O caminho da AARTI e da cultura local

Com a elaboração de seu Estatuto Social em 31 de agosto de 2002, foi criada a AARTI, cujo Art. 1º, o 1º parágrafo, são enunciados abaixo:

Art. 1º – A ASSOCIAÇÃO DOS ARTISTAS ITAPETINGUENSES, também designada AARTI, constituída por número ilimitado de sócios, todos artistas de Itapetinga, das diversas áreas culturais e dos mais diferentes estilos, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, situada à Praça Guilherme Dias, S/N, Concha Acústica, com sede e foro na cidade de Itapetinga, Estado da Bahia, com prazo indeterminado de duração, reger-se-á pelo presente estatuto e tem como finalidade:

I – Representar e defender os interesses da coletividade que congrega;

II – Promover e incentivar o exercício de atividades de caráter artístico-cultural;

III – Fomentar a formação de novos artistas bem como a de novas platéias;

IV – Ampliar os espaços artísticos-culturais preservando os já existentes;

V – Democratizar os saberes artísticos-culturais promovendo cursos e espetáculos;

VI – Reunir artistas e comunidade em espaços abertos a fim de alargar os interesses artísticos.

 

§ 1º – Considera-se Itapetinquense, para os efeitos deste estatuto, além dos natos, todos os artistas residentes no município de Itapetinga, há mais de 05 (cinco) anos.

 

Durante esses 10 anos de existência da AARTI, houve até certo ponto comprometimento da classe. Mas, com o passar dos anos foi se perdendo o encantamento e pouco se avançou. Compor a diretoria nos anos subsequentes não foi e nem tem sido tarefa fácil. Como se observa com outras entidades locais, é difícil fixar uma taxa de mensalidade e mais ainda fazer com que os associados contribuam mensalmente, para que a associação se mantenha viva. É preciso repensar sobre o rumo que se quer tomar sobre a cultura local, do contrário estaremos fadados a ver mais uma entidade extinta. Recompor a nova diretoria da AARTI é fator primordial para traçar metas futuras e evitar o esfacelamento do movimento cultural, já que é uma das poucas entidades ainda viva. Sabemos que nessa briga para se reconhecer os valores culturais da nossa cidade ainda há muito pano pra manga. Às vezes é preciso bater de frente, desmanchar o casulo que foi criado em benefício de poucos. Chico César, atual Secretário de Cultura da Paraíba, em meio à fogueira, já administra controvérsias. A mais notória, a do “forró de plástico”, em que rejeitou dar verba para contratar grupos que fogem à forma tradicional do gênero. É um bom caminho a ser seguido para valorizar nossas raízes. Com a extinção da Secretaria de Cultura do Município, o setor cultural perdeu o status ao ser substituído por um mero Departamento de Cultura, sem muita expressão e que no momento não mais existe. Devemos reforçar o corpo de conselheiros de cultura para representar e respaldar o movimento cultural. É pertinente também que seja elaborado um documento a ser dirigido ao Prefeito Municipal, José Carlos Moura, assinado por representantes de cultura do município, com pautas de reivindicações que possam ser realizadas e cumpridas a curto prazo, dando novo impulso à cultura do município.

É de se esperar que a composição da nova Câmara de Vereadores se empenhe e se esmere para a reinstalação da Secretaria de Cultura, prometida em público, tantas vezes, pelo ilustríssimo senhor prefeito. Precisamos mais do que nunca, de uma cabeça pensante e que tenha trânsito livre com o movimento cultural da cidade e que se empenhe em fazer com que a secretaria retome sua verdadeira posição. Renovar é preciso. A escolha de um nome com indicação da classe, engrandecerá ainda mais a Secretaria de Cultura. A Caravana Cultural, sob a batuta do incansável Agnelo Nunes, é uma realidade local e mais uma semente que brota no meio artístico demonstrando o quanto estamos vivos. Antonio Maciel, Pedagogo e artista, escreveu recentemente aqui neste jornal duas matérias sobre nossa realidade cultural e sua preocupação com a recriação da Secretaria de Cultura do Município.

No dia 26 de janeiro foi realizada uma reunião no salão da FACI, que contou com a presença de representantes dos diversos setores de cultura do município, preocupados em elaborar uma agenda cultural para ser realizada no ano de 2013. A classe artística está viva, unida e aberta ao diálogo. Vamos torcer para que esta gestão de mais quatro anos do ilustríssimo senhor prefeito, faça a classe artística voltar a se orgulhar da sua Secretaria de Cultura, extinta de maneira tão inesperada.

 

P.S: Por motivo de curtas férias estive ausente deste meu espaço, sendo este o primeiro artigo escrito em 2013, já que a amiga Portelinha, redatora do jornal, muito mais que cobrar, me intimou.

 

* Carlos Amorim Dutra é Médico Cardiologista, músico e compôs a Diretoria da FACI e da AARTI, sendo um dos fundadores do Projeto Caros Amigos, que comemorou recentemente seu 15º ano de apresentação, com shows de caráter beneficente, divulgando a Música Popular Brasileira. Possui um Blog na internet: www.blogdokalú.com.br, cujo espaço utiliza para comentar sobre música e cultura em geral.

e-mail: carloskdutra@gmail.com

 

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