Educação, prioridade absoluta!

Após seis anos e meio comandando o terceiro maior orçamento da Esplanada no Ministério da Educação e Cultura, Fernando Haddad entrega a pasta para Aloízio Mercadante, com o intuito de enfrentar o desafio à prefeitura de São Paulo. Segundo alguns educadores, Haddad não desenvolveu políticas públicas eficientes para erradicar o analfabetismo – principalmente nos índices rurais – nem ações para garantir melhor qualidade no ensino médio. Alguns ainda criticaram a falta de atenção dada a ações voltadas para a melhoria da carreira dos docentes, o que aumenta, ainda mais, as preocupações do novo Ministro.À frente de uma pasta educação, Mercadante tem entre os seus principais desafios priorizar a educação básica brasileira e buscar uma solução para o pagamento do piso salarial dos professores, alvo de contestação no Supremo Tribunal Federal (STF) e motivo de muitas greves nas redes estaduais de ensino no ano passado. Na lista de responsabilidades do novo ministro estão ainda melhorar a gestão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que já teve provas roubadas, vazamento de questões e erro de impressão de cadernos, e consolidar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que prevê a oferta de 8 milhões de vagas de qualificação técnica e profissional até 2014.Os desafios são inúmeros e a responsabilidade é inestimável. De qualquer forma, a presidente celebrou, na última terça-feira, um casamento entre educação, ciência, tecnologia e inovação como meta para um país maior e mais justo. A reunião teve clima amigável e tranquilo, além da presença de dois ex-presidentes: Lula e Sarney. A troca de líderes dos ministérios foi bem mais tranquila do que as últimas. Em meio a tantos problemas que já teve nos Esportes, Transportes, Agricultura, Turismo, Trabalho e na própria Casa Civil – sem falar dos problemas atuais no Ministério da Integração -, a presidente tem consciência que educação, ciência e tecnologia está incólume.O ministro Aloízio Mercadante, antes de transmitir o cargo, chegou a ter a pedido dele o mais severo dos auditores da Controladoria-Geral da União para fiscalizar tudo e comprovar a limpeza da entrega. A área da Ciência e Tecnologia mostrou que, com política de P maiúsculo, sem ingerência de partidos políticos nem de eleições e envolvendo gente com ideologia da própria ciência, funciona sem escândalos e denúncias.Tomara que isso signifique uma prioridade absoluta, como realmente devem ser tratados assuntos como ciência, tecnologia e, principalmente, educação. Eles são capazes de mudar o país. Conhecimento gera um povo com menos necessidades. Aí os políticos, sem ter como oferecer favores e dádivas, terão de discutir ideias com o eleitor que, com mais qualidade na educação, terá mais qualidade no voto.Talvez no passado fosse possível deixar sem educação uma parcela importante da população sem causar sério prejuízo à nação. Hoje não. Um homem ou mulher sem uma boa escola fundamental e média está afastado da educação superior, de muitas carreiras desejáveis e da importantíssima participação em nosso sistema político. A sociedade que permite que um vasto número de seus cidadãos permaneça deseducado, ignorante, ou semi-alfabetizado desperdiça sua maior riqueza: a inteligência de seu povo.Um país étnico e racialmente diverso como o nosso requer, mais que outros, um esforço consciente para construir valores compartilhados entre seus cidadãos. Uma sociedade que tolera o anti-intelectualismo em suas escolas favorece ao surgimento de uma cultura idiotizada que cultua celebridades e sentimentalismos em vez de conhecimento e sabedoria. Sociedade esta que discute realytes shows com mais intencidade e veemência do que fala sobre política, saúde, educação ou cultura.Para serem bem sucedidas, as escolas precisam estar voltadas para sua missão fundamental de ensinar e aprender, se renovar e buscar atingir o maior número de pessoas possível. E elas precisam fazer isso para todas as crianças. Essa deve ser a meta mais abrangente das escolas no século XXI. Esse é o desafio maior que Mercadante tem que enfrentar: tentar, através de uma educação de qualidade, fazer deste nosso país em desenvolvimento, um lugar desenvolvido pela força de um povo educado, consciente e politizado.

Isabela Scaldaferribelscaldaferri@hotmail.com

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