Itambé chamava Verruga e tinha água em abundância

modelo 1O relato histórico cultural do município de Itambé nos traz um panorama geral da garra de sua gente no que concerne o seu crescimento urbano, sua ação cultural e, sobretudo, o recato do seu povo como civilização.
Historiadores regionais nos afirmam que a penetração em território do atual município de Itambé se remonta ao ano de 1752, quando a Coroa Portuguesa, desejando promover abertura de estrada ligando o sertão ao litoral sul baiano, encarregou para esse fim o Capitão João Gonçalves da Costa, a quem ofereceu grande zona rural para colonização, resultando daí a abertura da grande Estrada Real ligando o sertão da Ressaca de Vitória da Conquista ao litoral sul de Ilhéus, à margem da qual se encontra a cidade de Itambé. A palavra Itambé é de origem Tupi e significa Pedra Afiada
Plagiando, pois o Mestre Jesus quando disse a Pedro: “és pedra e sobre ti edificarei a minha Igreja”, os primeiros moradores acreditaram e também quiseram edificar sobre aquela pedra afiada um povoado que se chamaria Verruga, mas que haveria de transformar, ao longo do tempo, numa aprazível cidade no Médio Sudoeste Baiano.
Em 1890, registrou-se uma grande seca no alto sertão, obrigando muitas famílias saírem em retirada em busca de dias melhores pelas bandas das zonas da mata e da costa sul baiana, tendo depois de muito sofrimento conseguido abrigo como garimpeiros, nome dado a quem trabalhava na abertura das estradas feitas à base de picareta e enxada, às margens dos Rios Pardo e Verruga, numa localidade que lhes parecia propícia para plantação de lavouras e formação de pastarias. Foi assim que inúmeras famílias que também prestaram serviço na construção dessa estrada, se firmaram por ali demarcando suas áreas de terras e começando uma nova vida. Destas famílias se destacaram pelo trabalho árduo e profícuo em prol da agricultura e da pecuária, a de Manuel Balbino da Paixão que se afazendou na barra do Rio Verruga; a de Manuel Raimundo da Fonseca que se fez proprietário da Fazenda Santa Maria e a de Estevam Gonçalves de Oliveira que se instalou numa pequena faixa de terras onde hoje se localiza o centro da cidade de Itambé. Esta última área, dado ao zelo e o cuidado com que seu proprietário nela empreendia, tornou-se modelo para quem procurava uma boa gleba com qualidade para formação de uma fazenda de lavoura ou de criatório de gado. E isto, contribuiu de forma decisiva para o incentivo a formação de grandes propriedades rurais de lavoura e pecuária, atraindo a presença de inúmeros colonos que levaram esta que hoje é a grande cidade de Itambé a chegar ao alto padrão de desenvolvimento urbanístico desde povoado de Verruga, localizado na separação das águas do Rio Pardo e do Rio Verruga e assim, a povoação do vilarejo de Verruga já conseguia aparecer nos quadros do Recenseamento Geral do Brasil de 1920, integrando-se ao município de Conquista, graças ao valoroso trabalho de Bernardino Lopes Moitinho, genro de João Gonçalves da Costa, fundador de Vitória da Conquista, que passou a responsabilidade da construção da primeira Estrada Pedestre ligando o Sertão ao Litoral Sul do Estado, de Conquista a Ilhéus. Bernardino Lopes Moitinho teria concluído a estrada em 1780 e tido como recompensa uma sesmaria de terras entre os municípios de Itambé, Itapetinga e Caatiba, chamada Fazenda Onça, a primeira de papel passado em cartório na região.
O historicismo cultural dá conta e confirma ainda que duas famílias desceram a serra do Marçal e ficaram maravilhadas com o verde exuberante que as encheu de esperança, dando fim a uma longa viagem rumo ao litoral. Essa região era habitada pelos índios Pataxós e Mongoiós, que defendiam suas terras bravamente. Não se sabe, porém, com quais argumentos os senhores Manoel Balbino da Paixão e Manoel Raimundo da Fonseca, chefes das famílias, ainda lá na serra do Marçal, negociaram com os índios a permissão para se instalarem por ali.
Acamparam as margens do riacho Santa Maria, lugar com características que eles tanto procuravam e como as terras eram boas, muitos colonos foram atraídos para o local, gerando assim alguns conflitos com os pataxós. Nessa época os padres capuchinhos viajavam longas distâncias no lombo de burros para catequizar os novos moradores e os índios, foi então construída a primeira capela do povoado feita de taipa a margem esquerda do córrego Santa Maria. As famílias tomaram por intercessor São Sebastião, o santo das flechas, em busca de paz com os índios.
O distrito e município de Itambé foram criados pela Lei Estadual nº 2.042, de 12 de agosto de 1927, desmembrado do território de Conquista, sede do povoado de Verruga com a denominação de Itambé. Instalado a 1º de janeiro de 1928, figura o município de Itambé, na divisão administrativa do Brasil, referente a 1933, composto unicamente do distrito da sede, verificando-se o mesmo nas divisões territoriais datadas de 31- XII – 1936 e 31 – XII – 1937, como também no quadro anexo ao Decreto-Lei Estadual número 0724, de 30 de março de 1938. Por força do Decreto Estadual nº 11.089, de 30 de novembro de 1938, o município de Itambé adquiriu o distrito de Itatinga, do município de Conquista. Assim, no quadro territorial em vigor no quinquênio 1939-1943, estabelecido pelo já citado Decreto Estadual nº 11.089, Itambé aparece constituído por dois distritos, o da sede e o de Itatinga, observando-se o mesmo no quadro vigente em 1944-1948, fixado pelo Decreto-lei estadual número 141, de 31 de dezembro de 1943, e retificado pelo Decreto Estadual número 12.978, de 1º de junho de 1944, notando-se, todavia, que, nesse quadro, o segundo distrito teve mudado seu nome de Itatinga para Itapetinga. Com a criação do município de Itapetinga, pela Lei Estadual número 508, de 12.1952, ficou o município de Itambé novamente constituído por um único distrito, o de idêntico nome, até 1953 quando, o segundo distrito teve mudado seu topônimo para Itapetinga.
Pela Lei Estadual de número 628, de 30 de dezembro de 1953, foi criado o distrito de Catolezinho dentro do município de Itambé, fazendo que este Município voltasse a ser constituído de dois distritos: o distrito sede e o de Catolezinho.
O Primeiro Intendente de Itambé foi o Sr. Higino dos Santos Melo, empossado em 01 de janeiro de 1928 e o seu primeiro prefeito eleito pelo voto direto dos seus concidadãos foi o Dr. Aparício Couto, homem que o povo de Itambé elegeu numa eleição pacifica para dirigir os destinos do Município por um mandato de quatro anos, reconhecendo os seus relevantes serviços na área da agronomia, pois fora ele responsável pelas marcações e plantas das primeiras propriedades rurais da região.
Itambé está localizada na Zona Fisiográfica de Conquista e se situa na parte Sudoeste do Estado da Bahia. Limita-se com os seguinte municípios: Encruzilhada, Itapetinga, Macarani, Caatiba e Vitória da Conquista.
O território de Itambé, privilegiadamente é banhado pelos seguintes rios: Pardo, Verruga, Catolé Grande, José Jacinto, Catolezinho, o da Onça e a queda d’água com uma precipitação de oito metros registrada no córrego Santa Maria.
Suas riquezas minerais comprovadas: água marinha, ametista, cristal de rocha, berilo, mica e columbita. A sua flora ainda mantém inúmeras espécies de madeira de lei como: Ipê, Jequitibá, peroba rosa, pau d’arco, cedro, putumuju, jacarandá, baraúna e outras que compõe sua reserva de mata atlântica. Sua fauna é rica de animais como: porcos selvagens, tatu, veados, cotias, paca e muitos outros assim como: zabelê, pomba verdadeira, corujas, rolinhas caldo de feijão e fogo pagô, araquã, inhambu, gaviões de várias espécies e muitos outros.
Sua população total em 2007, segundo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, era 33.687 habitantes produzindo uma densidade demográfica de 24, 06 habitantes por quilômetros quadrado.
A economia de Itambé é baseada na agricultura, pecuária, comércio, extração mineral e indústrias de pequeno porte, sendo o destaque a pecuária. As culturas agrícolas que se destacam são: feijão, mandioca, milho, banana e cacau. Na pecuária, o município possui rebanhos: bovinos, equinos, suínos, ovinos e aves. Itambé é também um município rico em minérios vários: extrai-se berilo, calcário, cristal de rocha, feldspato, fluorita, nióbio, columbita, caulim, pegmatitos, cristais transparentes, cristal róseo, águas marinhas, urânio, ametista, micas, amianto e barita. A cidade possui indústrias de esquadria de ferro, suporte para panos de limpeza, selaria, capotaria, olaria, sapataria, produtos alimentícios, serviço de metalurgia.
O município de Itambé é muito bem servido de escolas, possui 3 colégios estaduais de 1º e 2º graus. Existem 50 escolas municipais espalhadas pela sede, distritos e zona rural. A cidade possui também uma escola particular, o Centro Educacional Enoy Ferraz Trancoso, no centro da cidade, duas creches que atendem a população carente: Magda Maria Correia, no centro da cidade e Maria Fernandes Achy, no Felipe Achy.
A Prefeitura Municipal de Itambé mantém um convênio com a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), que oferece cursos superiores em Letras, Ciências naturais, Física, Biologia, Química, Matemática, Geografia e História, no polo de educação à distância (ead) na sede do município.

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