O integralismo na região

Desde criança que eu ouvi falar de um movimento conhecido como Integralismo que funcionou nas décadas de 30 e 40 em todo o país. Um movimento capitaneado nacionalmente por Plínio Salgado. Na Bahia tinha como mentor o Interventor e ainda Coronel Juracy Montenegro Magalhães, que chegou a General e na região sul seu comandante era o Secretário Sem Pasta para Assuntos da Região Cacaueira Gileno Amado, que segundo informações obtidas, mantinha sua trincheira no distrito de Jussari. Este Movimento foi crescendo e tomando corpo em grandes proporções, chegando a se estender também pelos distritos de Itamirim com orientação direta de Pompilio Céo e em Itororó os sob auspícios de Pompílio Santos.

Nesta ocasião o Comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar de Ihéus era o austero Coronel Salomão Rehem que não fazia parte do Movimento, mas em consonância com as ações do secretário Gileno Amado, dava apoio aos manifestantes aliados a esse tipo de ideologia, como foi o caso de Pompilio Céo em Itamirim, que foi o que mais se beneficiou dos despachos do Coronel Rehen Comandante da PM Ilheense.

Quando queria fazer valer sua autoridade em Itamirim, o Coronel Pompílio Céo mandava um emissário a Ilhéus e logo era atendido com a liberação de um pequeno contingente da Polícia Militar e assim suas ordens eram mantidas. Desta forma, ele fazia sua liderança no distrito de Itamirim conforme suas pretensões. Entre elas, chegou a designar o número exato de 300 eleitores que Itamirim comportaria sob seu comando e para que ele pudesse conhecer, orientar e ditar as ordens para todos eles. Fato que desagradou sensivelmente seu parente Jonas Céo que também queria o comando eleitoral daquela localidade. Jonas Céo fazendo cumprir também a sua autoridade, determinou que o número de eleitores fosse infinito, daí a grande fenda aberta nas relações dos dois líderes políticos do então distrito de Itamirim. Essa intriga durou até o dia da morte de Pompilio Céo que estando no leito de dor num hospital de Itabuna, mandou chamar seu rival para fazer as pazes que aconteceram pela manhã; a tarde ele se despediu deste mundo.

Quando da mudança do nome de Itamirim, todos gostariam que se homenageasse a família Vilas Boas, fundadora do povoado, dando seu nome ao distrito que passaria de Itamirim para Vilas Boas. O Coronel Pompílio Céo levantou sua bandeira em torno do nome do seu amigo e patrício, o sergipano Comendador Firmino Alves, que na sua trajetória de vida, deixou indeléveis marcas em Itabuna, mas ninguém se ousou contrariá-lo. Nem mesmo seu fidagal inimigo político, Jonas Céo, com contrários comentários, foi capaz de mudar a opinião daquele cônscio integralista. Quando as pessoas tentando dissuadi-lo indagavam: “- Mas Seu Pompilio quem é esse tal de Firmino Alves, ninguém aqui conhece esse homem?” Ele respondia: “- Mas eu conheço, é meu conterrâneo lá de Sergipe e tá acabado, não se fala mais nisso. Este lugar vai ter mesmo o nome dele porque eu quero e pronto”.

Itamirim virou mesmo Firmino Alves que agora figura notoriamente entre as cidades que mais se desenvolveram proporcionalmente na Região Sudoeste nos últimos 8 anos.

O Presidente Getúlio Vargas, com seu regime do Estado Novo, chegou para acabar de uma vez por todas com o Integralismo no Brasil, deixando dolorosas marcas de humilhação para os integrantes daquele movimento que estampava o verde como o seu símbolo absoluto…

Eu me lembrei deste fato porque repassando os meus arquivos, encontrei um recorte de um jornal de Itabuna que relata um episódio acontecido em Itororó a 15 de setembro de 1938 que me foi dado pela ilustre professora Alba Cordélia, que o encontrou no cofre da sua falecida mãe Dona Kardelina Noronha de Oliveira, Oficial do Registro Civil de Itororó de 23 de outubro de 1945 a 24 de abril de 1984, onde um abaixo assinado percorreu as poucas ruas do distrito de Itapuí em defesa do Sr. João Alves de Oliveira, cuja proposta foi de iniciativa da Sra. Maria Baptista Barbosa e alcançou grande percentual da população, mais de duzentas pessoas subscreveram o documento que abaixo se ler na íntegra.

Nesta proposição os adversários do nobre empreendedor de esforços prol emancipação do distrito/vila de Itapuí, o acusara de vê-lo descarregando em sua residência uma carga de armamentos e munições. Mas isto, na opinião deste colunista, não lhes daria direito de afirmar que o ilustre Escrivão de Paz fazia parte do grupo dos integralistas liderados por Pompilio Santos que também subscreveu o documento como Juiz de Paz do Distrito Judiciário do Termo de Itabuna, em substituição ao Sr. Antonio Olympio da Silva. primeiro titular da pasta. Sabe-se, porém, que o Sr. João Alves de Oliveira era inimigo político do Coletor de Impostos Wilson Leão, mais tarde, defensor da bandeira do Governador Régis Pacheco, enquanto que João Alves de Oliveira era adepto do grupo político do Governador Antonio Balbino de Carvalho, o mesmo que em 22 de agosto de 1958, assinou a emancipação do município de Itororó.

Achei interessante relatar este fato não só pela curiosidade de trazer à baila para o conhecimento dos jovens uma passagem dos tempos idos, mas também pela possível relação do envolvimento do grande articulista da campanha prol emancipação de Itororó, João Alves de Oliveira, com esse Movimento que predominou no Brasil e nesta região.

Eis, na página seguinte, o original documento com a chancela de boa parte da pequena população de Itapuí…

 

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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