O desenvolvimento depende de boas gestões públicas

O Sistema FIRJAN do estado fluminense desenvolveu um estudo para medir o desenvolvimento dos municípios brasileiros, conhecido pela sigla IFDM, a partir de dados divulgados pelos ministérios do Trabalho, Educação e Saúde. O estudo acompanha o desenvolvimento de cada município em três áreas distintas: Emprego e Renda, Educação e Saúde. E, ao final, atribui a cada uma dessas áreas um índice, cuja média dá o índice de desenvolvimento de cada município, IFDM.

O índice varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento da localidade. De sorte que, a partir de 2005, primeiro ano base estudado pelo FIRJAN, ao observar os índices de determinado município nas três áreas citadas, é possível saber com precisão o grau do desenvolvimento do município objeto da pesquisa, ano após ano.

O FIRJAN também conseguiu levantar o índice de cada unidade da Federação, graças à divulgação de dados estatísticos pelos ministérios do Trabalho, Educação e Saúde para os estados e para o país. De sorte que, observando esses índices, podemos também aferir o desenvolvimento de cada estado e, se o desejar, realizar um trabalho de comparação entre eles.

Contudo, o estudo realizado pelo FIRJAN peca pela defasagem do tempo entre a divulgação do IFDM e o ano a que ele se refere. Assim, o último índice divulgado foi referente a 2009 e ocorreu na edição deste ano. O instituto culpa o DATASUS, departamento estatístico do Ministério da Saúde, pela demora na divulgação de dados básicos.

É pena a defasagem de dois anos, porque ela nos tira a oportunidade de receber índices mais atualizados sobre o desenvolvimento de nosso município e, com eles, realizar uma avaliação mais precisa do trabalho administrativo que está sendo executado pela gestão no poder.

Em 2009, segundo a edição divulgada este ano pelo FIRJAN, a Bahia obteve um índice de desenvolvimento de 0,6535, média dos índices aferidos pela educação, saúde e emprego e renda. Com esse índice, a Bahia, naquele ano, colocou-se em posição semelhante a do Piauí e manteve-se abaixo de outros estados do Nordeste, como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe. Afinal, obteve índice superior apenas aos dos estados da Paraíba e Alagoas.

De acordo com os índices atribuídos à educação e à saúde aquele ano, respectivamente 0,5675 e 0,6982, a Bahia obteve a pior classificação nessas áreas, entre os estados do Nordeste. Foi superior aos demais estados da região, apenas no índice de emprego e renda, com 0,6947.

Mas, desde o governo anterior, os índices do estado já vinham muito baixos. Em 2006, último ano da administração do PFL com Paulo Souto, o Índice de Desenvolvimento Geral foi de 0,5925. Nos três anos seguintes, 2007 a 2009, já na gestão do PT, esse índice obteve uma melhora de 11%. Logicamente, vamos aguardar com certa expectativa a edição do próximo ano para, através dos novos índices, avaliarmos o trabalho que foi executado pela gestão pública em prol do desenvolvimento do estado.

Em 2006, os índices obtidos pelo estado para a Educação e a Saúde foram respectivamente de 0,4835 e 0,6427. Em 2009, a gestão de Jaques Wagner já havia conseguido elevá-los para 0,5675 e 0,6982, um aumento de 17% para a educação e de 8,5% para a saúde. Ainda, assim, os índices de 2009 foram muito baixos para o estado mais rico e populoso da região Nordeste, e que se apresenta com o melhor índice de emprego e renda.

Depois desses estudos, a conclusão a que chegamos, foi que, nos últimos anos, as gestões públicas que se sucederam, preocuparam-se apenas com o desenvolvimento econômico do Estado, através da instalação de grandes empresas que proporcionassem mais emprego e renda, como a FORD em Camaçari e a Vulcabras|azaleia, na microrregião de Itapetinga. Razão para o Estado apresentar-se no item emprego e renda como o mais desenvolvido entre os demais estados da Região Nordeste.

Entretanto, o mesmo empenho não foi dado por aquelas gestões às áreas de educação e saúde que, sem planejamento adequado e recursos suficientes, acabaram-se posicionando no último lugar entre todos os estados da região.

Passemos ao estudo dos índices municipais, especialmente aqueles atribuídos pelo FIRJAN aos municípios de Itororó e Itapetinga. Em 2009, o município de Itororó recebeu um índice de desenvolvimento que superou os dos municípios de Ibicaraí, Floresta Azul e Itambé, além dos atribuídos aos municípios de sua microrregião, com exceção de Itapetinga. Em compensação, os índices atribuídos à educação e à saúde pública mostraram o fraco desempenho do município nessas duas áreas.

Em 2008, último ano da gestão de Marco Brito, os índices obtidos pelo município de Itororó já eram muito baixos. Foram 0,4395 para a educação, 0,6410 para saúde e 0,3913 para emprego e renda que acabaram proporcionando um índice de desenvolvimento municipal (IFDM) da ordem de 0,4906. No ano seguinte, já na gestão de Adroaldo Almeida, o índice de desenvolvimento do município cresceu 11%. O de educação aumentou 15%, o de saúde teve elevação insignificante, e o de emprego e renda aumentou 24%.

Para as edições de 2012 e 2013, são esperados índices bem mais elevados para o município de Itororó, uma vez que tem sido possível observar uma melhora significativa nas áreas de educação, saúde e emprego e renda, como a abertura de algumas escolas de níveis técnico e superior, a erradicação da dengue e o crescimento dos setores de comércio e serviços locais.

O índice de desenvolvimento municipal de Itapetinga, 0,6849, divulgado na edição deste ano e referente a 2009, é o mais alto de todos os municípios situados entre Itabuna e Vitória da Conquista. Os índices para emprego e renda e saúde pública também são os maiores e, o que se refere à educação, só não supera o de Floresta Azul, com 0,6022.

 

* Djalma Figueiredo é advogado

 

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