Geraldo Trindade – Professor

Durante a abertura da primeira exposição agropecuária de Itapetinga, o saudoso Juvino Oliveira cunhou a célebre frase: Itapetinga, terra firme e gado forte. Homem inteligente que era, Juvino sabia que o Agrossistema Itapetinga, estrategicamente localizado entre a zona litorânea quente e úmida e a zona semiárida, possuindo solos de alta fertilidade natural, tinha enorme potencial para se consolidar como o principal pólo pecuário do norte-nordeste do País, e investiu nisso.Vivemos a partir daí um período de grande crescimento da atividade, culminando com o merecido título de capital da pecuária baiana. Entretanto, parece que o clima e solo propícios criaram a cultura do comodismo, com boa parcela dos pecuaristas abdicando do uso da técnica o que provocou sério declínio nos índices de produtividade, mau uso do solo, derrubadas de matas, queimadas indiscriminadas e êxodo rural.Nesse cenário precisamos fazer algumas indagações: quanto representa e quanto pode representar a pecuária para a economia regional? Por que o distanciamento histórico da prefeitura municipal de Itapetinga e do governo do Estado desta importante atividade econômica? Por que será que, dos 68.314 habitantes de Itapetinga (IBGE 2010), apenas 2,9% residem na zona rural, caracterizando um baixo retorno social do setor pecuário? Será pela alta concentração de renda de Itapetinga, pois dentre os treze municípios do território, estamos em décimo segundo lugar (PNUD, 2010)? Ou será devido ao setor agropecuário só representar 4% do PIB municipal (IBGE, 2010)?Precisamos ter a devida coragem para, juntamente com a classe produtora, técnicos, entidades de classe, órgãos de pesquisa e extensão, debruçarmo-nos sobre a realidade e enormes potencialidades da nossa pecuária, e nesse sentido, os prefeitos da região têm papel relevante como articuladores do desenvolvimento, pois estamos acostumados a pensar os problemas e não as causas, como no caso da possível entrada do eucalipto nas nossas terras. Ora, se a produtividade da pecuária regional for melhorada o eucalipto nunca será alternativa, ao tempo que se continuarmos com um boi para cada dois hectares produzindo cinco arrobas por cabeça ano, não conseguiremos competir. A 42ª Exposição Agropecuária é a prova que vontade, trabalho, planejamento, técnica, boa equipe e competência podem reverter situações adversas. Pensemos nisso. Juntos temos tudo para recolocar Itapetinga no merecido posto de Capital da Pecuária. Boa Exposição para todos.

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