Manoel Buarque Alvim: ele instalou o primeiro cinema e foi o primeiro locutor de Itororó – II

modelo 1Os primeiros comunicadores da primeira emissora de rádio de Itororó foram: Nerito Sena, Marcelo Dutra, Aline Melo, Márcia Cerqueira, Rogério Cedro, Miro Marques, Wagner Ribeiro e Willian Leal.

Mas voltando ao primeiro comunicar de Itororó, Manoel Buarque Alvim, contam quando em vez ele estava trabalhando normalmente na programação do serviço de alto falantes quando se lembrava das assadeiras de pães dentro do forno, ele então se esquecia que o microfone estava aberto e gritava com sua mulher: “Idalina, corre lá senão vai queimar os pães”.

Itororó sempre lançou bons locutores no mundo da comunicação, mas também contou com alguns comunicadores que escreveram o nome na história pelas suas falas jocosas. E deste seleto elenco ressaltamos Genier Cardoso, o popular Jota Cardoso que certa vez se referindo a um defeito técnico ocorrido no equipamento da Voz da Cidade, ele anunciou: – “Osias, corre cá que o negócio deu gromogô”. – O mesmo lançou um serviço de som numa bicicleta que tinha por nome “a publicicleta” e foi nesse veículo de comunicação que ele anunciou:- “Atenção juventude, hoje no Colônia Clube de Itororó uma ‘grandiosa festinha’ para os jovens”.

E Manuel Buarque, o precursor da nossa comunicação com seus anúncios pra lá de engraçados. O serviço de alto falante de Manoel Buarque era intitulado Serviço de Alto Falantes a Voz do Cine Tupinambá e tinha somente duas bocas de Alto Falantes instaladas na cidade. E por ter apenas duas cornetas instaladas em pontos estratégicos da cidade, Manuel Buarque tinha dificuldades em atingir toda a população com a sua comunicação, então, muitas vezes, ele utilizava-se de um gigantesco funil em forma de megafone para atingir o público desejado percorrendo, a pé, todas as ruas da cidade.

E, uma certa vez, assim ele anunciava: – “Atenção cambada, hoje no Cine Tupinambá tem filme Cowboy, é com Roy Rogers o herói do cavalo branco. Tem tiro pra caramba e tem porrada como quê. Quem não for tá rebocado”. – Rebocado era naquela época um ditado bem usado assim como esse tal de “Vôte” que Zé Gomes, Zé Ramos e Antonio Campos fazem questão de mantê-lo em evidência. Esta fala do nobre comunicador Buarque ficou gravada nos anais da história dos comunicadores de Itororó como um fato hilário e não como uma gafe.

Manoel Buarque Alvim escreveu seu nome na história de Itororó como um empresário polivalente nos ramos de padaria, cinema, torrefação de café, moagem de milho e político. Contam os mais velhos que certa vez o velho Buarque estava feliz com os últimos resultados das eleições para seu Partido UDN, e resolveu fazer um churrasco para comemorar com os amigos e correligionários. Convidou muita gente e sua casa ficou estufada daqueles que adoram uma boca livre para comer e beber. Zé Pitoquinha era um baixinho quase anão que atuava como serviçal da casa, da padaria, e era o tabuleteiro oficial do Cine Tupinambá. Nesse dia, Zé Pitoquinha se sentindo gente da casa, extrapolou na bebida, encheu o talo de caipirinha até perder o controle das suas ações. Se encontrando descontrolado, deitou na cama do casal e pegou no sono. Mais tarde, Manoel Buarque precisou entrar no quarto, quando deu de cara com Zé Pitoquinha roncando em desatino em cima de sua cama. Manoel Buarque e Dona Idalina era um casal sem filhos. Então Buarque em tom de brincadeira chamou Dona Idalina e disse: “Idalina corre cá, a festa tá tão boa que nós até ganhamos um filho adotivo, venha depressa pra tu ver que menino lindo!” Quando Dona Idalina viu aquela cena, correu na cozinha pegou a vassoura e miudou o cabo de vassoura no Zé Pitoquinha dizendo: “Espera aí descarado que tu ver quem é o filho adotivo”.

Zé Pitoquinha sarou a cachaça no mesmo instante e saiu correndo com a cabeça cheia de “galos” das pauladas que levou de Dona Idalina.

Manoel Buarque Alvim era natural da cidade de Maragogí – Estado de Alagoas, nascido a 31 de dezembro de 1899, filho de Ernesto Alvim e Felisbela Buarque Alvim e faleceu no dia 11 de abril de 1968 aos 69 anos de idade. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Itororó.

Manoel Buarque Alvim chegou a Itororó no final da década de 30 do Século XX e logo instalou o primeiro cinema da cidade, Cine Tupinambá. Em seguida instalou a Padaria Tupinambá e mais tarde uma pequena torrefação de café e moagem de milho, sempre com a marca registrada dos produtos Tupinambá. Era casado com Dona Idalina Silva Buarque, nascida a 13 de maio de 1904 e falecida em 25 de agosto de 1970, mas não deixaram filhos.

Fontes fidedignas garantem que Manoel Buarque Alvim, quando chegou a Itororó, era desertor da Marinha de Guerra do Estado de Alagoas e que encontrou refúgio nesta terra, onde fundou o Partido UDN e conseguiu fazer uma boa amizade não só na cidade e região, mas, também, com o então Interventor e depois Governador do Estado da Bahia, General Juracy Montenegro Magalhães. Isto, segundo a mesma inalienável fonte, provaria a presença do político baiano na sua única visita que fez a Itororó, participar de um almoço na residência do padeiro, à Rua Tiradentes, nº 70, no inicio dos anos 60, quando o vereador e postulante ao cargo de prefeito de Itororó, Henrique Brito, esperava Sua Excelência para o almoço em sua casa, mas o nobre governador preferiu almoçar com o amigo empresário no ramo de panificação, Manoel Buarque Alvim, que era presidente local do seu Partido UDN – União Democrática Nacional – Partido que posteriormente foi responsável pela candidatura de Agostinho Costa Santos ao principal cargo do Município nas eleições de 1958,1962 e 1966 quando o sergipano “Velho Pajé”, por incentivo do coletor e seu compadre Wilson Leão e outros correligionários, conseguiu se eleger prefeito de Itororó, sendo candidato único.

 

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

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