As coisas começaram a esquentar e tomar ares estranhos quando, em exercício do poder concedido a ele ao suceder o cargo, o vice-prefeito resolveu “arrumar a casa do seu jeito”. Pouco a pouco foi tirando tudo que não gostava e colocando as peças que mais se adequavam ao novo chefe do governo. Secretários, diretores e assessores foram trocados. Ficou clara a falta de coesão entre o grupo. Todos perceberam que prefeito e vice já não falavam a mesma língua e isso não poderia dar em bons resultados.
Um grupo só funciona bem quando há perfeita sintonia entre os componentes da equipe no que diz respeito ao objetivo e também no que se refere às crenças e aos valores daquela equipe. Senão, não há coesão. Um partido, assim como qualquer equipe, é reconhecido como uma entidade única, e cada membro, mesmo isolado, é identificado como seu representante. Se falta essa característica em um grupo que se uniu como uma chapa, o sinal de alerta já deve ser ligado porque ali, provavelmente, não existe uma equipe. Existe um grupo, um bando, uma multidão, um flash mob, sei lá. E, nesse caso, pode até haver muita piada e ironia, como as que foram distribuídas pelo vídeo de segurança da prefeitura, mas não vai dar para fazer grandes conquistas.
A falta de conquistas para o nosso município nós já acompanhamos e ouso a dizer – com tristeza – que, talvez, tenhamos até nos acostumado. As coisas começaram mesmo a ficar estranhas foi na volta do prefeito à cidade. Curado, embora ainda bem debilitado, o prefeito voltou à Itapetinga na quinta-feira, dia quatro, feriado de Corpus Christi. No mesmo dia, sem perder tempo, sem cerimônia e sem, ao menos, a presença do vice, o prefeito reuniu-se com um grupo e “oficializou” seu retorno ao cargo máximo no executivo municipal. Para registrar seu retorno, enviou uma série de membros do seu grupo para confeccionar e assinar a ata municipal. À noite. Em um feriado. Sem a autorização do vice-prefeito, até então chefe do executivo, que foi desempossado sem seu conhecimento prévio. As câmeras de segurança gravaram a ação. Alguém editou e estampou nas redes sociais a nossa vergonha. Meus parcos conhecimentos de Direito não me permitem analisar se esta foi ou não uma atitude legal, mas meus princípios afirmam que ela foi, no mínimo, imoral e aquele vídeo realmente me deu vergonha.
Quando o político é eleito ele tem o dever de fazer algo que vá beneficiar a população, honrar as pessoas que o escolheram, pois quando receberam uma procuração de representatividade e total liberdade para fazer escolhas em nome do povo. Espera-se, sempre, que façam as melhores escolhas.
Os cidadãos obtiveram o direito de votar, de escolher quem seriam os representantes do povo. Com esse direito adquirido, todos devem ter consciência de que essas pessoas eleitas e escolhidas para representar a população, tanto na esfera federal, estadual como municipal, são obrigadas a agirem, em primeiro lugar, com respeito.
O que acontece há algum tempo em Itapetinga está longe de ser política. O que a gente assiste ao vivo, no nosso dia a dia e o que vimos no vídeo divulgado pelo canal do youtube é politicagem. Enquanto política é uma ciência que baseia-se no respeito, politicagens são atos inescrupulosos, que visam o benefício próprio e não a coletividade, são ações de politiqueiros que querem se dar bem às custas do povo. O que acompanhamos nesta semana não condiz em nada com a responsabilidade que é dada aos representantes do povo.

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