MST resiste em ocupação de terreno da Uesb em Itapetinga

Cerca de 30 famílias que fazem parte do MST – Movimento dos Sem Terra – continuam acampadas em um terreno que faz parte do campus Juvino Oliveira, nos arredores de Itapetinga. O terreno que pertence à UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, foi invadido na madrugada de sábado, 14.

Segundo os representantes do MST, enquanto o governo do Estado não tomar alguma providência em relação ao assentamento de várias famílias que estão em busca de terras para o cultivo, não vão levantar acampamento. Eles sabem que o local onde estão não serve para o plantio, a atitude deles é apenas para pressionar o governo.

Segundo Aldeane Lebrão, 24, que faz parte da liderança dos membros do MST, os acampados não têm para onde ir, já que foram removidos de uma fazenda nas proximidades de Macarani. “Fizemos a ocupação pois não tínhamos para onde ir, essa foi uma alternativa. E não temos previsão para sair. O reitor já está pedindo a reintegração de posse, mas aí teremos que negociar, pois não temos para onde ir. Se não tivermos um destino, pensamos em resistir. Se tiver que sair sairemos, mas pra onde, pra cadeia?”, indagou ela.

Para vencer a luta pela terra, segundo alguns dos acampados, é preciso ter coragem e exercício de muita paciência. Na situação em que se encontram no terreno da Uesb, apenas realizam reuniões e alguns raros momentos de lazer através da música. Com aval da universidade, puxaram energia para uma das barracas onde assistem televisão.

A resistência faz parte do dia a dia das pessoas envolvidas na luta pela terra. Uma delas é Rosália de Jesus Silva, 64, lavradora há pouco mais de um ano, que entrou para o movimento e não quis mais sair. “Entrei, gostei e estou aqui até hoje, só saio depois que eles saírem”, disse ela.

O lavrador José Carlos Ferreira Araújo, 60, sempre teve o sonho de ter um pedaço de terra e nem casa tem pra morar. Há alguns anos entrou na militância no MST. Segundo ele já perdeu três plantações, devido os despejos de terras que foram invadidas. A perseverança é tão grande que ele não desiste. “Não tenho casa, estou com eles até hoje, já perdi três roças e perco 10 ou 20 se for possível, mas vou até o fim”, disse ele. José Ferreira fez a inscrição no Programa do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida, mas infelizmente não foi contemplado.

O local onde os integrantes do MST estão acampados fica nas proximidades das margens da BA-263 e além disso existe uma passarela muito utilizada pelos estudantes universitários. Para Wendel Alberto Santos Silva, 26, estudante do curso de Zootecnia, a luta é justa, pois buscam seus direitos. “Eles estão lutando por seus direitos. Eles não têm terra e querem produzir, mas não entendo porque fizeram a opção por invadir terras improdutivas, como eles irão produzir? Mas acho justa a luta deles”, disse.

Tássio Aguiar, 22, estudante do curso de Engenharia de Alimentos, diz que é válida a manifestação, porém a Uesb não é local propício para reivindicar esse tipo de direito. “Na minha opinião esse local, a universidade, não seria o ideal para fazer esse tipo de movimento. Mas cada um tem o direito de fazer as suas reivindicações e pelo fato de algumas pessoas que estão envolvidas terem um certo grau de instrução, pode chamar a atenção dos governantes com mais facilidade” , disse ele.

Apesar da invasão ter sido em uma área da universidade, os militantes tomam os devidos cuidados para que não prejudiquem os estudantes. O Prof. José Luiz Rech, vice-reitor da Uesb, quando soube da ação dos militantes do MST, orientou que os funcionários seguissem o curso das atividades. Nesta semana a Universidade solicitou a reintegração de posse. Os invasores serão informados e será solicitada a retirada do grupo. “Nós ficamos chocados inicialmente por se tratar de uma universidade que estava sendo invadida. Muitos alunos se queixando, mas solicitei que mantivessem a calma pois tudo vai ser resolvido”, disse o vice-reitor Rech.

 

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