Educação, gênero e sexualidade

modelo 1É lamentável que as pessoas eleitas para representar os interesses do povo itapetinguense também tenham sucumbido à onda paralisante do progresso social através da ideologia judaico-cristã. Na noite de quinta-feira (18/06), a Câmara de Vereadores de Itapetinga aprova o Plano Municipal de Educação (PME) com a retirada dos termos gênero e sexualidade, regredindo mais de seis séculos, depositando o Plano nos anais da idade média.
Educação refere-se, dentre outras coisas, ao processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. O que fingem não saber os edis itapetinguenses (dado que a ignorância não deve ser a prerrogativa do cargo) é que a moral vinculada ao termo não é a que reivindica esse ou aquele grupo religioso, mas o conjunto de regras de conduta e hábitos julgados válidos e universais e não o que é certo ou errado de apenas uma perspectiva.
Ao retirar do PME os termos gênero e sexualidade a Câmara de Vereadores de Itapetinga, movida pela pressão sofrida (legitimamente) por grupamentos religiosos, fere o princípio da laicidade do Estado brasileiro. Isso significa que tal gesto além de inconstitucional, promovidos por aqueles que no ato de posse juraram cumprir a Constituição Federal, também conduz derrotas para a formação moral e cidadã dos jovens itapetinguenses.
Discutir sobre gênero e sexualidade e respeitar a identidade de gênero das pessoas faz parte do processo de educação para a cidadania que precisa mesmo desse tipo de discussão para não cair no obscurantismo da ideologia A ou B. Tão importante quanto ensinar/aprender português e matemática, ensinar/aprender sobre gênero e sexualidade diz respeito sobre aprender respeitar as diferenças, sobre inclusão social, sobre o corpo, sobre identidade social e etc. e não sobre “ensinar” a ter esse ou aquele comportamento sexual.
Ao contrário, jovens empoderados de conhecimentos sobre gênero e sexualidade não serão presas fáceis da exploração sexual, do aumento da incidência de doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo HIV e sífilis, de gravidez precoce que retarda o desenvolvimento escolar de mulheres jovens, da exclusão social e da violência contra pessoas da comunidade LGBTS. Ao serem sensibilizados por tais conhecimentos ainda na escola, espaço privilegiado de socialização para os jovens, no futuro poderemos ter pessoas que enxerguem as diferenças humanas, sejam elas sexuais, políticas, religiosas, não como ameaça a essa ou aquela ideologia ou comportamento, mas como expressões naturais do ser humano que devem ser respeitadas.
Na democracia todos os grupos e pessoas têm direito a manifestar a sua opinião. No entanto, o poder público tem a responsabilidade de preservar o interesse da maioria, vislumbrando o progresso social e vida melhor para todas as pessoas. Exclusão, violência e alienação social devem ser duramente combatidas via ação estatal. Com a retirada dos termos gênero e sexualidade do PME de Itapetinga, a Câmara de Vereadores foi omissa em sua função de preservar princípios e direitos Constitucionais, legitimando que na educação municipal sejam formados cidadãos e cidadãs de segunda classe. Perde a sociedade.
* Handerson Santos é Mestre em Enfermagem. Professor da Escola de Enfermagem da UFBA

Um comentário para “Educação, gênero e sexualidade”

  1. SAMUEL ANDRADE
    29 de junho de 2015 às 19:21 #

    LEIAM A BIBLIA EM ROMANOS 1:27 A 32.NOVO TESTAMENTO.
    DEUS CRIOU HOMEM E MULHER PARA FORMAR UMA FAMILIA O QUE PASSA
    DISSO E ABOMINAÇAO.

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