Em Itororó, professores ganham acima do piso e não fazem greve

Enquanto os professores do país inteiro paralisaram suas atividades por 72 horas a fim de forçar os estados e municípios a cumprirem a lei que institui o pagamento do piso salarial da categoria (R$ 1.451,00), em Itororó, as aulas nas escolas municipais prosseguem normalmente. Desde 2009, que os docentes das 30 unidades de ensino municipal recebem acima do piso salarial nacional.

Os professores de Itororó recebem R$ 1.452,00 por 40 horas trabalhadas, um aumento de 21% em relação ao ano passado, quando eles recebiam R$ 1.200,00. Vale ressaltar que esses valores, tanto de 2011, quanto o de 2012, são superiores ao piso nacional – que em 2011 era de R$ 1.187, 97 e agora é de R$1.451,00. Se somados todos os aumentos durante a gestão do prefeito Adroaldo Almeida (2009,PT-BA), os educadores tiveram um ganho salarial de 47,56%.

Segundo o diretor do Colégio Estadual Francisco Antônio de Brito, Nivaldo Moreira, “só quem sai perdendo com essa paralisação são os alunos, pois o ano letivo é programando com 200 dias letivos e isso (a paralisação) faz ruir tudo o que foi programado”. Ainda de acordo com Nivaldo, a Secretaria de Educação do Estado e a Diretoria Regional de Educação (Direc) vão exigir que esses dias sejam repostos, para que os alunos não fiquem no prejuízo total. Mas esse risco não correm os alunos da rede municipal.

 

Um exemplo a ser seguido

“Eu tenho dois filhos adolescentes, um estuda numa escola municipal (Escola Naomar Soares de Alcântara) e outro numa escola estadual (Centro Territorial de Educação Profissional). Fiquei assustada ao saber que essa semana um ia para a escola e outro não. A nossa educação já não é de muita qualidade, a criminalidade anda solta e agora o povo resolve parar de ensinar. Onde vamos parar?”, disse dona Carmelita Alves Pereira, moradora do bairro Grande Loteamento.

De acordo com o professor Adailton Anunciação, representante da APLB Sindicato de Itororó (Sindicato dos Professores) a política salarial empregada pelo prefeito Adroaldo “é para ser copiada” pelos demais gestores, pois “procura atender as reivindicações das classes trabalhistas”.

“A luta por melhorias salariais para os professores é uma luta histórica, mas acredito que hoje nós temos, no presente, aqui em Itororó, um momento em que a gente pode de fato discutir essa política de valorização com mais tranquilidade do que acontecia no passado. Então isso se constitui numa política educacional de qualidade e com isso todos nós saímos ganhando, principalmente os alunos”, disse Adailton.

 

Dengue: problema do passado

No verão 2012, em Itororó, um município com mais de 20 mil habitantes, assim como em 2011, nenhum caso de dengue foi registrado. Em 2009, 1007 moradores adquiriram a doença, dos quais, 15 casos de dengue hemorrágica, com dois óbitos. Diante desse quadro, o prefeito Adroaldo Almeida decidiu mobilizar a população e os Agentes de Combates a Endemias em ações contínuas o ano inteiro. O resultado foi a redução da incidência da doença em 100% dos casos e o sucesso da operação é, em grande parte, creditada à população, que resolveu apoiar todas as ações.

Segundo a secretária de Saúde municipal, Luciana Pedreira, uma “falta de planejamento na gestão passada”, fez com que a atual administração recebesse a cidade com um surto da doença que atingiu cerca 5% da população, que na época era de aproximadamente 19.500 pessoas. Foi necessária uma ação conjunta entre as secretarias de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social, Infraestrutura e Urbanismo e mais o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

 

As ações

As secretarias de Educação, Saúde, Infraestrutura, Desenvolvimento Social, Cultura e Turismo uniram-se para fazer mutirões de mobilização em todos os bairros e distritos do município. A cada semana um grupo atuava em um bairro diferente e entrava de casa em casa realizando limpeza dos quintais e instruindo os moradores a manter a higiene. Ao lado disso, os alunos das escolas eram estimulados a fiscalizar as suas moradas e cobrar dos pais a limpeza sempre e o pessoal do urbanismo cuidou de fechar esgotos a céu aberto e buracos nas ruas, que poderiam acumular água parada.

“Eu me lembro que esses mutirões foram verdadeiras revoluções . Em alguns bairros foram retiradas mais de 60 caçambas de lixo e entulho”, disse Sirlene Pereira, que na época era secretária de Saúde e agora ocupa a Educação. A imprensa local também contribuiu muito com essa conquista, pois durante a campanha maciça, a rádio Itapuy FM entrevistava os responsáveis pelo mutirão e veiculava mensagens estimulando a população a combater o Aedes aegypti e seus locutores incitavam a população há denunciar seus vizinhos que não mantinham a limpeza em suas posses.

“Minha equipe foi extraordinária, com ações simples, bem organizadas e muita educação conseguiu resolver um problema que parecia que não teria um fim tão rápido. Isso mostra que com compromisso e comando, tudo se resolve. O povo foi fundamental nesse processo”, avalia hoje o prefeito Adroaldo Almeida.

Mesmo com a incidência zero no número de casos da doença transmitida pelo Aedes Aegypti, a SMS não baixa a guarda para o mosquito. De acordo com Luciana Pedreira, atual secretaria de Saúde, “o trabalho agora é corpo a corpo”, através dos agentes comunitários, cujo número foi ampliado através de concurso público.

 

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