O centenário da Dona Geó

Sem título-1Decorria o ano de 1916, o dia 20 do primeiro mês, quando nascia nas pirambeiras de Lagoa D’água, no povoado de Guigó, nas planícies do Sertão da Ressaca, bem próximo a Conquista Grande, uma jovem que receberia na Pia Batismal o nome Georgina Ribeiro, mais tarde confirmado no tabelião e adicionado o sobrenome da Silva que haveria de herdar do marido.
Geó era apenas o apelido de uma das 7 mulheres da prole de 12 rebentos do casal Cirilo Ribeiro e Rosa Ribeiro.
Lá pelos idos anos 20, quase final da década, 1927 para sermos mais precisos, Seu Cirilo e Dona Rosa sentindo a aproximação de uma longa estiagem que mais uma vez prometia assolar o torrão sertanejo de Guigó, resolve juntar os cacarecos e partir para as bandas do sul à procura de uma vida mais amena. Depois de palmearem quase uma centena de quilômetros, eis que se arrancharam em uma fazenda na região do Acará, no município de Poções à época. Ali nasceram mais 5 filhos. O casal e os filhos mais velhos ficaram por ali pelejando para alcançar uma vida menos sofrida, mas estava difícil, até que surgiu um jovem tropeiro por nome Filomeno Fortunato da Silva, que se interessou pela menina Geó, pediu a mão dela em casamento e com ela se casou e passou a morar na Fazenda Sobradinho do Sr. Antonio Ladeia, próximo à cidade de Itororó que estava em pleno desenvolvimento e daí não saíram mais. Dona Geó e Seu Lô tiveram 11 filhos, 7 mulheres e 4 homens: Manoel Messias, Romilda, Mário Oscar, Antonio Carlos, Nailton, Dalva e Maria das Graças que lhes deram 26 netos, 23 bisnetos e 5 tataranetos. Foram 75 anos de feliz convivência conjugal do casal Lô e Geó até que Deus chamou Seu Lô com mais de 100 anos de vida, para ocupar espaço junto a Ele. E Dona Geó ainda reina como a verdadeira abelha rainha de sua gigantesca família. Dona Geó disse em entrevista que sua maior alegria na vida foi se casar e poder criar os filhos, netos, bisnetos e tataranetos ao lado do seu querido esposo, vivendo a plenitude de uma perfeita harmonia familiar. E a sua maior tristeza foi a perda do marido, de um filho e de uma neta que já partiram para uma vida melhor.
Há mais de 50 anos, Dona Geó faz parte da Irmandade da Congregação Mariana da Igreja Matriz de Santo Antonio de Itororó, onde sempre pode demonstrar a sua fé em Deus, o criador de tudo. Se sente uma senhora realizada e preparada para o feliz encontro com Jesus Cristo nosso Salvador.
Quando eu perguntei qual o segredo da longevidade? Ela, imediatamente respondeu: ” Viver em paz com Deus, com a família e com os amigos, não ter vícios, comer e dormir nas horas certas”…
No final do ano passado, o neto Gilmar esteve na cidade de Antonio Gonçalves, antigo Guigó, documentou todo o novo panorama da cidade, entrevistou moradores antigos e juntamente com o pastor Florentino que também é natural de Guigó, celebrou no local reservado para recreação da Igreja Batista Nova Sinai, junto à comunidade evangélica e alguns membros do catolicismo, um perfeito culto ecumênico que marcou os efusivos gestos de aplausos pela efemérides. E isto, deixou a nossa centenária senhora felicíssima da vida. Parabéns Dona Geó e muitos anos de vida a mais para juntos comemorarmos.

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