Durvalino Nunes Vasconcelos, um poeta recatado

Itororó foi o berço de civilização que recepcionou o garboso rebento Durvalino Nunes Vasconcelos quando chegou ao mundo, a 31.01.1941, regurgitado de uma união amorosa que durou até que Deus achou por bem separar o casal Antonio Nunes de Aquino e Oscarlina Vasconcelos de Aquino. Durval que é o nono filho na ordem de chegada, cresceu brincando junto à gurizada do seu tempo pelas ruas e praças de Itororó. Estudou no Grupo Escolar Getúlio Vargas e no Ginásio Juracy Magalhães de Itororó até partir para o ensino superior na capital do Estado onde se diplomou, pós-graduou e fez doutorado em engenharia agrônoma.

Entretanto, quando o profissional Durval Nunes, natural de Itororó, sul da Bahia, chegou a Barreiras, na década de 70, para implantar a Ancarba que se transformaria na Emater-BA e agora EBDA, talvez nem imaginasse que estava se iniciando aí uma longa história de um filho com sua mãe adotiva. Foi um amor à primeira vista. Eis que a partir daí, embora Durval tenha se deslocado a outras regiões em função de suas atividades profissionais, como na Ceplac de Itabuna – Bahia e Viçosa/MG, sempre que podia retornava a Barreiras, pois, além do grande amor pela região, já desenvolvia aqui atividade agropecuária em fazenda no município de Wanderley.

Seu espírito empreendedor e sua insaciável vontade de conhecer as coisas do mundo, o levaram, de 1982 a 1985, a convite da Ceplac em convênio com o Itamaraty, para a Costa do Marfim, como assessor agrícola da Embaixada Brasileira em Abdjian, capital daquele país africano.

Ao voltar da África em 1986, finalmente retorna a Barreiras onde fixa residência e recomeça uma nova vida, já que havia se divorciado de sua primeira esposa em 1981. Aqui se engajou na atividade política fundando o PSDB e atuando ativamente na luta pela defesa ambiental, participando entusiastamente na AMINA – Associação dos Amigos da Natureza e foi co-fundador da AEABE Associação dos Engenheiros Agrônomos de Barreiras, e mais tarde criou a Caprioeste.

Em 1993, a convite do prefeito Saulo Pedrosa assume o cargo de Assessor de Planejamento e Meio Ambiente, e em 2005 a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo da Prefeitura Municipal de Barreiras.

Porém, quem observava apenas o profissional Durval Nunes, não pode deixar de perceber sua alma artística onde se encontra um compositor, poeta e escritor de mão cheia. Eis que, ao longo dos anos, em sua peregrinação, nunca se apartou da poesia e suas variantes. Participou de festivais da Canção de Viçosa-MG, e em 2002 do certame literário da Fundação Cultural da Bahia, onde obteve classificação para quatro poemas selecionados para a coletânea do evento.

Como membro atuante da sociedade barreirense participa como secretário social, da Associação Parque Santo Cristo, com um grupo da Igreja Católica, que pretende implantar um monumento do Cristo Redentor, no alto da serra do Mimo, para difundir o turismo religioso. Mereceu também a outorga do título de Comendador do São Francisco.

Incansável defensor dos recursos ambientais, suas poesias são um caudal, tal qual os rios da região que ele, com tanta ênfase, defende com seus libelos e exortações. Como é o exemplo do “Sinfonia das Águas”, poema que titula sua principal obra poético-cultural.

Navegando entre a poesia clássica, metafórica e/ou sentimental, sem deixar de palmilhar também na poesia moderna, este livro constitui-se numa coletânea de poemas que certamente enriquecerá qualquer biblioteca. Tanto erudita, para deleite intelectual, como estudantil, para consultas e exemplificações de como se deve escrever poemas e suas variantes.

Para o filósofo e antropólogo Bosco Pavão, professor da Uneb e Fasb, a obra de Durval Nunes que tem por título “Sinfonia das Águas”, descreve com habilidade poética e dentro de uma lógica baiana, que o autor deixa levar por devaneios culturais e ecológicos. Imbuindo uma paixão consciente, própria de um intelectual engajado e comprometido com a defesa da natureza, ele escreve como um profissional e como um ser-poeta apaixonado pela região. Nesta “Peregrinação poética” pela natureza/cultural, combate a inóspita destruição presente na mentalidade dos desbravadores neoliberais desta “savana celestial”, descrita como “Nação Oestina”.

Durval Nunes é membro da Academia Barreirense de Letras, pai de Iuri, Lari, Vladi e Vini, mas é, sobretudo, o vovô coruja da encantadora Ana Clara.

Seu legado jornalístico, no entanto, está contido na expoente coluna “Mãe Calina” do renomado Jornal do São Francisco.

Por ocasião do lançamento do documentário histórico “Itapuy, a Terra Sonhada”, de autoria de Miro Marques, o ilustre itororoense Durval Nunes foi levado a participar, por meio da tecnologia moderna, de uma noite de autógrafo de escritores de Itororó…

 

Texto de Vinícius Azzolin Lena, transcrito das orelhas do livro Sinfonia das Águas, com alterações pertinentes de Miro Marques.

 

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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