Leonardo Carvalho e AAFCI se pronunciam sobre evento negativo na Vila Riachão

futAs consequências de muitas decisões que um árbitro de futebol tem que tomar durante uma partida podem ser tanto incorrigíveis, como dramáticas. Mesmo quando acertada, a decisão de um árbitro ainda terá que esperar pelo julgo dos atletas e torcedores que, por muitas vezes, são injustos e violentos.

Este é o contexto do que aconteceu no final da rodada do último domingo no campo de futebol da Vila Riachão, valendo pelo Campeonato Suburbano da 2°divisão do bairro. Os dois jogos do domingo terminaram empatados, mas o placar igualado no final de jogo entre os times do Juventude e Vasco acabou em muita confusão, após uma decisão tomada pelo árbitro responsável pelo jogo, Leonardo Oliveira Carvalho. O Vasco vencia o Juventude por 1 a 0, e o jogo que já estava no final, se encaminhava para uma vitória do Vasco. Mas uma decisão tomada pelo árbitro oportunizou a chance de um empate do Juventude. Leonardo marcou um tiro indireto, depois que o goleiro do Vasco, mesmo ganhando o jogo, disparou palavras de agressão moral à sua pessoa, que aplicou a regra imediatamente. O tiro indireto foi dentro da grande área, onde o goleiro estava na hora do ocorrido, e a oportunidade dada ao Juventus, não foi desperdiçada: o jogo acabou empatado. Daí em diante, a revolta tomou conta dos torcedores que chegaram a invadir o campo para agredir Leonardo. O árbitro de 26 anos, relatou ao Dimensão sobre sua situação desconfortável e perigosa naqueles intermináveis minutos da manhã. “Já passei por situações difíceis, mas esta foi a pior, pois os torcedores do Vasco queriam, de qualquer maneira, me linchar com pedras prestes a serem arremessadas”, disse. Durante a entrevista, Leonardo demonstrou força ao responder que já está pronto pra voltar a atuar, e aquele episódio, apesar de perigoso e estressante, não o desmotivará para o que escolheu ser. A Associação de Árbitro de Futebol de Campo de Itapetinga (AAFCI), se manifestou contra o ato isolado, e deu ciência por meio de uma carta, do boicote da próxima rodada no bairro da Vila Riachão, dia 04 de maio. Na carta, a AAFCI defende a atitude de Leonardo, justificando a sua decisão como correta dentro das regras da FIFA.

O pior só não aconteceu por que os guardas municipais Jorge, Jovelino, Ronaldo e Marcelo intervieram e apaziguaram o que poderia ter tido um desfecho criminoso contra o “Juiz”. Para Leonardo, o seu socorro apareceu como “anjos” no meio de tudo aquilo, e fez questão que os mesmo fossem mencionados nesta reportagem. A AAFCI também colocou em carta, a difícil situação da arbitragem profissional quando cometem erros, e mesmo se houvesse errado na partida, o árbitro amador deste episódio, não merecia tal tentativa de agressão.

Talvez a maior diferença entre a classe profissional e amadora, seja mesmo as condições de segurança, em meio à vulnerabilidade dos árbitros que apitam o suburbano e trabalham próximos dos torcedores. Por fim, o árbitro Leonardo, que tem 9 anos de experiência na sua profissão secundária, disse que os próprios representantes dos clubes estimulam, através de críticas infundadas, algumas atitudes de torcedores. A Associação finalizou sua carta pedindo reflexão dos clubes, jogadores e Ligas, sobre a oportunidade e a chance de explorarem o recurso da mídia a seu favor, e não por situações desfavoráveis como essa.

A discussão ainda promete se prolongar, e a atitude de não atuar na Vila por uma rodada, não foi unânime entre os que acompanham a Segundona no bairro. Para alguns torcedores o boicote na Vila não é justo.

Acalmados os ânimos, uma nova reunião, com presença inclusive de representantes da Secretaria de Esportes, decidiu por dar sequência ao campeonato da Vila Riachão, com presença da arbitragem oficial da AAFCI.

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