Elogio por merecimento

kaluDeve-se tomar bastante cuidado ao se tentar elogiar alguém nos dias de hoje, pois do contrário corremos o risco de entrar numa verdadeira saia justa, tentando depois justificar o injustificável. Como diz o velho ditado: Arrependimento só vem depois. Os primeiros da lista são os políticos, que na sua grande maioria mudam de opinião e de partido como se muda de camisa. Na linha do jornalismo a coisa também está ficando feia. Acompanha-se o trabalho de alguns jornalistas em jornais, revistas e blogs, que de uma hora para outra passam a jogar em times completamente diferentes. Quando menos se espera, a vaca foi para o brejo. A credibilidade em muitos políticos já deixou de existir há muito tempo. Na imprensa a coisa não vem sendo diferente. De um lado fecham-se jornais, de outro se reduz o número de profissionais, nem sempre conservando a prata da casa, restando apenas aqueles que rezam na cartilha. E que cartilha. Pesquisando na internet e com bastante cuidado ainda dá para encontrar uns poucos bons artigos que honram o jornalismo, mas também não é lá tarefa fácil. Do padrão ouro e prata, despencamos para o bronze e olhe lá. Elogios devem ser dirigidos em função da índole e do caráter do indivíduo, ou do seu talento. Fulano é um homem honesto. Um homem de bem. Diferente de quando se diz que fulano é boa gente ou boa praça. Sou do tempo em que os filhos se orgulhavam dos pais pelo caminho que trilharam de honradez e honestidade. Hoje a coisa tem mudado de figura. Já ouvi filhos de pais abastados se orgulharem em dizer que o velho é uma raposa para ganhar dinheiro, como se isso fosse um troféu, não importando a forma escusa utilizada para amealhar o lucro. E aí vai-se passando de geração a geração. Sabido não é mais aquele que sabe; conhecedor; sabedor; versado; perito. É mais usado no sentido figurado, como astuto, velhaco, trapaceiro. O mesmo acontece com benemérito, aquele que merece o bem; benemerente, digno de honras, recompensas e aplausos por serviços importantes ou por procedimento notável. Ilustre, distinto, ínclito. Em tempos atuais o título de sócio benemérito é dado indistintamente, não pelos serviços prestados, mas pela quantia doada em dinheiro, como forma de merecimento e com direito a placas e tudo mais. Dizem que serve para amaciar o ego. Vale também para nomes de Praças, Ruas e Logradouros, pois se a lei fosse respeitada, só encontraríamos com nomes de pessoas já falecidas. Mas no Brasil a coisa corre solta. A quantidade de políticos que homenageiam parentes e amigos com nomes em vários pontos da cidade, dá para encher um estádio de futebol. Alguns são até merecedores, mas fere a lei. E pelo que se sabe, as leis foram feitas para serem cumpridas. Ou não?

 

Quiprocó

Não quero e nem pretendo utilizar este espaço para falar de política, tema insípido, insosso e inodoro, ao ver tantos conchavos e conversas ao pé do ouvido, que até Deus duvida. Partidos que antes viviam igual gato e cachorro, estão agora mais unidos do que nunca, mesmo que cada um fique com um pé na frente e o outro atrás, ou com dizem os velhos ditados: “Com a pulga atrás da orelha”, pois “Seguro morreu de velho”. Na hora de dividir o bolo vale a premissa de sempre: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Perguntado a um velho amigo o que ele estava achando desse balaio de gato que estamos vivendo neste momento político que antecede as eleições, definiu tudo muito bem com uma só palavra:

“Tá tudo o maior quiprocó!” E aconselhou-me dizendo que nessas horas o melhor a fazer é ficar bem longe para que nenhuma lasca de osso venha em nossa direção.

Tive mesmo que concordar com ele, achando engraçado o uso do termo, originado do latim: Quid pro quo.

Disse-me que todos nós esperamos mudanças e um futuro melhor para a nação. Mas, se lhe perguntassem se vê alguma perspectiva de melhora com os novos candidatos aos mais diversos cargos e funções, sua resposta seria, não. O que está faltando é empatia, entusiasmo, firmeza e convicção e complementou dizendo que não vê por parte de nenhum deles, qualquer demonstração de segurança. E isto não é nada bom. Por tudo que a vida nos ensina, não aprendemos ainda o que nos legou o escritor Guimarães Rosa, quando disse: “O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita”. Mas este aprender que nos ensina Guimarães Rosa, tem sido desvirtuado e muito, na visão e no mundo de certos políticos.

Como passamos pela semana santa, vivendo a Sexta-Feira da Paixão, o domingo da Páscoa, mais o feriado de Tiradentes, o melhor a fazer é mudar o rumo dessa prosa, já que o feriado foi bem longo. Fiquei mesmo foi feliz por meus irmãos Rui e Almir, fanáticos por futebol, com a vitória do Bahia, sagrando-se campeão em 2014. Para eles vai aqui o grito de guerra: BAÊÊÊÊAAA»

 

 

Carlos Amorim Dutra

e-mail: carloskdutra@gmail.com

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