Garimpando música e aproveitando bem o tempo

kaluO tempo que passo em frente ao computador é sempre bem aproveitado. Acredito que todo mundo começa logo pelos e-mails para ver se alguém enviou alguma mensagem. Não sou nada paciente e não perco meu tempo para ler textos sem nenhuma consistência. Quando são enviados com algumas observações antes do texto e que vejo que são pertinentes, aí eu abro com certo prazer. Por outro lado, textos meramente repassados criticando alguém ou a política em tom raivoso, eu nem abro. Através do mouse conduzo a setinha até o quadrinho excluir, sapeco um click e adeus. Confesso que há um número até considerável da turma do repasse. Enviar um e-mail meramente como hobby ou para passar o tempo, não tem graça alguma. É de uma pobreza sem limite. Após a leitura dos e-mails, faço uma varredura sobre alguns sites informativos. A maioria dos textos de revistas médicas da especialidade de cardiologia, prefiro imprimir e ler com mais calma. Porém, a parte mais agradável é sair garimpando no YouTube, ouvindo músicas de qualidade, coisa que desapareceu na maioria dos programas de rádio e televisão. São vídeos e mais vídeos que vou selecionando e colocando em uma pasta à parte, para ouvir quando estou escrevendo ou descansando. O processo é bem mais rápido, diferente de quando perdíamos um tempo enorme para gravar uma fita cassete ou até mesmo um CD. Com duas boas caixas de sons, pequeninas, mas potentes acopladas ao meu computador, a coisa fica bem melhor. Mas tudo isso foi graças ao apoio do meu filho Gabriel que domina a máquina como ninguém. E aí, qualquer dúvida ele me socorre. Quando preparo a seleção para o show Caros Amigos, o processo é bem mais lento. Vou selecionando algumas músicas e passo a ouvi-las várias e várias vezes. Quando penso que a lista está completa, ouço novas músicas e vou substituindo-as por algo com melhor sonoridade, com letras de mensagens que o público gostaria de ouvir e até se emocionar, como acontece comigo. É algo semelhante ao que se faz no garimpo. Mas você selecionar trinta músicas neste nosso imenso universo musical não é tarefa nada fácil. Primeiro tem que ter um vasto conhecimento e, sobretudo, gosto musical. Neste momento, por exemplo, em que escrevo este artigo, ouço maravilhado o som do Esbjorn Svenson Trio com a belíssima música instrumental, “The Chapel” (A capela), numa gravação ao vivo, que convido os amantes da boa música a conferirem.

Deixando de lado a música, passo para a leitura. Em uma visita recente que fiz ao casal de amigos Augusto Pimenta e Maria Goreti, a amiga Goretinha mostrou-me as edições do Jornal do Brasil que ela colecionou como: Jornal do Século, contemplando fatos históricos de 1901 a 1990. Por saber o quanto sou zeloso com tudo que se refere a livros, jornais e revistas, emprestou-me para dar uma olhada. E aí é preciso equacionar o tempo para dar conta de tudo, desde que seja de forma prazerosa. Este final de semana aproveitei o domingo para dar uma olhada nas nove edições do jornal que ela me emprestou, para poder devolvê-los. É interessante rever os fatos e notícias quando você ainda sequer havia nascido. E vai seguindo cronologicamente até o momento em que você vem ao mundo. Daí pra frente você passa a presenciar tudo. É como se também fizesse parte da história. Músicos, escritores, artistas, cientistas. Todos contemplando nossa geração. Para complementar tudo isto, reservo uma vez na semana um tempinho para estudar um pouco de violão com o professor Abdias Silva, de uma paciência e compreensão sem limite, compreendendo como administro meu tempo, que é de fundamental importância para mim. Quando tenho um dia muito cheio, peço a ele para maneirar um pouco e acabamos conversando sobre música, cadência musical, harmonia e acordes, cujo momento se transforma numa espécie de terapia, em uma conversa pra lá de agradável. Tenho pedido a ele que tenha um pouco de paciência com o amigo, pois a música é de importância vital em minha vida. O horário reservado para o estudo da língua inglesa também está reservado, com aulas duas vezes por semana, no finalzinho da tarde, depois do expediente de trabalho. Tudo isto sem esquecer que é preciso separar um tempo para a atividade física, fundamental à saúde e ao bem-estar. Tenho dedicado o espaço para as caminhadas, dando algumas voltas à beira da Lagoa, mas sinto que preciso complementar com algo mais que melhore a flexibilidade de algumas articulações, pois com o passar da idade vão ficando prejudicadas. Estive por um período em uma academia e sinto que preciso retomar. No que diz respeito ao lazer, sabemos que temos poucos lugares em nossa cidade para frequentar nos finais de semana, nas noites de sexta ou sábado de nossa vida noturna. O fato é que quando arrisco em sair, não tenho ouvido nada que me agrade ou que me encha os olhos. Falta emoção e sensibilidade musical. Quando comento sobre isto, já cheguei a ouvir algo como: “Você está ficando velho”. O problema não está na idade das pessoas e sim no gosto musical que anda declinando assustadoramente. Nas manhãs de domingo, vez ou outra dou uma fugida até o Coroas Country Clube, com esposa e filho e confesso que o som que se ouve ali também não tem ajudado muito. O fato é que você termina optando por ficar em casa.

 

( ) Abro aqui um parêntese para agradecer ao historiador Miro Marques, que tão gentilmente dedicou seu espaço na última edição deste Jornal, para falar sobre minha pessoa. Apesar do pouco que nos vemos, tenho uma admiração muito especial por ele, pelo seu trabalho, sua perseverança e sobretudo por sua generosidade em trazer a notícia de maneira tão simples e acessível às pessoas. Miro é assim por dizer, um homem do povo, um ser iluminado. Espero que Deus continue iluminando seus passos para que possa nos brindar por muito mais tempo com suas histórias de vida. Aproveito também para retificar um pouco do que ele escreveu. Minha formação médica se deu na Escola Baiana de Medicina. Cursei apenas dois anos na Faculdade Federal de Comunicação e Jornalismo, ao mesmo tempo que cursava Medicina. Mas, ouvindo o velho conselho do meu saudoso pai, Silio Dutra, de que: Dois sentidos não assam milho (ou assimilam), optei pela Medicina. Fui Delegado Regional do Cremeb por dez anos, passando a função ao amigo e colega Dr. Luis Carlos Faleiro, que tem feito uma administração ímpar. Quanto ao idioma inglês, ainda continuo estudando na Escola Fisk, tendo retomado os estudos para não ficar enferrujado, muito embora o idioma francês sempre foi minha paixão e confesso que até gostaria de falar fluentemente.

 

 

* Carlos Amorim Dutra

e-mail: carloskdutra@gmail.com

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