Duas quebra de braço de quem ganha mais não leva

Vivenciamos em 2014 no Brasil um dos mais acirrados processos eleitorais, desde a redemocratização e o fim da ditadura militar de 1964. A batalha política foi marcada por um ódio intestinal dos setores conservadores, representados pela grande mídia e uma presença forte de militantes e intelectuais no debate político. As inúmeras matérias jornalísticas negativas sobre o governo, cujos fatos não permitia que o cidadão isento de preferência política e ou engajamento ideológico afirmasse que tal disputa fosse democrática. A reprodução repetida do jornalismo da grande mídia de que o governo de Dilma representava o lado ruim e Aécio o lado bom da política revelou o posicionamento político das grandes redes de comunicação. O lamentável é que muitos embarcaram nesta onda, até gente dita de esquerda ou progressista se confundiu ou se permitiu converter-se para a direita.

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Trazendo a discussão para nosso pequeno território de Itapetinga observamos uma grande movimentação dos setores conservadores locais que transformaram o debate nacional num balão de ensaio para 2016, deixando a discussão das questões nacionais. Demonstraram na queda de braço com a administração local que tem força para derrotar o prefeito, entretanto este exercício foi e é desnecessário, basta observar o resultado das eleições de 2012 quando a soma dos votos das oposições se assemelha ao resultado obtido por Aécio Neves agora.

Seguindo o resultado eleitoral, os partidos de oposição em 2014 têm matiz diferente de 2012. Naquele ano o PMDB fazia parte da base aliada do governo estadual e nacional, tendo como aliado o PC do B, sendo majoritária sua votação em relação à parceria Democrata e tucanos. A união dos Democratas, tucanos e PMDB, em 2014, fazia-se a leitura de que ACM Neto era a nova liderança do estado, desprezando o papel social do governo Lula e Dilma e sem saber que Wagner é um estrategista frio em condução de processo eleitoral. Resultado: o governador elegeu o seu sucessor Rui Costa no primeiro turno e Dilma obteve mais de 70 por cento da votação na Bahia.

Ao final do primeiro turno caberia uma reflexão às lideranças oposicionistas de Itapetinga. Mas empolgados com a votação dada a Paulo Souto, continuaram sua segunda batalha para demonstrar força na política local e novamente foram vitoriosos nas urnas – mas qual a consequência? Ganhou mas não levou, porque nossa cidade não raciocinou como o nordeste e sim preferiu a orientação de lideranças locais e deixaram de comemorar como o Brasil a vitória de Dilma.

Aqui cabe uma constatação: há uma tradição de nossa cidade de não compreender os avanços sociais e tampouco os projetos mais à esquerda, isto desde 1982 quando as ideias de Isai Amorim e a juventude aliada do PC do B, tentaram uma nova forma de fazer política e não foram compreendidos e 32 anos depois o discurso da Diversificação da Economia não tem sido nem levado como prioridade, tampouco levado a sério pela cidade, principalmente pelas lideranças populares tradicionais. Podem até afirmar que tudo vale para derrotar o PT local, mas sabemos que o prefeito do PT não tem matiz ideológica, tem origem no PFL, vem das hostes que o condenam, ou esqueceram que o chefe do Poder Executivo foi vice do então prefeito Dr. Zé Otávio?

O que sabemos é que nossas lideranças tradicionais deram um tiro no escuro. Agora se pergunta aos setores

produtivos que têm suas queixas, em qual porta bater. Aqueles que têm projetos sociais e visão esperançosa de renovação política, tem muito o que pensar. Pois no processo um fato foi esquecido, que há diferenças entre os que se envolveram com o setor conservador. Se de fato pensam igual aos lideres ex-prefeitos, afirmam no entanto, que a cidade precisa de novas lideranças. Resta o tempo dizer o que de fato prevalecerá: uma aliança ampla ou um grupo com novo ordenamento.

Tem muita mistura e pouca essência – há de se clarear os pensamentos de Itapetinga, ou dos que pensam mesmo na cidade, retirando mais o pé do acelerador contra a política nacional e estadual em vigência. Há quem pense diferente em menos de 24 horas após o resultado do segundo turno, quando se percebeu que ganhou mas não levou.

Itapetinga tem que pensar como pólo regional, com atitudes de grandeza e não apequenando os debates nacionais para uma quebra de braço local. Não há vencedores, pois a cidade dentro do Brasil foi derrotada.

 

 

* Gilson de Jesus é ex-vereador e Presidente do P C do B de Itapetinga.

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