História de vida esportiva de Eduardo César Cardoso (César Dinamite)

Eduardo César Cardoso é natural de Itabuna, nascido em 30 de setembro de 1967. Solteiro, tem 4 filhos: Diego, Rafaela, Leonardo e Letícia. Ex-jogador do Cometa de Itapetinga, César teve uma carreira futebolística de altos e baixos. Nos bons tempos, chegou a fazer parte do escrete alvinegro do Rio de Janeiro, o Botafogo, onde atuou em 1986, na categoria de Juniores. Morou em Madureira e viveu dias difíceis quando foi para o time carioca, mas chegou a ser valorizado pelo escrete, atuando algumas vezes pelo time profissional.Atualmente, longe dos campos de futebol e com problemas de saúde, César Dinamite se limita a relembrar os bons tempos e a buscar forças junto aos amigos para se recuperar.Entrevistado quando esteve alguns dias sob cuidados da equipe do Lar Laura Carvalho em Itapetinga, ele contou à reportagem de Dimensão que começou a jogar futebol ainda muito cedo e com 15 anos já fazia parte do bom escrete do Cometa da Rua Nova e atuou ainda pela Seleção de Itapetinga em alguns amistosos. “Mas não participei de Intermunicipais, me recordo que antes de a seleção começar os jogos, fui embora para Itororó onde eu morava. Joguei pelo Cometa dois anos e foi um tempo bom, de muita camaradagem”, disse o veterano.Herdou do pai a habilidade com a bola e os tios o incentivavam, pois também eram exímios jogadores. “Realmente eles eram magníficos jogadores. Tem um que se chama Sindô, que jogou pelo Itabuna, mas tem muito tempo. Naquela época meu avó era muito rígido e não deixava os filhos se ausentarem para jogar futebol. Eles só poderiam jogar no time com os irmãos, isto é, tinha um time só de irmãos, que eram 12. Eram 11 irmãos na linha e um outro era treinador. Meu pai e meus tios faziam parte dele”, contou César, acrescentando que o time se chamava “Os Cardoso”, de muita fama na época em Itororó nas décadas de 50 e 60.Conta César que antes de vir atuar pelo futebol de Itapetinga, foi levado para fazer um teste no Flamengo do Rio de Janeiro. “Fiz um bom teste, fui reconhecido pelo pessoal, fiquei de retornar lá, mas nada, não voltei”, lamenta o ex-craque, que perdeu a oportunidade da geração Zico, não se lembrando mais o verdadeiro motivo que o teria levado a desistir da promissora carreira. “Mas sei que foi praticamente por causa da família. Eu não tinha mais pai, perdi meu pai aos 5 anos e minha mãe não queria que eu saísse para jogar bola. Era muito difícil eu sair. Até para vir aqui jogar no Cometa tinha que vir alguém para me acompanhar se não ela não deixava, tinha receio que eu me machucasse, que quebrasse uma perna, enfim. Ficava difícil com aquela superproteção e perdi por conta disso algumas oportunidades”, disse César, que mesmo assim ainda conseguiu espaço para atuar pelo Intermunicipal jogando pelas seleções de Itororó, Maracás e Pau Brasil.Mais experiente, ao 19 anos foi levado para o futebol profissional do Rio de Janeiro para atuar pelo Botafogo. “Comecei no juvenil e fui para o júnior e joguei oito partidas no profissional. Carbone sempre gostava de me chamar para servir ao time de cima quando dava. Daí o meu empresário que era fazendeiro em Pau Brasil adoeceu e teve que ir para os Estados Unidos colocar uma ponte safena e eu fiquei jogado no Botafogo sem apoio e sem empresário. A situação ficou difícil, a vida era dura por lá. Então resolvi telefonar para minha mãe em Itororó e ela pediu que eu voltasse para casa”, lamenta César, se recordando que teria feito outras experiências mais positivas se seu pai naquela época ainda estivesse vivo, pois ele gostava de futebol. “Mas vivi bons tempos no futebol profissional também, ao lado de companheiros conhecidos nacionalmente como Marinho Perez, Nelinho, Josimar, Alemão, Luis Carlos que era goleiro e tinha ainda Luisinho”.Passado algum tempo no Botafogo, foi convidado depois a atuar pelo Bahia, mas preferiu ir para o Itabuna que era mais próximo de casa. “Mas foi um fiasco essa tentativa, não joguei porque estava preso ao Botafogo e o time queria que eu voltasse ou então o Itabuna teria que pagar 500 mil cruzeiros naquela época. Fiquei parado por dois anos. Depois, passado este período, joguei profissionalmente pelo Itabuna, Serrano de Vitória da Conquista quando nos tornamos até vice-campeão em 1989; atuei ainda pelo Valério Doce de Minas Gerais e outros times de pequena expressão no futebol”.César Dinamite confessa: não ganhou dinheiro jogando bola e o pouco que recebeu, não soube administrar. “Era um tempo meio louco, a gente estourava tudo com farra, comprava apenas o necessário, eu ganhava por exemplo R$ 1.000,00 e achava que tinha que gastar tudo praticamente de vez… em alguns momentos gastava tudo com bebida alcoólica. Foi aí que comecei a ter  problemas com a bebida. Hoje existem escolinhas e em algumas vezes sou chamado a dar palestras. Por sinal um dos filhos faz parte de uma escolinha de futebol, Diego. Ele até já fez testes no Corinthians e por falta de condições financeiras não pôde ir atuar. O outro de 10 anos, Leonardo, é também muito bom de bola e o Pierre, jogador do Atlético Mineiro, mostrou interesse em levá-lo”, comentou Dinamite.O veterano atleta que hoje tem a saúde debilitada não esconde que se perdeu no mundo do alcoolismo por falta de orientação e por ter se deixado levar por más companhias. “Com certeza a falta de orientação me prejudicou. Futebol tem muitos interesses, quando você está por cima todo mundo é seu amigo e quer sair com você, aí então a pessoa se empolga e vai na onda e quando menos se espera já está viciado em bebidas”, disse ele, que ainda muito jovem, aos 26 anos, deixou de jogar futebol profissionalmente. Como se não bastasse, três cirurgias no joelho o levaram mais cedo ao declínio profissional.Lamenta César não ter podido continuar a carreira pelo menos mais três meses depois da cirurgia, tempo suficiente para conseguir a aposentadoria.César Dinamite esteve por algumas semanas no Lar Laura Carvalho de Itapetinga, a convite da sua direção, depois de ter sido encontrado em Itororó em estado bastante debilitado de saúde. “Agradeço ao pessoal que me acolheu tão bem, principalmente à diretora do Abrigo, que me convidou para vir me recuperar aqui e posteriormente voltar às minhas atividades esportivas como orientador ou técnico, caso venha a ser convidado na cidade onde moro atualmente, que é Porto Seguro. Agradeço o interesse do Jornal Dimensão pela minha história e deixo aqui o meu conselho aos adolescentes e jovens que militam pelo futebol, para que valorizem a sua saúde, se mantenham longe do álcool e das drogas e que preservem suas boas amizades, não se deixando levar por pessoas interesseiras”, finalizou o desportista.

2 Comentários para “História de vida esportiva de Eduardo César Cardoso (César Dinamite)”

  1. ademilson ( nina)
    20 de maio de 2013 às 14:50 #

    É muito importante esta reportagen, porque mostra a verdadeira face da dependencia, conheço cesar, joguei com ele uma pessoa maravilhosa, porem assim como acontece com outras pessoas aconteceu com ele tambem, perdeu uma oportunidade de ouro por conta do alcolismo, nao vou julgar porque tambem bebir muito quando jogava e tambem era muito jovem, porem fica uma lição para todos os garotos que estão começando a jogar, muito cuidado com as amizades,neste momento da vida é muito importante as suas escolhas.

  2. roberto lopes
    14 de agosto de 2013 às 12:29 #

    conheço muito césar eu jogava com ele nessa época somos da mesma geração era um fã dele craque que se perdeu,mas a vida continua o importante é ele saber se erguer e da a volta por cima na vida existem outros valores e sempre é tempo de recomeçar.roberto pitado de pau-brasil.

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