Michel Hagge de volta

Fora da cidade há quatro meses, o líder peemedebista Michel Hagge está de volta, plenamente recuperado do acidente que sofreu em sua fazenda quando montava a cavalo. Animado como sempre quando o assunto é política, o ex-prefeito de Itapetinga por três vezes e duas vezes deputado estadual, disse estar pronto a colaborar com o PMDB na formação de sua estratégia política visando as próximas eleições municipais.O líder dos gabirabas recebeu a reportagem de Dimensão em sua residência para a primeira entrevista depois que retornou de Salvador, oportunidade em que falou dos nomes para a disputa da eleição para prefeito e da possibilidade de coligação das oposições. A reportagem é de Eliene Portella.

 

Jornal Dimensão – De volta a Itapetinga, qual o seu atual estado de saúde?

Michel Hagge – Graças a Deus, parece que o símbolo que nós criamos politicamente de “gabiraba” foi feito pra mim, vez que enverga mas não quebra. A extensão do estrago em meu organismo devido ao tombo com o cavalo foi tão grande, que surpreendeu até aos médicos a minha recuperação. Médicos que não me conheciam chegaram a duvidar de minha idade de 84, me dando cerca de 70 e poucos anos, devido à resistência de meu organismo. Com certeza o símbolo de gabiraba caiu muito bem para mim nesta oportunidade, estou bem de saúde, graças a Deus.

 

J.D. – Todos sabemos que essa sua ausência durante esses 4 meses deixou o PMDB travado no que diz respeito à estruturação da estratégia do partido para as próximas eleições. De onde vamos começar agora?

Michel Hagge – Devo dizer que até acho que este meu afastamento foi bom para o PMDB local, para que não se precipitasse uma campanha política, que desgasta por demais um candidato. Um exemplo estamos vendo em Salvador, onde Mário Kertész inclusive está zangado pela questão do PMDB ainda não ter se definido, mas os partidos tanto PMDB como DEM e PSDB, ainda não se acertaram, deixando para chegar no tempo certo de se fazer a campanha.

Como se sabe, desde a Exposição passada que fui procurado por deputados e representantes de outros partidos de oposição aqui na cidade, que propuseram o estudo de uma coligação para criarmos um candidato de consenso. Eu achei por bem que o PMDB também podia entra nessa discussão, devido à situação em que a cidade se encontra, necessitando de uma pessoa que seja um verdadeiro estadista e que tenha uma visão para continuar o desenvolvimento de Itapetinga, uma vez que a cidade corre um risco muito sério devido a essas crises agora no setor industrial calçadista e também na indústria de produção de leite em pó, o que nos faz mais ainda necessitados de uma pessoa de tirocínio administrativo muito bom para alavancar este desenvolvimento de Itapetinga. E se tiver uma união, ainda melhor. Como eu frisei, temos necessidade de alavancar o desenvolvimento da cidade, farei meu empenho para que essa discussão aconteça, mas não escondo que acho difícil, uma vez que todo consenso é muito complicado, administrar a vaidade dos que querem se candidatar é uma tarefa nada fácil.

 

J.D. – Também na reunião se falou no estudo de “nomes” do PMDB para se apresentar ao possível grupo de coalizão das oposições, o que seria feito por um sub-grupo do PMDB. Seriam apenas os nomes dos pré-candidatos do partido que a gente já conhece, ou podem surgir novos nomes?

Michel Hagge – Podem sim surgir novos nomes, não escondo isto. Temos os três pré-candidatos que já se apresentaram (Kátia Espinheira, Rodolfo Schettini e Sílvio Macêdo), como também temos muitas pessoas que são do partido, jovens talentosos que podem ser indicados, enfim, o PMDB ao meu ver nesse exato momento poderia elencar mais de 10 bons nomes como candidatos. Não os citarei aqui para não criar ciúmes ou constrangimentos. Repito que temos bons nomes que podem ser indicados para a disputa de eleições para prefeito, mas não havendo consenso, aí o PMDB irá fazer como ficou determinado no diretório passado, realizando uma eleição prévia com os filiados do partido e eles é que vão escolher o representante do PMDB. Eu já disse aos pré-candidatos que eu, Michel Hagge, não tenho candidato. Meu candidato sairá da determinação do partido, que deverá ser feita de forma democrática, acabando com a antiga forma de se tirar indicação de bolso de colete, agora é o partido quem vai resolver, através da indicação dos filiados, que terão então a obrigação de exercer a militância para a eleição daquele escolhido.

 

J.D. – O senhor teme que esta próxima eleição seja a mais cara dos últimos tempos?

Michel Hagge – Não podemos esquecer e nem esconder que vamos ter a luta do tostão contra o milhão. A revista Época publicou recentemente e também o jornal A Tarde, matéria sobre o desvio de bilhões da Petrobras em favor de uma ONG, para servir a certas candidaturas do PT e nós sabemos que isto já aconteceu aqui em Itapetinga, nas duas últimas campanhas, tanto na de prefeito como na de deputado, prevalecendo o dinheiro vindo dessas ONGs que servem à Petrobras, para assegurarem a vitória dos candidatos deles. Ou seja, teremos dificuldades para fazer uma campanha com poucos recursos, vamos mesmo ter que usar a militância para conquistar os votos.

 

J.D. – E qual sua opinião sobre a estratégia do pré-candidato do PR, Arnaldo Texeira, que praticamente rompeu o processo de unidade das oposições, saindo numa pré-campanha?

Michel Hagge – Na minha opinião ele torpedeou o pensamento da unidade das oposições. Como é que você quer fazer parte de um grupo que pensa em estudar a união e já sai praticamente em campanha? Achei a estratégia dele difícil e creio que ele e seus cabos eleitorais talvez tenham pecado no modo de agir. De qualquer forma vamos ver no que isto pode dar.

 

J.D. – O Sr. que esteve esses meses em Salvador, acompanhando também os bastidores políticos de lá, que análise faz do reflexo que uma possível junção das oposições pode trazer para o próximo pleito?

Michel Hagge – Se citarmos Salvador por exemplo, se houver uma união entre o DEM, PSDB, PR e PMDB, nós temos toda a condição de fazer o candidato. Se o do PMDB for Mário Kertész, ainda se torna mais fácil, porque ele passou um grande período sem cargo político, tornando-se mais fácil ser apontado como candidato de consenso. Recentemente ele até se aborreceu, dizendo que não era mais, mas acho que era só calundu e eu acredito que ele tem boas chances de ser o escolhido e vencer o pleito, até porque o prefeito João Henrique tem feito uma péssima administração em Salvador e tem se portado também como um político sem nenhum ideal ou ética. Todos sabem que João Henrique foi eleito para o segundo turno por causa do PMDB, por causa das verbas que Geddel mandou do Ministério da Integração para que ele fizesse obras boas em Salvador como é a do Imbuí e da canalização da Cinqüentenário, iluminação da cidade, entre outras, e ele nega isto hoje, dizendo que não, que foi ele quem fez. Ou seja, o comportamento político dele é uma decepção. Para mim não foi surpresa, pois eu convivi com essa ‘carneirada’ na minha época de prefeito e sei os papéis do pai dele e companhia. O PMDB fez o apoio, mas eu disse a Geddel que não acreditava em João Henrique, não foi falta de aviso.

 

J.D. – E como o Sr. vê a atuação de deputados petistas aqui na nossa região, no momento em que vivemos uma crise no setor calçadista por exemplo e a perspectiva de perdermos órgãos importantes como a inspetoria do TCM e Fiscal?

Michel Hagge – Na minha opinião os deputados petistas estão omissos dessa região, porque eu não vejo nada que eles tenham trazido para cá. Temos aí o projeto Minha Casa Minha Vida que é do governo federal, programa que foi instituído pelo presidente Lula naquela ocasião e que a Dilma tá dando continuidade. Ou seja, esses programas não tem nenhuma ingerência de deputado nem de prefeito, é uma obra federal que vem através da Caixa Econômica, fazendo parte do Plano de Aceleração do Crescimento. Também não os vemos atuando na questão de defesa dos postos de trabalho que a fábrica de calçados gera aqui e na região. É necessário que deputados e o próprio governo federal olhem para esta questão com mais zelo, para que o empresário local não se veja prejudicado e vá fazer com que haja os desempregos que estão aí em vários lugares do país todo. O caso da Azaleia não é isolado não, temos muitas empresas que estão passando por um processo muito difícil, de concorrência desleal, com os produtos que vem da China. Daqui alguns dias corremos o risco de ver também a agricultura passar a sofrer com esse comércio. Era necessário que os deputados federais e também estaduais tomassem uma atitude muito firme junto com o governo para que fossem adotadas medidas que venham a proteger a indústria nacional.

 

J.D. – E quanto à atual administração da cidade, que avaliação o senhor faria, um vez que faltam poucos meses para mais uma disputa política?

Michel Hagge – Recebi um panfleto do IPTU onde notei que existem propagandas de “obras” do atual prefeito que a gente não vê na cidade, se andarmos pelos bairros. O maior crime que esta administração fez com Itapetinga, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente, foi deixar a obra do esgotamento sanitário cair e se acabar. A lagoa de decantação que fizemos, se quiserem continuar a obra, terá que se gastar mais de um milhão para se recuperar ela, tal o estrago que eles deixaram fazer. Tomou-se um empréstimo junto à Caixa Econômica na minha época, gastou-se pouco mais de dois milhões na execução do projeto e o restante, mais de 3 milhões, ficou na Caixa, à disposição da prefeitura. Não se entende o porque de eles não terem tocado o projeto. O que se presume é que colocaram um incompetente, que não entende nada de projeto, a dizer que ele era obsoleto e por isso não continuaram. Na minha opinião não continuaram por falta de tino administrativo, de querer trabalhar, por falta de conhecimento da causa. Na realidade a conclusão dessa obra que iria nos garantir o tratamento dos esgotos e a despoluição do Rio Catolé bem como o tratamentos do grotões, foi quem me levou a tentar conseguir o quarto mandato, pois sempre quis ver esta nossa cidade 100% saneada, mas infelizmente parece que a população de Itapetinga não conseguiu enxergar esta necessidade. Todos nós sabemos que esgotamento sanitário é saúde e é obrigação de todo administrador cuidar desta parte como o maior zelo possível.

 

J.D. – Mais algo a acrescentar?

Michel Hagge – Para finalizar, quero agradecer a todos os que nos ligaram, telefonaram, visitaram, enfim, se preocuparam com nosso estado de saúde. Que Deus possa abençoar a todos.

 

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