História de vida esportiva de Mariosvaldo Morais Macedo (Val)

Mariosvaldo Morais Macedo, popularmente conhecido por Val, filho do saudoso agropecuarista Donaciano Macedo “Sinhorzinho Macedo” e Iracy Antunes Morais Macedo “Dona Missinha”, é nosso convidado da semana. Seus avós paternos foram Abílio Macedo e Antonia Macedo e maternos: Major Sabino Morais e Hercilia Antunes Morais.

Nasceu na Fazenda Campos, zona da Onça em Itapetinga no dia 11 de fevereiro de 1949, às 11h11, e o seu nome foi colocado com 11 letras.

A infância e adolescência foram vividas em Itapetinga e na Fazenda Campos, sempre em companhia do querido irmão, o médico Silvio Kléber Macedo. Admirador da natureza, fazia amizades com o povo do campo e adorava tomar banho nos rios Catolé e Onça. Gostava de jogar futebol e capoeira, sendo que nessa segunda modalidade foi inspirado com os causos do avô Major Sabino Morais. Os contatos com a bola começaram nos campos de várzeas, feitos na beira do Rio Catolé, no areião e no campinho do “Enfeza homem”, onde infernizavam Seu Liziário, pegando a canoa para atravessar o rio. O grupo de amigos adolescentes e boleiros era grande, dentre eles os mais próximos eram Beto, Alcidinho, Legarinho, Alemil, Pixilinga, Beba, Teco, Vermelho, Boião, João Cabelo de Milho, Renato, Rut, Buzeu, Grosso, Miltermaier, Eduardo, Liliu, Gagé, Zé Garcez, entre outros.

A partir dos anos 60, começou jogando futebol como ponta direita no Vasquinho de Nego Gerson, “pessoa que tenho grande admiração, pelo espírito de liderança, em formar os times infantil e juvenil do Vasquinho, conduzindo a garotada. Nessa época, a gente treinava a partir de 13h e jogava sempre aos domingos, era uma rivalidade muito grande com o time de Itororó, mas éramos sempre os vencedores, o time titular do Vasquinho infantil era escalado com Zé Pretinho, Paulo Coelho, Jackson, Marízio, Zé Antonio e Nego Domingos; Val, Alfredo Couto, João Dervan, Legarinho, Nego Luiz, e os reservas: Nego Sinval, Rafael Coelho, Nilsinho e Porrolo”, contou Val, enfatizando que após a temporada no Vasquinho, foi jogar no Fluminense de Belmiro e Miguel, que era escalado com Nivaldo, Marito, Renatinho, Luis “Bico de Galinha Sabida”, Merivaldo e Lodinho; Tonho, Carlos Evandro, Val, Joilson Feitosa e Ivo, e após esta fase, atuou no Flamenguinho de Marcone Pedro, time que fez história em Itapetinga, Itororó, Macarani e Itambé. “Neste período a gente já calçava chuteiras, e uma das escalações principais era: Espetor, Dé Sebinho, Calé, Zé Gordão, Carmilton, Roxo, Jailson Cara de Ralo, Legarinho, Val, Nego Luis, e Tonho B.. Fazia parte também do grupo, Betão, Zequinha, Bonfim, Carlos Evandro, Raul, Dema, Hermes, Nego Pedricio, Zé Pretinho e Rosa Mocotó”.

Ainda nesse período Val jogou no Montese de Itambé, que era administrado por João Lamego, considerado grande dirigente. Nesse time, se recorda do goleiro Veludo, do zagueiro Valdo, do meio campo Bené e o ponto alto, que era o ataque, formado por: Ataliba, Nego Dete, Val, Mauricio e Carlitão. O interessante do resgate da memória é que Val foi campeão e grande artilheiro em todos esses times citados. Depois dessa fase, foi levado por Luisão para o Bangú, que era o melhor time da cidade na época e se tornou artilheiro e várias vezes campeão, com o grupo formado por jogadores que eram a base da seleção: Ari, Zé Orlando, Hermes, Mineiro, Dijalma Guarde Belo, Nerivaldo, Clésio, Carlos Costa, Wellington, Roxo, Dema, Louro Quiabo, Zé Raimundo Buré, Nelson Calango, Chico Ferro Velho, Zé Emérito, Gerinha, Babá, Carlitão, Tim, Liu, Melosa, Viralino, Tonho Edmilson e Nego Duda.

Veio a convocação para a 1ª seleção de Itapetinga no Intermunicipal, dirigida por pessoas que Val considera grandes homens e amigos: Walmir Dias, Nilton, Agnaldo, Zildo, Té Brito, e Amilton Botelho. “E o que mais me engrandeceu, foi quando da convocação dos jogadores, o meu grande amigo Clésio falou em voz alta para todos que a maior e melhor convocação tinha sido a minha. Poxa vida, isso tem uma lembrança que permanece em minha mente e que eu nunca lembro de esquecer, nem esqueço de lembrar, me senti como rei, mesmo com toda esta humildade que trouxe de berço e que me é peculiar”, comentou o veterano, frisando “que foram momentos gloriosos nos períodos em que pude participar da seleção. Isto foi a partir do ano 1967. Um fato interessante, é que na seleção e no Bangú, o centroavante era Babá, mas quando fizemos a 1ª partida, as posições foram imediatamente mudadas, Babá foi jogar na ponta direita e a camisa 9 passou a ser minha de fato e de direito, mas Babá era também um grande jogador. O grupo selecionado era fantástico, goleiros: Ari, Zé Orlando, Hermes, Demi Mineiro; Clésio, Jurandir, Wellington, Luisão, Zé Gordão, Louro, Julhão, Roxo, Dema, Dé Sebinho, Nelson Calango, Vei Jair, Nego Dega, Zé Raimundo, Gerinha, Bradesco, Babá, Val, João FNM e Buré. Naquela época fomos muito bem tratados, até concentrações tinha, na fazenda de Propércio Botelho, no Ginásio Alfredo Dutra, e no hotel de Zildo”, comentou Val, se recordando dos primeiros jogos: primeiro foi contra a seleção de Vitória da Conquista, ganhando a 1ª partida no Lomantão por 1×0, com gol feito por ele; a 2ª partida foi em Itapetinga no Primaverão, ganhando por 2×0, gols de Zé Raimundo e Val. Na partida seguinte contra Ilhéus, a seleção daqui perdeu a 1ª lá em Ilhéus e ganhou as outras duas: uma por 1×0 (gol de Val) e a outra, ganhou novamente em Itapetinga, por 2×0. “A 3ª partida teve que ser aqui, por que tinha dado a maior renda. Gerinha e eu fizemos os gols. Vieram as partidas contra a seleção de Jequié, perdemos a 1ª lá por 4×1, ganhamos a 2ª aqui em Itapetinga, por 2×1, Gerinha e Val fizeram os gols e novamente o direito da 3ª partida foi aqui, mas perdemos por 2×1, fato que não gosto de lembrar, pois foi descoberto que o nosso goleiro Demi Mineiro, hoje falecido, se vendeu e tomou 2 gols inexplicáveis. Zé Raimundo fez o gol da nossa seleção”, recordou-se.

Val considerou uma das maiores partidas e que não lhe sai da lembrança, a que foi contra o Colo-Colo de Ilhéus, empatada em 1×1. Carlão fez o gol do Colo-Colo e Val o de Itapetinga. “E até hoje não consigo esquecer por que eu fiz um outro gol, que considero até hoje o mais bonito pela seleção de Itapetinga e o juiz Zé Guimarães anulou, foi um gol legitimo e não compreendo até hoje por que ele anulou o gol que aconteceu na área que fica do lado da lagoa. Foi nesta mesma área que fiz o primeiro, mas o juiz validou somente um e a partida terminou empatada. Após essa fase em 1970, fui estudar em Salvador, mas antes recebi proposta para jogar em Itabuna e no Ipiranga de Salvador, não aceitei e um amigo da minha família e também do presidente do Bahia Ozório Vilas Boas, Zé Humberto, que trabalhava na extinta Ancarba, me levou para o Bahia”, enfatizou, lembrando que no 1° treino que fez, foi elogiado pelo técnico Don Fleitas Solich. “Me disse que eu tinha potencial, mas precisava ser lapidado. Ouvi isso com atenção, pois eu tinha pouca experiência, neste dia o ataque do time B do Bahia, foi composto por: Tirson, Miguel, Val, Vando e Manezinho. Depois desse treino eu caí nas graças do maestro Amorim, que tinha vindo do Flamengo, dos argentinos San Filipo, Paz e também de Eliseu, que tinha vindo do Santos, com quem fiz grandes amizades e fiz parte desse maravilhoso grupo do Bahia’’.

Um diretor do Bahia, Alfredo Saad, formou um time chamado Monte Líbano e Val foi fazer parte dele, que era composto de grandes jogadores do Bahia e do Vitória. “Após esta fase, fui estudar no Salesiano em Vitória-ES e jogar no Rio Branco. Após essa fase, retornei a Salvador e fui fazer parte do Vitória. Jorge Vieira era o técnico, depois veio Paulinho de Almeida, Marcelo, Agnaldo, George, Aguiar, Cláudio Deodato, Válter, Luis Carlos, França, Gibira, Rezende, Antoninho Português, Leleu, Telé, Jeremias, Ventilador, Marcilio Cabeção, Luciano, Osni, André, Mário Sérgio, Fernando Silva, Almiro, Rubinho, Jorge Valença e Juarez”, recordou o ex-jogador, com memória incrível para guardar nomes dos colegas dos times por onde passou.

“Sempre fui disciplinado e atendia aos meus pais, jogava futebol mas não abandonava os estudos, fiz o curso científico no Colégio Central da Bahia e Cursinho Pré-vestibular. E era acobertado por minha saudosa e querida mãe, que me falava constantemente que eu jogasse bola, mas não parasse de estudar e isto eu seguia à risca. Fazia parte ainda do Vitória em 1973, quando passei no vestibular de Engenharia Agronômica. Fui para Cruz das Almas e continuei jogando futebol na seleção da escola, onde fui centroavante matador. Era um grande time. Me formei em 1977, como engenheiro agrônomo, fui indicado pelo grande amigo Florisvaldo Brito e pelo saudoso Deputado Henrique Brito. Fiz concurso e fui contratado pela CEPLAC em 19 de dezembro de 1977, chefiei e trabalhei como extencionista nos escritórios de: Ipiau, Floresta Azul, Buerarema, Itajuípe – onde fui homenageado com Moção Honrosa, pela Câmera de Vereadores. Fui chefe de divisão no CENEX de Itabuna durante 5 anos, onde também fui e atualmente estou lotado no CEPEC – setor de genética, onde coordeno um projeto de avaliação e melhoramento de plantas no campo em 134 fazendas e 173 clones diferentes”.

Quando trabalhou em Buerarema de 1979 a 1984, jogou no Caxeiral de seu Catonho, sendo artilheiro e campeão no time que tinha: Zel, Assis, Guima, Henrique, Zequinha, Zé Carlos, Luizinho, Alicio, Val, Tales e Cosme, além de Edinho, Chiquinho, Raide e Marcelo. Neste período foi convidado pelo saudoso Luninha, e fez parte também da seleção de Senior de Itapetinga.

“Para encerrar, queria dizer que sou extremamente grato a Deus pelas maravilhosas trajetórias e oportunidades que nos proporcionou para que chegássemos aqui. Tenho uma família maravilhosa, a esposa Gildeny, odontóloga, meu filho Mateus, também odontólogo, minha filha Camila estudante do último ano de enfermagem, tenho muitas saudades das minhas amizades e da minha querida terra Itapetinga. Quero dizer também que no futebol profissional tive a oportunidade de ver três jogadores que considero os melhores da época: Zico, “o galinho de Quintino”, Rogério, ponta direita, que foi do Botafogo e encerrou a carreira no Flamengo e Silva, o batuta, que jogou Conrinthians, Flamengo, Botafogo e Vasco. Neste eu me espelhava como centroavante goleador. No futebol amador, destaco: Nelson Calango, o melhor médio volante que vi jogar. Guima, também o melhor zagueiro de área e Tales, um jogador fantástico. Atuei junto com todos os três. E parabenizo o Jornal Dimensão, todos os seus componentes e principalmente Hernando, na parte esportiva, por manter viva as chamas das notícias itapetiguenses’’.

 

2 Comentários para “História de vida esportiva de Mariosvaldo Morais Macedo (Val)”

  1. Juraci rodrigues
    16 de março de 2012 às 12:27 #

    Que maravilha! este perfil do atleta Val,fez com que eu recordase a minha adolecencia. Vivi e aconpanhei quase todos os jogos da seleção
    de itapetinga e conheci o referido atleta. É conpreensivel se ele não
    se lembrar de mim, mas conheci toda sua familia, desde o seu avô e avó
    pai,mãe e irmãos pessoas de bem.
    (nasci e me criei na mesma fazenda,meu pai foi funcionario do pai dele, Vida longa ao Val macêdo e que Deus te ilumine sempre.)
    Juraci, filho de Diogenes(Gajoseno como seu pai sempre chamava)

    São Paulo,16.03.2012

  2. Luiz maia
    4 de abril de 2012 às 17:32 #

    Val não pode ter passado a infância e adolescência com o irmão Silvio, uma vez que, existe grande diferença de idade entre ambos.

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