Erivam Soares de Oliveira, um sertanejo da gema!

vePara se falar efetivamente do nascimento e da vida sócio cultural de Erivam Soares de Oliveira, necessário se faz recorremos ao sedentarismo, ao chão rachado, as planícies e as chapadas do cerrado sertão baiano, terra de “cabra macho” como dizia Luiz Gonzaga na canção Samarica Parteira, falar de fartura e bonança quando chove no chão, mas também de fome e miséria quando é longa a estiagem que ainda se repete por aquelas bandas da caatinga onde nasceram seus pais Egidio Soares de Oliveira e Josefa de Oliveira Santos.

Decorria então do ano de 1951, o quase fim do mês de abril, o dia 28, quando estava acontecendo no Planalto e na Encosta da Conquista e até mesmo na Região Sul da Bahia, uma calcinante seca que levou a nossa gente baiana à calamidade, ao caos total. Em ocasião como essa, o pai de família pobre chegou a trocar um dia de serviço fazendo barragens a bico de picareta, por um litro de farinha e um pouquinho de gordura para fazer um escaldado para alimentar os filhos que esperavam em casa de bicos abertos como se fossem filhotes de passarinhos a espera dos pais. Em meio a tudo isso, nascia na sede da Fazenda Lagoa Rasa no município de Tremedal – Bahia, ou Tremedal dos Ferraz como era conhecida aquela bela cidade encravada no fim da Região Sudoeste, próxima ao norte das Minas Gerais, um garoto que receberia na Pia Batismal o nome de Erivam com “eme” para talvez diferenciar dos demais guris da região. Menino esperto, cedo demonstrou ser uma criança peralta, irrequieta, mas habilidosa. Campeava as vaquinhas “peduras” para separar dos bezerros a fim de tirar o leitinho no dia seguinte e prendia as cabras no aprisco, pois sua família era bem alicerçada naquela redondeza e dispunha dessas criações para o sustento próprio e até para socorrer a vizinhança. Seu pai percebendo o seu acentuado grau de inteligência, logo contratou o professor Alcides Soares para ministrar aulas numa sala da sede da fazenda para que seu filho pudesse melhor se preparar para um bom currículo escolar. E assim, em 1959, Erivam já estava alfabetizado pronto para enfrentar o Curso Primário que o fez no Colégio Adelmário Pinheiro na cidade de Tremedal – Bahia no ano de 1963.

Em 1964 concluía o Curso de Admissão ao Ginásio no Colégio Municipal de Condeúba-Bahia e ali ingressou no Curso Ginasial que concluiu em 1969.

Transferindo sua residência para a cidade de Itororó, onde já moravam alguns dos seus irmãos, logo se matriculou no Colégio Estadual Getulio Vargas onde se diplomou em Contabilidade Técnica no ano de 1972.

Credenciado a exercer qualquer atividade comercial, experimentou a função de balconista nas empresas J. Soares & Cia. Ltda., e COFIRMA – Com. de Ferragens Irmãos Oliveira Ltda., que pertencia a membros de sua família.

Em 1971, já quase concluindo o Curso Técnico, prestou concurso público e, sendo aprovado em 1º lugar, foi admitido Encarregado Geral do SAAE, Autarquia Municipal onde galgou todas as principais posições diretivas até 2001, quando foi exonerado da função de diretor, pelo então prefeito Marco Brito, mas continuou nos cargos de carreira. E isto já faz um invejável período de 42 anos de Serviço Público Municipal, prestado à coletividade.

Em 1977 adquiriu a Livraria Peter Pan que, em seguida, mudara sua razão social para Gold Pen em sociedade com os Srs. Joaquim Soares de Oliveira, seu irmão e o amigo Antonio José Rodrigues Campos. Mais tarde esta firma passou a ser a Livraria Ideal, em sociedade com seu irmão Silvio Soares.

Jovem galante e namorador, Erivam viveu uma vida de boemia fazendo parte da juventude do seu tempo sem se separar de sua barba bem aparada, mas nunca raspada. E nessas aventuras românticas enamorou Maria Sirlene Carvalho Santos, uma garota de boa família da sociedade itororoense que lhe deu o primeiro filho Mateus Carvalho Oliveira, comerciante bem sucedido nos ramos de joalheria e farmácia.

Em 01 de junho de 1983, Erivam resolveu se casar. E buscou na sociedade itapetinguense a Srta. Danúsia Dantas Ferraz para compor sua unidade familiar como esposa, herdar o seu sobrenome Oliveira e lhe dar bons frutos como os seus dois filhos: Jádson Ferraz de Oliveira que concluiu Administração de Empresas e Jamille Ferraz de Oliveira, formada em Enfermagem. Os dois agora trabalham em Vitória da Conquista e Salvador, respectivamente.

Erivam cedo ficou viúvo, quando os seus filhos ainda eram bem crianças, aos 7 e 6 anos de idade, mas encontrou em Dona Chica, uma doméstica que trabalhava em sua casa, os carinhos e os cuidados necessários que os pequenos precisavam para superar a falta da mãe, por isso, externa seus profundos agradecimentos a aquela digníssima senhora a quem as crianças sempre chamaram de “Mãe Preta”.

O tempo foi passando até que Erivam conheceu uma “pequena grande mulher” que haveria de preencher a enorme lacuna aberta no seu peito e se transformar no amor verdadeiro de sua vida.

Trata-se da professora Maria das Graças Rodrigues da Silva com quem comunga os mesmos ideais, os mesmos pensamentos e com ela traça os rumos do futuro desde 20 de agosto de 1990 e a quem também devota amor e gratidão por ter lhe ajudado a cuidar dos seus baixinhos.

Na sua vida sócio cultural em Itororó, Erivam participa com entusiasmo de tudo que esta mesma sociedade tem lhe exigido e confiado: Presidente da Câmara de Diretores Lojistas de Itororó por duas vezes; Presidente do Clube de Castores de Itororó, entidade ligada ao Lions Club Internacional e foi membro do Lions Clube de Itororó; foi sócio do Colônia Clube de Itororó; sócio fundador do Clube de Campo do Gameleira onde exerceu as funções de Diretor de Patrimônio e Membro do Conselho Fiscal por duas vezes; participou de Projeto Técnico da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz para levantamento cadastral das principais nascentes do Rio Colônia, estudo macroeconômico das propriedades rurais e suas localizações geográficas na Bacia do Rio Cachoeira; foi agraciado com a outorga do Título de Cidadão Itororoense pela Câmara de Vereadores de Itororó numa proposição do vereador Aderbal Sousa Gonçalves; em 21.02.1981 ingressou na Loja Maçônica Força e União de Itororó onde já exerceu os cargos de Tesoureiro por cinco vezes, Mestre de Cerimônias, 1º Vigilante, Venerável Mestre em dois períodos, Membro dos Autos Corpos da Loja de Perfeição João Américo de Oliveira Filho, de Itapetinga, atualmente no Grau 19º.

Em 2000, ingressou num ramo bastante lucrativo que é o da pecuária de corte da região que faz o equilíbrio das suas finanças.

Foi varias vezes Membro Titular do Conselho Diretor Nacional da ASSEMAE – Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento, com sede em Brasília DF; foi Presidente da Regional Nordeste I – Bahia/Sergipe, da ASSEMAE; foi presidente de Juntas Eleitorais designado pela Justiça da 137ª Zona Eleitoral da Bahia; sócio fundador do Coroas Esporte Clube e do Asa Branca Esporte Clube; participou de Cursos de Contabilidade Pública do SAAE em Itapetinga; Administração do SAAE e Gestão Pública em Alagoinhas, Salvador e Belo Horizonte; fez aperfeiçoamento de Extensão Cultural em Administração Empresarial em São Paulo, Marechal Cândido Rondon no Pará, Cachoeiro do Itapemirim ES, Bom Jesus da Lapa, Macaúbas, Juazeiro e Salvador – BA, Campinas – SP, Fortaleza – CE e Brasília DF.

Em todas as atividades trabalhistas e sociais em que passou, quer como simples servidor público, quer como diretor principal, o Sr. Erivam Soares de Oliveira, foi sempre um cidadão de comportamento ilibado, sempre um cuidadoso na prática dos seus afazeres, primando pelo zelo à coisa pública, por isso é sempre um vencedor, exemplo de vida que pretende deixar de legado para os seus filhos…

 

 

* Miro Marques é historiador, escritor e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

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