História de vida esportiva de Davi Chaves (Cara de Jegue)

esportEm Poções, Bahia, a reportagem de Dimensão entrevistou o ex-campeão pela Seleção de Itapetinga em 1995, ex-atleta de futebol, Davi Chaves. Natural da cidade onde hoje reside, ele nasceu no dia 19 de julho de 1951. É casado com Darci Lemos Chaves, e é pai de 3 filhos: Davi Filho, Danilo e Douglas e é avô de três netos.

“Aos itapetinguenses, minhas saudações. Não poderia ser diferente porque foi uma cidade que me marcou e gratificou pelo tratamento que deu a este cidadão” – assim começou a entrevista o ex-dirigente da Seleção Campeã de Itapetinga, antes de contar parte de sua vida dedicada ao esporte.

Começou sua vida desportiva atuando aos 14 anos, na cidade de Poções, pelo Atlético, considerado na época um dos melhores times da região, juntamente com Flamengo de Jequié, Bangu de Itapetinga, Independente de Ipiaú, Comerciário de Conquista e outras equipes boas do futebol amador. “Aos 14 anos tive a oportunidade de ser titular no time do Atlético e depois disto fui para Vitória da Conquista, quando Raul Bittencout, que foi treinador do Conquista no tempo de Piolho, Naldo, Jaimilton, Missinho, Carlos, Celso e Naninho, me deu a oportunidade de passar uma boa temporada por lá”, contou Davi.

O ex-treinador quando jogador, atuou contra o selecionado itapetinguense atuando por Ipiaú. Se recorda que na oportunidade foi autor de dois gols, enfrentando um time de grandes nomes na região. “O time da cidade tinha aquele famosíssimo zagueiro Clésio, Babá que jogava demais e muitos outros grandes jogadores e eles até nos deixam com saudades, pois não temos oportunidade de ver jogadores com tanto brilho. Há quem diga que isto é puro saudosismo, mas não é isto apenas, é que havia mais qualidade nos jogadores”, destacou o ex-atleta que jogou no Atlético de Poções e o Independente de Ipiaú, além de atuar pela seleção daquela cidade. Em 1971 foi para o Esporte Clube de Jequié.

Ao partir para a trajetória profissional, Davi Chaves se recorda que jogando pelo Intermunicipal de Ipiaú, disputou o título com a seleção de Cachoeira no antigo campo da Graça, perdendo o título para Cachoeira por 1 x 0. Depois disto foi levado para o ADJ – Associação Desportiva de Jequié. Ficou por lá até 1972 e se lembra ainda dos detalhes do último jogo do campeonato baiano naquele ano, contra a equipe do Vitória na Fonte Nova. Sua atuação gerou o convite para que passasse a integrar o elenco do Vitória. “Então do Vitória fui para o Guarani, trocado pelo atleta Washington. Lá fiquei uns 4 anos e depois virei praticamente um cigano da bola: joguei no São Bento de Sorocaba, no Internacional de Limeira, no Paulista de Jundiaí, no Criciúma, Blumenau, no Toledo do Paraná e até no Amparo, que era um time da segunda divisão. Atuei na Saltense, na cidade de Salta e me conformei em ser um cigano da bola”, comentou, enfatizando que era dono do próprio passe até ir para o Criciúma. Em seguida, depois ter sofrido duas lesões nos joelhos, foi liberado pelo Guarani. Começou a alugar o próprio passe, para participar das temporadas, tendo passado mais tempo em Blumenau, Criciuma e Amparo.

Do Guarani, se recorda de grandes jogadores com quem atuou: Renato, Zenon, André Catimba e Ziza. Uma defesa com Naneco, Amauro, Amaral e o meio campo com Flamarion e outros grandes jogadores, era quase um time imbatível, mesmo tendo outros grandes em competições nacionais. “O Guarani era um grande time, depois tivemos a geração de Careca, fruto da nossa própria geração. Quando cheguei lá, Careca era juvenil. Renato, que jogou pela seleção e era apelidado do ‘Pé Murcho’, era junior. E Ladeira, que foi quem revelou a maioria desses atletas, era o treinador dos juniores e promoveu Renato para o time profissional na época. Fiquei no Guarani por cerca de 4 anos e vi ainda Renato ser promovido para o profissional e o Careca deu um salto do juvenil para o profissional, devido à sua grande capacidade técnica, mesmo tendo pouca idade”, confirmou o ex-treinador.

A falta de um empresário

Davi Chaves não tinha empresário quando atuou pelos diversos times por onde passou e tinha como principal referência ao ser contactado pelos interessados em seu passe, o potente chute. Ele lamenta não ter tido um empresário e acredita que este fator prejudicou não apenas atletas da qualidade dele, mas outros grandes nomes que também atuavam no futebol amador e profissional na Bahia. “Em minhas melhores fases de atuação no Guarani por exemplo, por não ter quem pudesse ser o meu legítimo representante, chegava a ser ludibriado por qualquer conversa. Se tivesse um empresário, eu teria feito melhores contratos, com clubes maiores. Confesso que senti falta de um empresário. Me recordo até que quando eu fui para o Guarani, havia o comentário de que o interesse do time mesmo era levar André Catimba. Mas um representante do Guarani, o João Seco, veio à Bahia assistir o BA VI em que eu atuei e acabei até expulso pelo juiz Oscar Escofo de Campinas. E este mesmo árbitro em outras partidas do Campeonato Brasileiro já tinha me indicado para o pessoal do Guarani, uma vez que achava que eu tinha condições de atuar em um escrete de São Paulo. A contratação de André Catimba não deu certo, o Vitória não quis, então fizeram a opção por meu passe, numa troca com Washington que já tinha sido até considerado um novo Pelé, mas depois caiu de produção”, revelou Davi, assegurando que não chegou a ter um melhor salário ao deixar o Vitória e ir para São Paulo “e aí eu digo e repito, que foi quando mais senti a falta de um empresário”, completou.

Chaves não escondia que tinha muita vontade de atuar no sul do país, pois um jogador do Nordeste sempre tem o sonho de tentar melhorar suas condições financeiras e como atleta, em melhores nomes do futebol naquela região do Brasil. O passe do ex-atleta chegou a ser cobiçado pelo Palmeiras, mas o Guarani não desfez dele. “Eu participei de grandes competições, joguei contra todos os grandes jogadores do Brasil, de Pelé pra cá, então não tenho como reclamar em ter ido para o Guarani e não outro time de maior projeção, fiquei bem no mercado paulista, onde não ganhei muito dinheiro, mas dá para assegurar o ritmo de vida que tenho hoje, simples, de sertanejo, sem ter sofrido mudanças de atitudes ou status, sendo o mesmo Davi de sempre”.

Os títulos com Itapetinga

Ao vir para Itapetinga convidado para dirigir o selecionado itapetinguense, Davi Chaves teve a oportunidade de trabalhar com pessoas que lhe deram confiança e carta branca para buscar o melhor resultado nas competições do Intermunicipal de Seleções. “A vinda para Itapetinga foi muito significativa para mim. Tive a oportunidade de vir para um local por onde passaram treinadores de mais nome do que eu no futebol da Bahia e eu só tinha até então treinado o Poções como time profissional. Aqui tive a felicidade de ter conseguido o título, juntamente com vocês todos, porque eu acho que tinha um time bom na mão, uma imprensa que cobria no dia a dia e dava uma assistência muito grande. E a maior participação de todas, que era do torcedor, com campo cheio. Esta é uma cidade que não era para ter apenas dois títulos do intermunicipal, pois Itapetinga tem uma proporção muito grande dentro do esporte amador na Bahia e merecia ter pelos menos 5, 6 ou 7 como outras cidades que tem por aí”.

Davi Chaves disse ter saudades do Intermunicipal e sempre que pode assiste jogos em algumas cidades, ao ir em busca de jogadores que possam ser empresariados por ele.

Se convidado novamente para treinar um time amador para participar de uma competição, disse que não recusaria o cargo, pois ainda se acha bastante capaz, pois “esse é o trabalho de Davi”.

Não foi campeão pelo Vitória, mas foi pela Internacional de Limeira e penta campeão do interior com o Guarani. Como técnico, treinou a Seleção de Itiruçu antes de Itapetinga, montando um time bastante aguerrido, mas que depois foi desfeito e acabou sendo abatido por seu maior rival, Maracás.

Sua maior alegria no futebol foi ter cultivado boas amizades, abrangendo todos os lugares por onde passou. Diz não ter sido jogador de freqüentar baladas, sempre teve uma vida social muito reservada e isto o ajudou a sempre manter um bom relacionamento com atletas e dirigentes.

Até ano passado ele foi administrador do estádio de Poções e olheiro na área empresarial. Treinou em 2011 o Poções na segunda divisão e disse estar pronto a discutir qualquer assunto relacionado a um convite para treinar uma equipe que queira ser aguerrida e ter bons resultados. “Até hoje bato meus bábas. Aos 60 anos, ainda tenho força física suficiente para bater numa bola de 50 metros com muita força e mantenho então a minha melhor performance no futebol que é o chute e a precisão do passe”, disse Davi, se dizendo feliz ao ver que os três filhos também são bons jogadores.

Ao finalizar, registrou: “o povo de Itapetinga merece uma seleção forte todo os anos, pois é um povo muito hospitaleiro e que me gratificou muito o tempo em que estive por aqui”.

Davi Chaves foi o primeiro técnico campeão pela Seleção de Itapetinga, no ano de 1995, contra a Seleção de Tucano.

4 Comentários para “História de vida esportiva de Davi Chaves (Cara de Jegue)”

  1. cristiano
    25 de abril de 2013 às 20:27 #

    VALEU PELA MATÉRIA, DAVI AINDA É O MELHOR TREINADOR DA REGIÃO SUDOESTE E DA BAHIA.AQUELE ABRAÇO DAVI

  2. Esdras
    4 de maio de 2013 às 13:52 #

    Saudades do tempo em que se sabia usar o bom senso…!!!

  3. thaigo dias
    26 de janeiro de 2014 às 22:22 #

    Tenho sorte desse craque ser meu tio e muito orgulho…

  4. DANIEL BARRETO MACEDO(DANIEL) DE IPIAÚ-BAHIA
    26 de junho de 2015 às 15:30 #

    Olá, David,
    Foi com alegria em saber que você ainda está no futebol> Bons tempos no independente e na Seleção, hein….
    Abraços, Daniel

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