Partidos solidarios com membros da CPI

Na terça-feira, no plenário da Câmara de Vereadores, a presença de servidores da prefeitura de Itapetinga, convocados pelo prefeito José Carlos Moura, pegou a todos de surpresa quando se ficou sabendo que a intenção era apresentar uma “justificativa” da Bernardo Vidal, empresa que foi contratada pelo município de forma ilegal para restituir supostos créditos do INSS.

A reunião tinha, segundo o que foi dito durante o encontro, a intenção de rebater alguns pontos do relatório final da CPI da Câmara de Vereadores que constatou irregularidades na contratação da empresa. Em um dos itens do documento que foi lido por representantes da empresa, identificados depois como estagiários, diz que “o anúncio de um suposto prejuízo, presente no relatório, que seria de aproximadamente R$ 9 milhões, tem como base uma informação equivocada, uma vez que as compensações não foram julgadas pelas três instâncias da Receita Federal ou pelo poder judiciário” e que “a contratação do escritório pela Prefeitura de Itapetinga é absolutamente legal”. Depois, em um discurso, o prefeito tentou apresentar suas justificativas.

 

Vereadores indignados

Os vereadores que formaram a CPI da Vidal, Naara Duarte, Gilson de Jesus e Fabiano Bahia, se disseram indignados com a atitude do chefe do Executivo de ter convocado a reunião com os servidores municipais – em pleno dia de semana e em horário de expediente – especialmente para a Casa Legislativa, onde uma verdadeira batalha foi travada pela Comissão a fim de chegar a um relatório transparente e correto.

Na redação de Dimensão nessa sexta-feira, eles falaram sobre o fim que levou o relatório da CPI: “Cobramos do presidente do Legislativo, João de Deus, os devidos encaminhamentos e ele junto com a Mesa diretora decidiu expedir o relatório para os órgãos competentes, como o Ministério Público, Tribunal de Contas e também a OAB, já que o relatório aponta algumas infrações cometidas relacionadas com a OAB, para que aquela Ordem também possa tomar suas providências”, explicou Naara Duarte, vereadora do DEM e que foi presidente da CPI.

Os vereadores também se disseram indignados com a atitude do prefeito José Carlos Moura de usar o recinto da Câmara para tentar denegrir a imagem e o trabalho que foi feito pela CPI, regimentalmente instalada na Câmara de Vereadores. “O prefeito não deixou que o presidente da Câmara anunciasse qual era o rumo que tomaria o relatório da CPI e precipitou-se em tentar recuperar o prestígio junto aos funcionários contratados. Entendemos isso como uma atitude de desespero por parte dele, pois se ele acredita nas instituições e de que o relatório dará alguma chance de defesa a ele, precisa então é de se resguardar com seus advogados e assessores, para que no momento em que o Ministério Público o intimar ou convidar, ele, em seu foro, faça a sua defesa. O que ele não poderia era faltar com a verdade, inclusive através de seu próprio assessor de gabinete, quando solicitou do presidente da Câmara o espaço do plenário dizendo que era para tratar de questões administrativas da prefeitura. Ele não foi correto com o presidente da Câmara desta forma, utilizando a instituição que o fiscaliza para mentir e tentar denegrir a imagem da Câmara de Vereadores, e não apenas dos membros da CPI. Ele feriu a imagem do Poder Legislativo, como se não bastasse ter também o prefeito incentivado a própria empresa Bernardo Vidal a processar a presidente da CPI Naara Duarte, o pecuarista José Elias, o vice-prefeito Edilson Lima e o professor e presidente do DEM, Geraldo Trindade. A gente vê como desesperadora a atitude do prefeito e incompreensível para um chefe de comunidade provocar um clima de intimidação dentro do próprio recinto da Câmara”, desabafou Gilson de Jesus.

Fabiano Bahia também se disse indignado com a situação, afirmando que o prefeito poderia ter reunido os funcionários de cargos de confiança em outro local para fazer suas justificativas. “E é bom que a gente diga que durante os quatro meses em que a CPI esteve funcionando o prefeito teve vários momentos para tentar se defender, mas ele não o fez e não justifica que agora ele traga treineiros, ainda sem formação, da empresa que está em questão nas investigações da CPI, para gerar ainda mais confusão em torno do assunto, pois nada de provas foi apresentado que justificassem as possíveis defesas que estivessem fazendo”, acrescentou Bahia.

 

Solidariedade e apoio político

Gilson de Jesus disse ainda que a intenção do prefeito acabou por gerar um clima de apoio por parte da população e até de representantes políticos, aos integrantes da CPI da Câmara de Vereadores, “tendo saído desta forma o tiro pela culatra na intenção do prefeito. Ou seja, a atitude dele de convocar os funcionários para tentar colocá-los contra a CPI, provocou também uma reação dos partidos políticos, que chegaram a nos acompanhar a entrevistas na imprensa. Fomos acompanhados por representantes de partidos de oposição como DEM, PCdoB, PMDB, PR, PSDC, PV, enfim, todos os que com clareza se dizem de oposição e prestaram apoio a nosso relatório e também uma solidariedade pessoal a todos os membros da CPI”, registrou Gilson.

 

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