Joana Mascate viveu 141 anos!

 

Joana Mascate, em uma de suas últimas fotos

Joana Mendes da Paixão, ou simplesmente Joana Mascate, foi uma figura das mais populares de Itabuna dos tempos idos. Segundo informações da sua época, ela morreu com 141 anos, dos quais 43 foram vividos em Itabuna. Joana Mascate nasceu num lugar denominado Lençóis do Rio Verde no estado das Minas Gerais, e faleceu a 29 de março de 1927 na cidade de Itabuna-Bahia.

Joana Mascate chegou à cidade grapiúna já com idade avançada de 98 anos e se estabeleceu na Rua de Areia. Segundo ela contava, passou a sua mocidade em Rio Pardo, onde se casou com Bento Mendes de Sales, de cuja união matrimonial nasceram 22 filhos.

Joana Mascate entrou em Itabuna na companhia de, pelo menos, três dos seus filhos: Manoel, José Antonio e Joaquina, todos já idosos.

Joana Mascate ali exerceu, por muito tempo, o ofício de parteira. Aquela velha senhora bebia cachaça em demasia, porém, nunca perdeu o controle da vida. Todo dinheiro que arrecadava das doações das parturientes e da venda das bugigangas que mascateava, ela tirava metade para seu sustento e a outra metade era entregue para obras religiosas como se fosse, ao seu entender, a devolução do Dízimo. Primeiro ela dividia o dinheiro que pretendia dar em duas partes e dava metade para a construção da Capelinha de Santo Antonio e depois entregava a outra parte para a Igreja Matriz. Por este motivo os políticos disputavam, a miúde, a presença da velha parteira e comerciante ambulante nos seus palanques políticos.

Joana Mascate não perdia uma missa dominical e nunca deixou de acompanhar os enterros que tinha conhecimento, mesmo os mais distantes e desconhecidos. Nas suas caminhadas pelas ruas de Itabuna estava sempre apoiada no seu inseparável cacetinho e cumprimentava a todos que encontrava pelo caminho. Por várias vezes ela esteve à beira da morte, por isso, recebeu a extrema unção por três vezes.

Quando a velha mascate completou 110 anos, nasceram-lhe dois dentinhos no canto da boca. Ela procurou o dentista para extraí-los, mas foi aconselhada a deixar que com o tempo eles cairiam.

O enterro de Joana Mascate foi muito bem acompanhado. Presente a Filarmônica Euterpe Itabunense, representantes das sociedades religiosas, políticos e todos os seus amigos e admiradores.

O Sr. Filadelfio Almeida, de grande influência na sociedade, foi indicado para fazer a despedida do corpo e fez um bonito traçado da vida daquela figura que se transformou na personalidade mais popular dos velhos tempos de Itabuna.

Uma curiosidade registrada naquele dia. O doutor Carlos Cavalcanti, diretor do Hospital Santa Cruz, a bem da ciência médica, procedeu à autópsia do cadáver, coisa rara naquele tempo, pois de todos os mortos era retirada uma amostra do fígado e enviada a Belo Horizonte para se conhecer a causa morte, porém, o cadáver de Joana Mascate, o médico necropsiou no mesmo dia e encontrou todos os seus órgãos dentro da mais perfeita ordem, não obstante o uso da aguardente que ela fazia em demasia.

Como lembrança da velha Joana Mascate, restou a sua filha Joaquina Mascate que durante muito tempo se sentava debaixo das marquises da Praça Adami para pedir esmolas, segundo ela, a fim de comprar uma casinha. Até que no ano de 1931, um perverso entrou em seu barraco à noite, e a degolou com navalha para roubar o pouco que tinha juntado. Fato registrado por José Dantas de Andrade em “Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna”.

 

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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