O bolo

kaluSabemos que nossa culinária é riquíssima e se fosse relacionar aqui as diversas variedades de bolos, a lista seria enorme. Com antecedente de Diabetes na família, tenho tido muito cuidado na alimentação e na ingestão de doce. Sou classificado muito generosamente pelo meu Endocrinologista, como pré-diabético. Como sei que é melhor prevenir que remediar, prefiro ficar na retaguarda para dar bom exemplo. Mas a saudade que sinto dos bolos de aipim, de puba e leite não está escrito em qualquer gibi. Como sou extremamente disciplinado nesta questão, muito raramente arrisco provar um pedacinho. O amigo Clarete depois de um certo período residindo em outro endereço, voltou, para nossa alegria, ao convívio da boa vizinhança. E com isto retomamos nosso velho costume, desde o tempo de Dona Angélica, em partilhar algumas delícias da culinária com pratos de bolos, tortas e biscoitos, cuja tradição foi mantida pela filha Cláudia. O último que recebemos foi um pedaço de bolo de leite tão delicioso que não me furtei em provar um pedaço (minto), dois pedaços, de tão gostoso que estava. Lembrei-me do período em que trabalhei na função de médico do trabalho na Vulcabras|azaleia, em que levava sempre para lanchar com os funcionários do ambulatório, biscoitos fritos e bolo de aipim, meu predileto. Há alguns dias fui lá buscar um demonstrativo do imposto de renda e aproveitei para rever os amigos do ambulatório. Me senti rejuvenescido com os abraços calorosos. Fiquei feliz em rever Dra. Cristina Saldanha e as funcionárias: Juci, Ieda e Jaci, cuja cobrança foi imediata quanto aos biscoitos e bolo de aipim. Prometi retornar lá um outro dia, desde que preparem o café (com adoçante), que o bolo e os biscoitos ficarão por minha conta. É sempre bom trabalhar em um local onde possamos fazer amizade, amizade esta que dure por toda uma vida, independente do tempo que passamos. Vejam como são as coisas e até onde um bolo pode ir. Escolhi um tema para falar, que descambou em doença, passando por vizinhança, por documento de imposto de renda, chegando até a Vulcabras|azaleia, que já nem sei mais que bolo vai dar. Mas tudo pode-se dar um jeito. Basta apenas recomeçar o texto com algo assim: Como eu ia dizendo… Aí é só pegar novamente o fio da meada e ir embora. Melhor que pegar o gancho, como se diz. Acho uma coisa meio sem graça quando alguém está falando sobre um assunto e um outro interrompe dizendo: Pegando o gancho… E entra logo na conversa. Mas que diabo de gancho é este? Seria o capitão Gancho? Melhor mesmo é deixar este negócio de gancho prá lá e voltarmos ao nosso bolo. Temos também bolo de farinha de trigo, de milho, de tapioca, de cenoura e aqueles com sabor de chocolate e laranja, para ficar nos mais comuns. Quando entram no grupo dos recheados a coisa muda de figura. Bolo enfeitado demais perde a graça. Quando vem com cobertura disso e daquilo, parecendo um bolo de três ou quatro andares, aí já não dá pra mim. O complemento do bolo é muito importante e as opções são várias. Pode ser com um cafezinho preto, puro e bem quentinho, ou até mesmo com leite. Pode ser com uma xícara de chocolate quente ou um copo de suco, e na falta deles, uma boa vitamina de banana ou de abacate, também ajuda. Por fim um refrigerante como última opção. Não resisto mesmo é quando vou à casa da mina mãe e minha irmã Noemi me oferece um pedacinho de bolo de puba que ela faz tão bem, que de tão fino apelidei de: sedinha. Aí não tem conversa. Pelo menos um pedacinho eu arrisco. Mas, para não pensarem que ando constantemente fugindo do regime, vou logo adiantando que de três em três meses faço meu controle glicêmico e confesso que anda muito bem, obrigado. Basta manter o peso, exercitar um pouco, ficar longe do estresse, longe da ganância e em paz consigo mesmo. Quando alguém começar ler este texto vai logo dizer: Lá vai o doutor esquecendo do bolo novamente. Qualquer hora dessa vou perguntar ao amigo Miro Marques, com mais estrada que eu no mundo da escrita, se algo parecido acontece com ele quando escreve seus artigos. Parece que a gente perde as rédeas e as palavras vão nos puxando pra lá e pra cá. De qualquer forma arranjei uma história curta pra contar, sem nada de ruim, que talvez possa mais uma vez servir de entretenimento pra meus sete leitores. Sei também que irei deixar a amiga Eliene Portella do Dimennsão, de água na boca.

Carlos Amorim Dutra
e-mail: carloskdutra@gmail.com

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