Itororó expressou gratidão a Sinval Palmeira e Aurora Valadares em sessão especial do Legislativo

modelo 1A população itororoense relembrou entusiasticamente, na noite de 29 de novembro, duas marcantes datas deste ano de 2013, quando se irmanou aos familiares da professora Aurora Valadares de Almeida que teria completado 100 anos no dia 28 de junho que passou e aos familiares do Dr. Sinval Palmeira Vieira que, no dia 19 deste mês de novembro, também teria passado por esta efemérides. As felicitações foram pela celebração dos seus Jubileus de Jequitibá que marcariam seus aniversários de um centenário de nascimento. Eles que se vivos fossem, estariam regozijando conosco calorosamente estas datas tão marcantes em suas vidas. Como membros da nossa sociedade eles ajudaram em suas áreas competenciais, evidentemente, a escrever lindas páginas da belíssima história de Itororó. E como dizia o Padre Antonio Vieira: “A palavra passa, o vento leva e o tempo a destrói, mas a obra ficará marcada eternamente”. Então as palavras que eles proferiram um dia se foram pelo espaço, o vento as levou e as destruiu, mas as obras que eles deixaram ficarão eternamente marcadas na história deste povo com quem eles conviveram discutindo, construindo e educando, porque a participação de uma pessoa, aqui reconhecida simplesmente por personagem dessa história, não se faz unicamente pela cor da tinta da caneta que ela usava na hora de apor a sua chancela, mas, sobretudo,pela ranhura que a mesma caneta provoca, ferindo o papel, para deixar sua marca ainda mais indelével.

A participação da professora Aurora Valadares de Almeida e do Dr. Sinval Palmeira Vieira, no entanto, se refletem nas estrofes seguintes do hino a Itororó. A letra do nosso hino traduz o sentimento do nosso povo que, ao longo destes 90 anos de fundação de nossa querida Itororó, enfrentou, com bravura e heroísmo, muitas lutas, amargou algumas derrotas, é verdade, mas, também, conquistou vitórias que marcaram a história do seu povo. Tempo em que, a educadora Aurora Valadares de Almeida e o Dr. Sinval Palmeira Vieira se uniram a sua brava gente que, heroicamente, passou por algum tipo de pelourinho na vida, mas um “belo dia viu raiar no horizonte um sol lindo de brilho sem par”…

Esta frase está orgulhosamente contida na composição do Hino a Itororó, criada pelo professor Renê Dubois, do Colégio Taylor Egydio de Jaguaquara – Bahia, num projeto arrojado da professora Consuelo Gumez Lopo, da primeira turma de professores do Ginásio Juracy Magalhães, ao qual a professora Aurora Valadares de Almeida também pertenceu como brilhante educadora.

“Ah! Se eu pudesse levaria toda criança abandonada para uma casa onde fizesse funcionar uma escola. Sairia da minha companhia pronta, educada, e eu não veria mais uma prisão, nem a miséria dos menores defratores. Faria de todos homens de bem, aí sim, seria ainda mais feliz” – Aurora Valadares de Almeida.

 

Participação do Legislativo

A solenidade ocorreu no dia 29 na Câmara de Vereadores de Itororó, com participação de todos os 10 vereadores presentes, além da atriz Lila Azevedo que fez um monólogo e o cantor sacro Agnaldo Moreira.

Gláucia Valadares, filha da professora homenageada, presente à solenidade, fez a leitura de um texto de Lígia Valadares, escritora e psicóloga que mora no Rio de Janeiro, relembrando sua mãe e agradecendo a Miro Marques pelo momento de celebração do centenário. “Acho que esta homenagem significa reconhecimento e continuidade, daquilo que foi seu projeto de vida, estabelecido conscientemente, sempre obstinado em educar para libertar, alicerçando na crença do projeto utópico da educação brasileira”.

Dando testemunho da força de sua mãe, ela disse ainda que “Aurora, nutrida de esperança, não se conformou em permanecer no sertão baiano sob o olhar seguro da família, preferindo enfrentar as pressões dos pais para dar continuidade a sua formação acadêmica. Em 1935, enfim com a bênção dos pais, segue de navio rumo a São Paulo onde se aperfeiçoou em pedagogia e inglês, no “Mackenzie College”, matriz das escolas americanas presbiterianas no Brasil, fincado na capital paulista. Contava-nos que nessa época, seus estudos de pedagogia começavam a receber grande influência da psicologia, no processo de aprendizagem, quando na Europa já se expandi as ciências humanas”, relembraram Gláucia e Lígia.

As descendentes de Aurora Valadares fizeram também agradecimentos àqueles que organizaram a solenidade e nela estiveram envolvidos. “Entendemos que o orgulho pelo resgate da memória desta cidadã embaixadora da educação em nossa cidade, não é um legado deixado apenas a nós filhos, netos, enfim à família, mas que este o foi também para a sociedade de Itororó, em seu corpo político, social, cultural e comunitário. Nesse sentido nos cabe como filhos, agradecermos aos ilustríssimos vereadores da Câmara Municipal e demais instituições desta cidade. Não poderíamos deixar de citar o nosso menestrel. Ai de nós e de Itororó – no sentido amplo de terra, povo e cultura – sem Miro Marques, seríamos vazios, sem atingir o ontem, reconhecer o hoje e descobrir o amanhã como seres desenraizados e cambiantes. Mas graças a esse cara, nós itororoenses temos uma historicidade, dimensionalidade, criando e recriando, discernindo e transcendendo.Se somente a nós humanos, é exclusivo a historicidade e a cultura, nesse sentido, Miro Marques contribui na prática, como vetor que recorta e compila os fatos históricos e culturais da nossa cidade e de seus filhos ilustres, uma força extraordinária para nos livrarmos de sermos gatos, que são incapazes de emergir do tempo, discernir e transcender. Miro, sem você como seria falar dessa gente, dessa terra?!”.

No final da solenidade, foi feita a exibição do documentário “O Centenário de Sinval Palmeira”.

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