Fundação Canto das Artes: 42 anos

No último dia 22, quinta-feira, Dia do Músico e Dia de Santa Cecília – padroeira dos músicos, completou 42 anos de existência em Itapetinga a Fundação Canto das Artes, criada e presidida pela professora e maestrina Leniza Souza Santos.

Símbolo de resistência e determinação de uma amante da música e mulher preocupada com a situação de risco social das crianças e adolescentes da cidade, a Fundação atualmente fun

ciona em um prédio cedido pelo estado à Uesb, que por sua vez abrigou a Fundação em regime de comodato. A iniciativa foi tomada na gestão do então reitor da universidade, professor Abel Rebouças, que contou ainda com o apoio do Rotary Club para concretizar o sonho de a Fundação ter um local digno para funcionar. A entrega do prédio que foi reformado para receber os alunos e instrumentos da Fundação, foi feita em momento festivo e reuniu no meio da rua, em frente ao antigo Anexo do Colégio Alfredo Dutra, autoridades, religiosos, estudantes, pais e alunos da Fundação. Um desfile com alunos, grupos musicais e de canto coral, saiu da frente da Casa da Amizade, no Centro, percorreu diversas outras ruas até chegar à frente da Fundação no Bairro São Francisco de Assis, onde em um palanque foi feita a entrega simbólica da chav

e da Fundação. Ao discursar, o então reitor Abel Rebouças se emocionou recordando a dedicação e generosidade da professora Leniza para com as crianças, adolescentes, jovens e idosos assistidos pela Fundação. Até os dias de hoje, agora na gestão do reitor Paulo Roberto Pinto e do vice José Luiz Rech, a parceria da Uesb com a Fundação é uma realidade.

 

História de resistência


As primeiras instruções musicais para os alunos a professora começou fazendo em sua própria residência, na Rua Jaime Brito, a “Rua do Maxixe”. Lecionando em várias escolas da cidade, passava para os alunos nas aulas normais as instruções básicas de Música, Educação Artística, Canto Geral, Artes Plásticas e ensinava artesanatos diversos. Polivalente, Leniza surpreendia com sua vivacidade, capacidade e foi selecionando entre seus alunos aqueles que tinham gosto pela música e começou a ensaiar com eles em casa. Tempos depois, quando aumentou o número de alunos, foi ocupar o espaço da garagem, contando sempre com o apoio do esposo, o empresário Manoel Santos. Ganhou em seguida a rua de sua casa, interditando por várias vezes o trânsito no local, até que as escadarias da Concha Acústica tornaram-se o local de aulas da professora Leniza.

Voluntária de diversas instituições e grupos de serviço, começou a formar corais com os membros de igrejas e até com os funcionários da Vulcabras|azaleia atualmente. No aniversário dos 500 anos do Brasil, montou um coral de 500 vozes formado apenas por crianças, em Itabuna, e outro em Lagoa Real, sua cidade natal, onde também formou uma orquestra regional com 200 músicos amadores, chamando a atenção de emissoras de televisão como Record, Sudoeste e Manchete.

 

A Fundação hoje

Transformada em Ponto de Cultura, a Fundação concorre a editais e aqueles aprovados é que geram os recursos necessários para o atendimento ainda de grande número de crianças de vários bairros da cidade, contando também com o incentivo da Petrobras.

O espaço para abrigar a gurizada é pequeno mas os corações da dedicada professora e sua equipe são enormes e tudo se ajeita. Aulas de flauta doce, violino, canto, teoria musical, artesanato e outros, são as atividades desenvolvidas. Os alunos são sempre acolhidos com palavras de incentivo e recebem merenda. Estudantes dos bairros Américo Nogueira, Quintas do Morumbi, Vila Isabel e Nova Itapetinga, dentre outros, formam a clientela assistida pela Fundação. Outros grupos folclóricos são compostos por idosos, que recebem também a mesma atenção dedicada aos mais jovens.

Agora, amadurecida com seus 42 anos, a Fundação pensa mais alto e forte: ter um espaço próprio, mais amplo, onde caibam todos os sonhos da professorinha vinda de Lagoa Real para a região de Maiquinique e que depois de vir a Itapetinga, se dedicou a ela de maneira tão profunda, que não se pode citar as instituições da cidade sem lembrar que a que mais tem corações pulsando dentro de si é a Fundação Canto das Artes.

 

“Eu me sinto gratificado e orgulhoso e por ter sido escolhido padrinho desta fundação que tem feito um trabalho importante não só no nosso país, mas de forma internacional. O trabalho da musicista Leniza Souza Santos tem salvado jovens e crianças, tornando-os cidadãos, de forma cultural e socialmente. É uma coincidência muito grande o aniversário da Fundação ser comemorado com o Dia do Músico. Fazer e ser parte desta Fundação é ser parte da história de Itapetinga. Parabéns Leniza e toda a sua equipe que tem demonstrado que o trabalho voluntário é uma forma de mudarmos o nosso país”. – Edson Vieira – padrinho da Fundação Canto das Artes e vice-diretor da Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães.

 

“O Movimento Coral Canto das Artes sucita: encontros! Sentimentos e emoção! Valorização do ser humano! Inclusão social! Busca da mais “alta filosofia na linguagem qual a razão no compreender.” – Eliene Chaves – Secretária de Educação de Itapetinga.

 

“A Fundação Movimento de Corais Canto das Artes é um espaço que descobre e lapida talentos artísticos, exaltando a qualidade humana e conscientizando para o exercício da cidadania” – Antônio Maciel – Representante Territorial de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

 

“Na Fundação não aprendemos apenas a ser bons músicos, mas também a ser ótimos cidadãos. Através da música e da arte harmonizamos a nossa vida e das pessoas ao nosso redor. A música nos abre caminhos e nos dá oportunidades para um futuro melhor”. – Valéria Oliveira Santos – 13 anos – Aluna de viola clássica, violino e flauta doce.

 

“Após 42 anos de determinação e luta podemos dizer que valeu a pena confiar e acreditar que a arte é um mecanismo de mudança e ela pode contribuir para termos um mundo melhor e mais humano. Se fôssemos relatar os embates ocorridos durante esses anos de existência da Fundação Canto das Artes, teria muito o que relatar; porém, deixando de lado a parte negativa da história, temos muito o que comemorar ao ver que sementes que foram plantadas deram frutos e frutos positivos. Os propósitos almejados tem sido alcançados. Crianças, jovens e adultos têm tido a oportunidade de uma melhor qualidade de vida tendo a música e a arte como agentes em seu processo de crescimento e emancipação. Parabéns Professora Leniza! Parabéns Fundação Canto das Artes! – Sérgio Gomes – Professor e Artista Plástico.

 

“É fácil falar sobre a professora e maestrina Leniza Santos. Difícil é entender porque um trabalho de inclusão social desta magnitude, que contempla todas as faixas etárias, desde criança, jovens, adolescentes, adultos e até os idosos, não tem tido o merecido reconhecimento por parte da nossa comunidade, afora poucos abnegados que tem dado apoio a ela. O Movimento de Coral Canto das Artes, nesses 42 anos de existência já é considerado um patrimônio da nossa cidade. É trabalho desta natureza que engrandece e eleva o nome de Itapetinga fazendo-a ser reconhecida dentro e fora da região. Se houvesse mais apoio, comprometimento e sobretudo sensibilidade por parte de empresários, pecuaristas e a comunidade em si, esse reconhecimento certamente teria outra dimensão, para orgulho de todos nós. A professora Leniza além de ter a música na alma e no coração, possui o que há de melhor no ser humano, que é a generosidade. Parabéns!” – Dr. Carlos Amorim Dutra – Kalu – médico e músico.

 

“É gratificante olhar para trás e ver que faço parte dessa história. Na verdade, continuo escrevendo uma história que tem como atores pessoas de todas as cores, crenças, idades, níveis sociais e intelectuais. Pessoas que como eu, acreditam na mudança do ser humano pela arte. Pintando, tocando, cantando e encantando a todos! Agradeço a Deus por ter colocado em meu caminho a professora Leniza, pois Ele nos uniu pelo dom mais bonito que pode existir: cantar e encantar, seduzir e alegrar, sorrir e chorar – tudo através da música!” – Tiago Melo de Oliveira – Professor e membro da fundação

 

“É impossível falar da Fundação Canto das Artes e de Tia Leniza e não se emocionar. Quantas memórias de aprendizagens e mudanças de vidas aconteceram durante tantos anos. Foram sonhos, lutas e realizações que marcaram tantas histórias.

Além das inúmeras viagens e cursos, o maior aprendizado é no dia a dia, a gratidão, o perdão, a humildade, – lições diárias que formam e formaram tantos que por ali estiveram e estão presentes. Fazer parte desta grande família por mais de 14 anos, é de uma emoção tamanha que explicá-la torna-se difícil.

Agradeço a Deus pela força e a Tia Leniza e Tio Manoel por abraçarem essa causa tão nobre que contribui para lapidar vidas através da música e da arte” – Roberta Dantas – auxiliar de coordenação da Fundação Canto das Artes.

 

“Nos lembramos das idas e vindas para a casa da professora Leniza, uma ‘casa encantada’ como achávamos que era a moradia da nossa professora de música que nos acolheu com tanto carinho quando ainda tínhamos 5 anos. Levados por nossa mãe e muitas vezes de ônibus por nosso avô Dezinho, com os pequenos violinos do lado, aprendemos a tocar as primeiras notas. Recebemos dos professores da Fundação carinho, atenção e mais aprendizado. Nos apresentamos em concertos na Uesb, na Concha, prestamos homenagens a pessoas que nem conhecíamos e ficamos com uma grande mensagem em nossas vidas: a dedicação é a melhor maneira de se chegar a um objetivo. Tia Leniza e sua turma nos ensinou isso. Dividimos nosso amor com a senhora, tia querida, e com Tio Manoel, sempre tão preocupado com o retorno dos alunos depois das apresentações.

Que Deus possa enchê-los mais e mais de bênçãos e dar vida ainda mais longa à sua equipe e a Fundação Canto das Artes”. – Cristian e Gabriel Portella – Ex-alunos da Fundação e estudantes de Direito e Fisioterapia.

 

 

Tags:

Sem comentários ainda.

Deixe um comentário