Homens raros

kaluOutro dia estive lendo em uma revista médica um artigo sobre o Prof. Adib D. Jatene, intitulado: Um homem raro. Fiquei então pensando quantas pessoas raras ainda existem entre nós? Muitas precisam se ausentar deste mundo, para ser consideradas raras. No campo da política é difícil encontrar um representante que mereça tal honraria. Se não em vida, muito menos post-mortem. O que é necessário para alguém ser considerado raro? Portadores de grandes fortunas dificilmente desfrutarão deste privilégio, por mais que façam doações para amaciarem o ego. No caso do Prof. Adib Jatene, era tido como empreendedor e inovador. Tinha visão humanística, capacidade intelectual e inteligência aguçada. Meu pai Silio Dutra, foi um homem raro, não só pela pela sabedoria, honradez, e decência, mas sobretudo pela honestidade. Um gigante no trabalho que fazia tudo com prazer, desde as tarefas mais simples. Durante sua vida conquistou além do respeito, uma legião de amigos. Será que iremos encontrar entre os nossos políticos atuais, homens com tais predicados? Certamente, que não. Só no quesito honestidade excluiria a imensa maioria.

 

O que fazer aos domingos

Frente às raras opções que há em nossa cidade, é preciso inventar para não deixar que o domingo seja monótono. Há aqueles que se deslocam para as fazendas, principalmente as mais próximas à cidade. A turma do copo escolhe seu ponto de referência, quer nos clubes ou nos bares, para jogar conversa fora. Outros preferem os cultos religiosos, em busca da paz ou quem sabe da salvação eterna. Optar por almoçar fora de casa não tem sido lá uma boa escolha. Sair de casa para almoçar em restaurante de comida a quilo não é lá muito a minha praia. Apesar de vivermos na região da pecuária e na terra do boi, a cidade carece de uma boa churrascaria. A grande maioria prefere mesmo é ficar em casa. Quando isso acontece comigo procuro ocupar o tempo ouvindo música, lendo, escrevendo ou tocando meu violão. Se depender da TV, estou morto, pois não há nada que se aproveite. Tenho andado meio preguiçoso para a leitura. Ganhei de presente do mano Rui o último livro de Chico Buarque – “O irmão alemão”, que li apenas algumas poucas páginas. Parei no meio de: “O doente imaginado”, de Marco Bobbio, que comprei recentemente. Meu professor de violão, Abdias Silva, viajou para Salvador antes do Carnaval, ficando um bom tempo ausente. Na última sexta feira contei com a presença dos músicos Toinho de Mairi e Neto Alencar, em uma noitada de violão em minha residência. O convite foi extensivo ao amigo e músico Sérgio Fauaze, que gentilmente trouxe uma bandeja de doces e salgados, mas infelizmente não pôde permanecer. Foi representado pelo filho Iuri e a namorada Kelly. Prometeu que retornaria em outra oportunidade. Pode ter certeza Serjão, que irei cobrar. Abrilhantando a noite, os amigos Agnelo Nunes, Gilson de Jesus, Getrinho, Heneile, Alaércio, Nídia e Rebeca. O churrasco ficou por conta do meu filho Gabriel, um expert no assunto. Minha esposa Nadja além de ter feito as honras da casa, nos proporcionou uma noite agradabilíssima, servindo a todos os canapés e comes e bebes. Costumo brincar com a turma, que tira-gosto pra mim, só se for de carne. Se regado a uma cerveja gelada, melhor ainda. Não faltou nem a farofa de tripa de porco, encomendada no bar do Andrelício, lá da lagoa, apreciada por Agnelo e Gilson. Ouvindo Neto e Toinho ao violão, senti que preciso estudar um pouco mais o instrumento para estar à altura deles. Tocando com a nata da música a gente acaba aprendendo, nem que seja por osmose. Encerramos a farra à meia noite, com a promessa de que muito em breve faremos outras reuniões. Nada melhor como uma bela noite entre amigos, regada a boa música e muita risada, onde a política passou longe, que ninguém é de ferro.

 

O som das academias de ginástica

Sem sombra de dúvida a atividade física tem uma importância fundamental na qualidade de vida e na saúde das pessoas. O sedentarismo está entre os fatores de riscos que predispõe às doenças cardiovasculares, juntamente com a hipertensão, a obesidade, a elevação do colesterol, o tabagismo e o stress, sem esquecer dos antecedentes familiares. Nossa cidade já dispõe de algumas academias de qualidade, que supre muito bem a necessidade das pessoas. Algumas até com orientação de profissionais qualificados. Sempre preferi minha boa caminhada realizada em volta da lagoa, já que andar na beira da pista não é lá tão seguro como antigamente. Na década de oitenta, em companhia do mano Rui, do professor João Logeto (de saudosa memória), Gaguinho e Orlandão, fazíamos o percurso até o posto policial, em caminhada bem rápida. Era preciso fôlego e perna para seguir o ritmo da turma. O amigo João Logeto não dispensava o radinho de pilha, sempre ligado em uma rádio local, para ouvir as notícias. A jornada começava bem cedo, às cinco horas da manhã. Fizemos isto por muitos anos. Depois o mano Rui se mudou, o amigo João nos deixou antes do combinado, Gaguinho também mudou de endereço e Orlandão ainda continua por aí. A gente percebe que muitas pessoas têm dado certa importância à atividade física. Recomendo sempre aos meus pacientes para darem prioridade a algum tipo de exercício físico, seja andar ou praticar em academias, desde que com orientação. O que sempre me deixou um pouco distante das academias foi o tipo de música que é tocado e a gente ser obrigado a ouvir, queira ou não. Não sei por qual cargas d’água, é o lugar onde se ouve a pior qualidade de música, se é que podemos chamar aquilo de música. Você prepara o espírito para relaxar um pouco em um ambiente que deveria ser bem descontraído, ao som de uma boa música, mas não é o que realmente acontece. E agora nesta época pós-carnaval, não tem ouvido e nem tímpano que aguenta. Ter de ouvir Timbalada, Psirico, Pablo, funk, sertanejo universitário e sei lá mais o que, é dose pra leão. Por ter que intercalar minhas caminhadas com algum tipo de exercício, parti para o sacrifício, mas acho que vou ter que fazer uso do protetor auricular ou então começar preparando uma seleção de músicas de qualidade para ver se consigo mudar um pouco o gosto da galera. É claro que não estou falando de Jazz, Bossa Nova ou MPB, pois posso ser até apedrejado por tal iniciativa, ou quem sabe expulso da academia, por ser minoria. Acredito que o ritmo contagiante e dançante da música cubana cairia muito bem no ambiente. O swing de Tim Maia e Jorge Benjor não seria lá uma má pedida. Esse negócio de mãozinha pra cima e tira o pé do chão já deu o que tinha de dar, ninguém aguenta mais. Há algumas canções embaladas de Paul Simon, com percussão de grupos africanos, que poderia cair como uma luva. Não custa nada tentar. Vai depender um pouco da boa vontade dos proprietários das academias para fazerem as mudanças, nem que seja a conta-gotas. No local onde estou me exercitando não sou o único a reclamar da qualidade e do tipo de som que se ouve. Tenho certeza que se for dar um giro por todas as academias que existem na cidade, não irei encontrar algo diferente. Como diz o velho ditado:”Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” Está dado o recado.

 

P.S: Para compensar a ausência em algumas edições, um artigo tipo três em um, como aquelas antigas latas de doce com marmelada, goiabada e pessegada. Pelo menos vai amenizando a cobrança de alguns dos meus raros leitores. Segundo o amigo Zé Ferreira, se parar de escrever, enferruja. Não sei, não!

 

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