Em defesa da comunidade

kkNo dia 7 de setembro, fui à Praça Dairy Valley assistir às comemorações da independência do Brasil. Praça lotada, realmente muito bonito, senti desejo de colaborar, pois o tema era Meio Ambiente e Ecologia. Subi no palanque, falei com o locutor e locutora, que, dado ser aquele tema, poderia declamar um poema de Augusto dos Anjos, intitulado “A árvore da serra”. Me disseram que tudo bem, mas só no fim do evento pois não podiam inserir no meio da programação, apesar de ter solicitado apenas um minuto para fazê-lo. Aguardei até o fim, e após ouvir alguns cochichos, chegou o veredito: o tempo se esgotou. Entendi. Entrou pelo esgoto. Protestei: fiquei aqui duas horas e meia e não me dão um minuto sequer? Falei com o prefeito, na expectativa de ser atendido, pois sou um dos que crêem que prefeito eleito, é prefeito da comunidade e a comunidade não está restrita a grupos. Castro Alves já dissera que “A praça é do povo assim como o céu é do condor”. Por isto pedi um minuto. Qual não foi minha decepção, pois o prefeito me respondeu que se eu me assomasse à tribuna para falar, seria vaiado pelo povo. Aquilo me doeu. Eu vi o paradoxo da comemoração, na utopia dos seus dirigentes. Será que o prefeito à frente de um governo há mais de cinco anos, ainda não conhece a comunidade, a ponto de julgar que ela dê vaias à cultura? Nós não merecemos esse disparate. Naquele momento não era eu um simples itapetinguense que iria declamar, naquela hora eu iria representar um poeta de renome: Augusto dos Anjos. Deixo com o povo o julgamento, e as vaias para quem de direito. Transcrevo o poema:

 

A árvore da serra

 

I

As árvores meu filho, não têm alma

E esta árvore me serve de empecilho

É preciso cortá-la pois, meu filho.

Para que eu tenha uma velhice calma

 

II

Meu pai! Porque sua ira não se acalma?

Não vês que em tudo existe o mesmo brilho?

Deus pôs alma nos cedros, no junquilho

Esta árvore pai, possui minh´alma

 

III

Disse e ajoelhou-se numa rogativa:

Não mate a árvore pai, para que eu viva.

E quando a árvore olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,

 

IV

O moço triste, se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra.

 

Ananias Monteiro da Costa

Um comentário para “Em defesa da comunidade”

  1. Benilde Monteiro
    19 de setembro de 2013 às 20:20 #

    É assim que um brasileiro cresce. Não tem palavra nem para declamar uma poesia no palanque de politicos. Mas na hora das eleições, o eleitor é sempre bem-vindo. Canalhas ! Quem vos ensinou a fazer tanta discriminação com o seu proprio povo ?Se uma protituta sem roupas descentes pedisse a palavra, certamente lhe seria concedida sem medo de receber vaias ! Oh Brasil injusto ! Oh Brasil que eu não aguento mais !

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