História de vida esportiva de Gilson Amaral da Silva (Betão)

Gilson Amaral da Silva, “Betão”, jogou em Itapetinga nos primeiros times do Botafogo, na Seleção de Itapetinga e também na Portuguesa. Ele nasceu em Brumado, no dia 25.02.1952. Separado, é pai de Aurélio, Camila e Vitor. Começou a atuar aos 13 anos no Flamenguinho dirigido por Marcone Pedro, filho de Sinhozinho Macêdo. “Quando eu amadureci mais um pouco, fui convidado a jogar na Portuguesa pelo hoje saudoso São Félix, esportista do qual tive o prazer de ser amigo. Depois atuei novamente pelo Botafogo e consequentemente por três ou quatro períodos defendi a Seleção de Itapetinga em Intermunicipais, na década de 70”, contou Betão, que jogou até o ano de 1974, atuando na época pelo Botafogo de Zildo Carvalho. “Ainda me recordo de Jequié, Roxo, Zé Gordão que é irmão de Jorginho e que éramos vizinhos, fazíamos parte do mesmo escrete alvinegro”, recordou o ex-atleta que atuava na seleção de Itapetinga como lateral direito, mas se solicitado, também atuava na lateral esquerda. Se considerava um “ala apoiador que atacava e defendia”.

Apesar da baixa estatura, jogar futebol nunca foi dificuldade para Gilson, que carregou consigo o apelido de “Betão” pelo tempo que jogou. Segundo ele, o apelido foi dado por São Félix sem muitas explicações na época, pois poderia ter Gilsinho ou Gilsão. “Mas acho que tinha um Beto e que eu devia ter talvez até a mesma postura de jogar dele e acabou ficando Betão, pra contrastar com minha pouca altura”, tentou explicar o veterano.

A convite de uma tia para ir trabalhar em uma empresa que tinha um time de futebol fora de Itapetinga, Betão foi para longe dos campos de pelada e do estádio municipal. Porém, disse ser agradecido a esta mudança, pois desta forma teve a oportunidade de ser contratado para trabalhar no almoxarifado da empresa, foi registrado e lá ficou durante 20 anos, tendo assim a oportunidade de criar sua família.

Em Itapetinga, durante o tempo que aqui atuou no futebol, disse não ter tido a oportunidade de faturar algum dinheiro. “Não tive benefícios financeiros, consegui sim criar um relacionamento muito grande de amizade, deixei aqui muitos amigos, graças a Deus”.

Betão guarda recordações positivas da Portuguesa que lhe deixou boas saudades e da Seleção de Itapetinga, se recorda de Alexandre Massagista, sempre bom amigo e companheiro dos jogadores.

Torcedor ferrenho do Flamengo do Rio de Janeiro, Betão gostou do convite feito também por um dirigente de um time rubro negro e não pensou duas vezes antes de aceitar. “Pedro Marcone ao me convidar e dizer que era para atuar pelo Flamenguinho, fiquei logo todo contente pois tinha mesmo grande simpatia pelo time carioca do mesmo nome. Também me lembro que comecei a jogar bola ainda no campinho da escola José Vaz Sampaio Espinheira, onde estudei quando era garoto. Era só uns rachas naquela época, mas nas épocas dos campeonatos a gente treinava no campinho do Industrial”.

Em Goiás, onde foi residir depois de sair de Itapetinga, Betão não teve oportunidade de mostrar sua capacidade de ser chamado para atuar profissionalmente. “Infelizmente fui trabalhar longe dos grandes centros, era em uma mineração, numa área bem distante que não tinha nem comunicação via telefone, só via rádio. O meio de transporte era somente avião, o time da empresa em que eu trabalhava e também atuava, viajava de avião para o local dos jogos. Era uma vida complicada, mas era altamente rentável e divertido”, confessou.

Betão disse que passou 25 anos vindo visitar seus pais anualmente, rareando alguns anos depois, mas sempre procurou se informar sobre a cidade, apesar das poucas notícias sobre o futebol daqui. Atualmente se contenta a apenas apreciar futebol através da tv. “Eu pratiquei futebol até os 55 anos de idade, atuando nos times de veteranos de futebol e também de futebol de salão. Atuei ainda em futvôlei, jogos de peteca, enfim, nunca deixei de fazer atividades físicas”, comentou Gilson Amaral da Silva, que ainda está em boa forma física aos 60 anos.

“Bebi e fumei muito na minha juventude, mas nunca deixei de fazer minhas atividades físicas. Mas hoje meu conselho para os jovens é que se mantenham longe dos vícios, cuidem da parte física e sempre tenham uma atividade física todos os dias”, aconselhou Betão, que diz lamentar apenas foi não ter tido a oportunidade de ir para um centro maior tentar o futebol profissional. E ainda citou alguns companheiros da época que também tinham boas condições: “Citaria o próprio Chico Ferro Velho, Pelecotó, Nego Luiz, Jequié, Renan, Bradesco, Vilarino, Buré, Zé Raimundo, Louro, Babá, enfim, a maioria dos atletas daquela época tinham condições de conseguir uma vaga na escolinha do Barcelona’’, comparou.

Destacaria como pessoa que mereceria seus elogios como desportista, dirigente, técnico e ex-jogador, o saudoso São Félix. “E este reconhecimento é pela dedicação e amor que ele tinha ao esporte, mesmo tendo poucos recursos, pouca formação, mas tinha uma grande vontade de ver os jovens bem e tinha amor ao que fazia. Ele era capaz de tudo para também erguer o futebol de Itapetinga, do qual tive o prazer de participar de boas partidas e de também ter perdido com honra algumas outras”, finalizou Betão, que foi campeão pelo Botafogo de Itapetinga e tem a impressão de que seu irmão Pepe, se tivesse se dedicado ao esporte, teria dado um excelente jogador de futebol.

A única tristeza nesta época futebolística, foi a de não ter tido a sorte de sair campeão pela seleção de Itapetinga em um Intermunicipal Baiano.

 

2 Comentários para “História de vida esportiva de Gilson Amaral da Silva (Betão)”

  1. Valmir Castro Alves
    11 de abril de 2012 às 17:51 #

    Betão bom de bola – lembro-me quando criança deste atleta da Rua Arthur Bernades, hoje Rua Montes Claros…

  2. Carlito Leão da Silva
    19 de setembro de 2013 às 18:14 #

    Foi um grande prazer recordar a historia de Betão(Beto), só para lembranças, sou um dos gêmeos, Carlos / Carlito ( Os dois Cacai), onde jogamos futebol e estudamos juntos no Colégio Alfredo Dutra.Abraços.

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