História de vida esportiva de Esdras Moreira Silva (Esdras Mão de Onça)

O extraordinário goleiro Esdras Moreira Silva é o nosso convidado da semana. Ele nasceu em Itororó-Ba, em 29.04.1952. Casado com Maria da Glória, é pai de Esdras Filho e Adriza. Ele começou a jogar futebol aos 13 anos e parou aos 49, tendo sido campeão em alguns certames.

“Meu pai era um apaixonado pelo futebol, tinha aquela vontade de montar um time e eu fazia parte deste sonho dele, jogando nas laterais esquerda e direita. Depois, com a ausência dele, fomos morar no Rio de Janeiro e chegando lá, buscando me enturmar com os rapazes, fui tentar jogar bola e os cariocas me disseram que lá só teria espaço para jogar se eu fosse para o gol. Como eu gostava do futebol, comecei a agarrar no gol, gostei e me adaptei ao ponto de ser levado para jogar no juvenil do Botafogo do Rio de Janeiro”, contou Esdras, revelando também que apreciava a posição de centroavante, apesar de considerar a posição de goleiro como a mais bonita dentro do futebol.

O porte físico, força e desenvoltura favoreceram para que ele se transformasse em um goleiro de qualidade. Segundo o veterano desportista, em sua época os goleiros eram bastante exigidos nos treinamentos. “A gente pouco caía e eram treinamentos fortíssimos, bastante exercício, totalmente diferente do tempo de hoje e eu tive a oportunidade também de passar por grandes goleiros nos quais procurava me inspirar, como Andrada, Bagatine, um outro argentino muito bom e que dava prazer a gente aprender com eles”.

Esdras atuou pelo juvenil do Botafogo em 1972 e saiu quando já estava chegando ao fim a safra de Jairzinho e chegando o centroavante Ficher, argentino, e o lateral esquerdo Marinho Chagas, que jogou até pela Seleção Brasileira. “O Botafogo era com Wendel e Cal; Miranda, Osmar, Valtenci e Marinho; Carlos Alberto, Jair e Campos; Zequinha, Ficher e Dirceu, chegando a ser vice-campeão brasileiro contra o Palmeiras”, contou o goleiro, que disse ter saído do quadro juvenil porque já estava estourando a idade e passaria a ficar à disposição para ser emprestado a outros times. “Aceitei o convite de meu irmão para vir para a Bahia, de onde estava ausente por mais de seis anos. Ele me disse que aqui o futebol estava crescendo e eu resolvi me aventurar. Fui chamado a jogar pela Seleção de Itapetinga em 1973, era um time muito bom com o finado Buré, Clésio, Olegário, Renan e outros craques”.

Esdras chegou a jogar por outros times profissionais depois do Botafogo, como o Itabuna, o Industrial de Linhares onde esteve ao lado de outros jogadores de Itapetinga como Sissi, Dito, Nego Luiz e Pelecotó e ainda atuou pelo Serrano, Conquista e Humaitá de Vitória da Conquista, além da AABB de Salvador. “Por incrível que pareça naquela época ninguém ganhava dinheiro com time profissional, vim ganhar um pouco quando joguei pela seleção de Itapetinga e passei a ser cotado lá pela região de Ipiaú”, comentou.

 

O ‘‘Mão de Onça’’

Ele não ligava para os apelidos que recebia, mas confessa que gostava mais de ser chamado de “Esdras Mão de Onça” do que de “Popão”. “Eu tinha a mania de tentar pegar as bolas com uma mão só e não deixava ela cair. Isto me rendeu o apelido de Mão de Onça que eu até gostava, apesar de não ligar muito pra apelidos, pois minha função era fechar o gol, jogar futebol e tudo fazer para trazer o torcedor para o estádio”.

Além da seleção de Itapetinga, ele atuou por times nos municipais, chegando a vestir a camisa do Bangu, Ipiranga, Fluminense, entre outros.

 

O episódio de Itajuípe

O ex-goleiro disse guardar mágoas de dois diretores que não foram corretos com ele no ano de 1983, quando Itapetinga reunia condições de ganhar o título e com um episódio ocorrido em Itajuípe, ficou com o time desfalcado. “Esses dois dirigentes contribuíram para que o time naquele ano não fosse campeão ao insinuarem que eu havia me vendido, mas o importante é que até hoje eu tenho a minha consciência tranqüila da minha honestidade”, comentou, enfatizando que nem conhecia a prefeita de Itajuípe e tem como testemunhas torcedores de Itapetinga que estavam lá e viram que o juiz José Inácio foi quem aprontou toda a confusão. “Com 15 minutos de jogo o time de Itajuípe fez um gol e na confusão conseguiram me expulsar e ainda tentaram expulsar a zaga toda, mas não conseguiram senão o jogo acabaria. Me recordo também que nosso centroavante Inha pegou uma bola de meio de campo e empatou o jogo e mesmo assim o juiz anulou, aumentando ainda mais o descontentamento do time e nesta hora o próprio alambrado do estádio foi derrubado pelos torcedores de Itajuípe”, contou Esdras, que disse estar tranqüilo com sua consciência e se orgulha de ter ficado tanto tempo em evidência na posição de goleiro. “Na época em que eu estava encerrando minha carreira, fui destaque como vice-campeão por um time no ITC e no mesmo dia disputei uma partida com a garotada de Itororó, tendo troféu guardado até hoje”.

 

Pouco tempo no Bahia

Levado pelo pecuarista Tonton para fazer teste no Bahia, disse ter se identificado com o escrete soterapolitano, porém, a crise financeira pela qual o time passava o desestimulou a continuar. “Na época eles venderam o Fazendinha e eu acabei pedindo rescisão de contrato. Mas passei por várias seleções boas e devo dizer que a que mais me chamou a atenção foi a de 1983, quando eu passei 690 minutos sem levar gol. Me recordo do time: eu no gol, lateral esquerdo e direito com Jorginho e Sissi; miolo de zaga com Neca e Carlinhos; cabeça de área com Roberão de Macarani; meio campo com Vavá e Nino; o ataque era com Miro, Inha e Zé Mário e às vezes Burrego, Inha e Júnior Canário”, recordou-se Esdras, enfatizando que este foi um dos melhores times que Itapetinga já teve como seleção. “Pena que não ganhou o título. Com a minha expulsão em Itajuípe, eles trouxeram um goleiro do juvenil do Bahia que tomou um frango do meio da rua lá em Muritiba e acabou perdendo o título”, desabafou.

 

Alegria no futebol

Esdras disse que um dos jogos que guarda com alegria na memória foi o que a seleção de Itapetinga fez contra o time do Bahia, por ocasião de um aniversário da cidade. “O time do Bahia cheio de craques, Léo Oliveira, Dadá Maravilha que disse que ia fazer o gol da pecuária e não conseguiu. Nós perdemos o jogo de 3 x 1 mas eu conseguiu pegar muitas bolas com uma mão só de todos eles”, contou o goleiro, sorridente, que fechou o arco naquela partida em várias ocasiões, arrancando elogios dos dirigentes do Bahia que assistiam a partida.

Destacando bons jogadores de sua época, Esdras disse ter atuado ao lado de alguns que mereciam ter tido oportunidade em times profissionais. “São vários, vou citar Carlinhos e Neca que tiveram a oportunidade e registrar que o próprio Pelecotó merecia ter ido mais longe, assim como Nego Inha, Nino, que foi o melhor meio campo que já vimos jogar aqui e Roberão era o mais respeitado dos cabeças de área”.

Os irmãos de Esdras também chegaram a atuar no meio futebolítisco: o irmão mais velho, Leandro, foi outro grande goleiro e Wellington Moreira, que foi professor de educação Física na Emarc-It, jogou no Fluminense do Rio de Janeiro.

“Meu filho Esdras também tentou se aventurar no futebol, na mesma posição que eu, mas logo foi informado que goleiro tem que treinar muito, é o primeiro que chega e o último que sai do campo. Ele pensou melhor e optou por estudar medicina”.

Uma das defesas que fez e que se recorda até hoje, foi feita debaixo do arco da seleção de Itapetinga. O time jogava contra Conquista e ganhava de 1 x 0. Jorginho tirou o zagueiro, a bola ainda chegou a ser tocada por mim mas entrou. Logo em seguida veio outra que não tinha jeito de colocar a mão e eu consegui tirar ela de cabeça, acho que aquela foi a defesa melhor do campeonato todo. E o gol que eu fiquei com mais raiva foi neste jogo também. Jorginho tirou o zagueiro da barreira e quando chutaram a bola bateu na trave e em mim e entrou. O frango que eu engoli e que achei mais ridículo foi na minha estréia no Industrial de Linhares que nem é bom de ser recordado, mas não me prejudicou em nada. O treinador que era Ananias, me disse que eu era um grande goleiro e seria o titular na outra partida. Assim foi feito e eu fui um dos destaques do jogo”, comentou.

Se recorda com saudades dos técnicos Ermir Fernandes e Olegarinho da Seleção de Itapetinga, bem como Ananias do Industrial de Linhares, como os melhores que conheceu.

Tendo a alegria como ingrediente para tocar a vida e vencer as adversidades, o veterano jogador deixou um conselho para a garotada que bate bola nos dias de hoje. “Deixar a bebida e o vício do cigarro é o melhor conselho, pois para jogar bem é preciso treinar bastante, dormir cedo e evitar as bebedeiras depois dos jogos. Na nossa época se costumava encerrar os jogos e sair para beber, mesmo estando machucado. Mas isto não faz parte do futebol, se estiver lesionado é preciso buscar o descanso e o tratamento para estar bem na próxima partida”, finalizou.

 

5 Comentários para “História de vida esportiva de Esdras Moreira Silva (Esdras Mão de Onça)”

  1. Barone
    2 de janeiro de 2012 às 19:07 #

    Esse cara agarrava muito.Foi um dos melhores goleiros que ja vi agarrar.

  2. carlinhos maracas
    20 de julho de 2012 às 16:53 #

    tive o prazer de conhecer e jogar com esdras´, era um grande goleiro e gente boa, participei daquela selação.
    abraço
    maracás

  3. beto bubaloo de itororo
    7 de fevereiro de 2013 às 0:48 #

    e ai tigrao meu amigo qunto tempo a gente nao si ver abraçao beto bubaloo sao paulo

  4. Esdras Pedro
    15 de dezembro de 2013 às 11:24 #

    Esse foi o melhor goleiro de todos os tempos para mim. O vi jogar no municipal de Itororó (cheguei até a jogar no gol por causa dele.). Fiquei muito feliz com essa homenagem que fizeram para ele, pois ele merece isso e muito mais. Quanto a História de Itajuípe. Não esquenta Esdras, pois na verdade, é “ESTORIA”. São pouco que tem um passado glorioso igual o seu. Parabéns e sucesso sempre… abração!

  5. Edimilson Alves bomfim
    4 de março de 2016 às 11:13 #

    Desejo a todos um bom dia.
    Eu gostaria de parabenizar esse grande goleiro esdra, acompanhei muito essa selecao. Pois, na época eu morava em caatiba.gostaria de ter uma foto desse time que inclui o vavá, outro grande nome. Meu eu amigo que Deus abençoe você sempre.
    Deixo meu telefone, caso vc queira entar em contato comigo, juro que ficarei muito feliz
    Fone: 01198058-7848
    Um forte abraço a todos.

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