Motorista de caçamba se apresenta à polícia

derUma caçamba que, possivelmente apresentou problemas mecânicos, e um motorista que não possui habilitação podem levar a Prefeitura de Itapetinga a ser responsabilizada civilmente pelo acidente que matou duas crianças e lesionou outras duas, ocorrido na manhã do dia primeiro de agosto. Isso porque o veículo pertence a uma pessoa que presta serviços à administração municipal.

O que se questiona é a falta de fiscalização por parte do poder público com relação ao serviço prestado, envolvendo motorista e veículo.

O motorista da caçamba, Ancelmo Farias Pires, quando interrogado no Complexo Policial, disse que não possui CNH, mas que dirigia para o contratado, no caso o prestador de serviços, há mais de dois anos.

O delegado Roberto Júnior também irá ouvir o proprietário da caçamba, intimado para o dia 05 de agosto, e o secretário da Secretaria que o veículo está agregado.

Motorista se apresenta à polícia

Depois de quarenta e oito horas do acidente em que foram vítimas quatro crianças, duas delas de forma fatal, se apresentou no Complexo Policial, na tarde deste sábado, 3, acompanhado de uma advogada, o motorista da caçamba.

O veículo, que estava na Rua Luiz Nunes, na Vila Riachão, teria perdido o freio e, desgovernado, atingiu as crianças Rafik de Sousa Oliveira, de 04 anos (01.02.2009), e Laelson Oliveira Rodrigues, de 07 (24.05.2006), que morreram ainda no local. Outras duas crianças tiveram lesões pelo corpo e ficaram internadas no Hospital Cristo Redentor.

O motorista da caçamba, Ancelmo Farias Pires, de 27 anos, foi interrogado pelo Delegado Roberto Júnior, contando a sua versão para o trágico acidente.

Segundo o motorista, ele estava na Rua Luiz Nunes com uma carga de areia e, ao subir a referida rua, parou a caçamba para engatar a marcha à ré. “Nesse momento, a alavanca da caixa de marchas saiu e ficou solta em minha mão. Pisei no pedal por três vezes e os freios não funcionaram. Então, joguei a caçamba para a direita, pois na esquerda havia uma ribanceira. Nesse sentido estavam as crianças e não pude evitar o acidente”, contou o motorista para o delegado.

Ancelmo ainda revelou que tentou prestar socorro, mas pessoas, com raiva, vieram ao seu encontro, não encontrando outra alternativa a não ser fugir do local.

Embora trabalhasse como motorista na caçamba há mais de dois anos, Ancelmo não possui carteira de habilitação, o que agrava a sua situação com relação ao atropelamento e morte das crianças.

Ancelmo já foi indiciado pelo delegado por homicídio culposo e lesão corporal grave e responderá pelo crime em liberdade.

Dor e sofrimento no velório

A revolta tomou conta do bairro onde aconteceu a tragédia. A caçamba que provocou o grave acidente foi parcialmente destruída pelos moradores do local, que por pouco não lincharam o motorista. O pai de uma das crianças ainda tentou socorrer uma delas, utilizando uma moto, mas não adiantou, o menino faleceu antes mesmo de chegar ao hospital. Os demais foram socorridos pelo Samu.

Morreram no acidente as crianças Rafik Sousa Oliveira e Laelson Oliveira Rodrigues, que eram primos. Outras duas, entre elas, a garotinha Taiana, foram encaminhadas à UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

Durante o enterro das duas crianças o clima era de muita comoção e revolta. Elas foram sepultadas no cemitério da Vila Isabel, acompanhadas por um grande número de pessoas.

Transferidas para o HGE em Salvador

Segundo informações divulgadas à imprensa neste sábado, as duas crianças, de 6 e 7 anos, que ficaram feridas na última quinta-feira, 1º, vítimas de atropelamento causado por um caminhão carregado de areia, foram transferidas do Hospital Cristo Redentor, por recomendação da equipe médica da unidade, para o HGE, hospital de referência em atendimento ao politrauma pediátrico. O processo de regulação dos pacientes para Salvador foi intermediado pelo deputado federal Antonio Brito, que é  presidente da Frente Parlamentar de Apoio as Santas Casas, pela Fundação José Silveira, pela secretaria municipal de Saúde, pelo presidente da Federação das Santas Casas e Entidades Filantrópicas da Bahia (Fesfba), Mauricio Dias, junto ao secretário de Saúde, Jorge Solla.

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